CRÍTICA | Minha Fama de Mau

Direção: Lui Farias
Roteiro: Lui Farias, L.G. Bayão e Letícia Mey
Elenco: Chay Suede, Gabriel Leone, Malu Rodrigues, Bruno de Lucca, entre outros
Origem: Brasil
Ano: 2019


Cazuza : O Tempo Não Pára (2004), 2 Filhos de Francisco (2005), Gonzaga: De Pai Para Filho (2012), Tim Maia (2014), Elis (2016). Todos títulos de biografias de sucesso nas bilheterias brasileiras, entre muitos outros não citados aqui, o que evidencia como este gênero tem se aprimorado e incentivado o estabelecimento de uma identidade para o cinema nacional. E agora mais um título pode ser acrescentado à essa lista: Minha Fama de Mau, longa-metragem dirigido por Lui Farias (Os Porralokinhas). 

Baseado no livro homônimo de Erasmo Carlos, o filme narra a vida e carreira do cantor, que aqui é interpretado por Chay Suede (O Banquete). Assistimos sua ascensão enquanto jovem, amante do rock and roll e fã de Elvis Presley e Bill Halley. De origem humilde, ele persegue o sonho de se tornar um artista. Nessa procura, conhece pessoas influentes que o ajudam a ascender, como Roberto Carlos (Gabriel Leone), com quem formou uma grande amizade.

A adição de imagens reais de arquivo à ficção colabora para criar um tom também documental ao longa. Ressalta-se também a inclusão de elementos característicos dos quadrinhos, o que proporcionou um caráter jovial à história retratada. Além disso, mostrou ser uma boa técnica para apresentar os personagens - Erasmo e seus amigos (entre eles Tim Maia), como jovens bons, mas também malandros com um leve "quê" de “anti heróis”. 

Foto: Downtown Filmes

Destaque também para a direção de arte e figurino. A combinação foi bem sucedida ao reproduzir as tendências da época e construir um cenário espirituoso e jovem, marca da Jovem Guarda. As cores verde e vermelha foram bastante evidenciadas. Uma interpretação possível é o verde como significado de inocência, humildade e esperança do cantor, já que a cor está presente nas paredes da casa onde ele morava até alcançar o sucesso. Já a cor vermelha pode simbolizar a paixão, o êxito, a fama. Ela está no caderno onde ele escrevia suas canções. As duas cores entrelaçam-se ao longo do filme em vários momentos. 

Outro ponto positivo a se destacar é a quebra da quarta parede, com um Erasmo que dialoga diretamente com a gente, também responsável por contar sua própria história. Somam-se a esses traços um trio de atores queridinhos do Brasil: o já citado Chay Suede, Gabriel Leone (Piedade) e Malu Rodrigues (Confissões de Adolescente). Eles inclusive cantam na obra, mostrando o cuidado com o valor de produção de um longa nacional de qualidade.

Também é interessante salientar que Minha Fama de Mau permeia uma questão cultural bastante pertinente à época. A Jovem Guarda foi duramente criticada e julgada por muitos como alienante/alienada e um enlatado dos Estados Unidos. O movimento foi antagonizado pela Bossa Nova e Tropicália, que assumiram uma postura militante em relação à Ditadura Militar. Esta é uma discussão que se sustenta até os dias atuais e suscita um importante debate. Proponho então a seguinte reflexão neste desfecho: Existe música boa ou ruim? Algum estilo musical é superior a outro? 

Foto: Downtown Filmes


Ótimo

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