CRÍTICA | O Fotógrafo de Mauthausen

Direção: Mar Targarona
Roteiro: Roger Danès e Alfred Pérez Fargas
Elenco: Mario Casas, Richard van Weyden, Alain Hernández, entre outros
Origem: Espanha
Ano: 2018


O retrato da Segunda Guerra, do nazismo, bem como suas consequências, já rendeu grandes obras para o cinema mundial ao longo dos anos. Bons exemplos são A Lista de Schindler (1993), O Menino do Pijama Listrado (2008) e Bastardos Inglórios (2009), este último menos fiel aos acontecimentos históricos, é bom dizer. Um dos episódios mais tristes, violentos e vergonhosos da história da humanidade, o holocausto é lembrado até hoje e nunca deverá ser esquecido. Prova disso é um dos recentes lançamentos da Netflix, um longa-metragem espanhol, dirigido pela cineasta e atriz Mar Targarona (Secuestro)

O Fotógrafo de Mauthausen (El Fotógrafo de Mauthausen) conta a história real do ex-soldado catalão Francesc Boix (Mario Casas), que, após lutar na Guerra Civil Espanhola, se vê preso em um dos maiores campos de concentração do regime nazista, Mauthausen. Para sobreviver, Boix utiliza um de seus talentos, tornando-se o fotógrafo do diretor do campo. Porém, tudo muda quando a Alemanha perde seu poder sobre Stalingrado e a derrota dos alemães se torna uma possibilidade, dando ao fotógrafo o poder de salvar os registros dos horrores praticados no local e punir os culpados.

Antes de analisar a obra em si, é preciso destacar alguns fatos. O campo de concentração de Mauthausen, na Áustria, foi um dos maiores sobre o controle do regime nazista na Segunda Guerra e também um dos mais violentos, com a presença das “Escadas da Morte”. Destinado apenas a pessoas com maior bagagem cultural, maior grau e instrução e, principalmente, grandes inimigos do Reich, o campo se diferenciava dos demais que recebiam todo tipo minoria. Além disso, Mauthausen tinha como foco o trabalho escravo em pedreiras, fornecendo mão-de-obra para os diversos negócios ao redor das instalações.

Foto: Netflix

Partindo de uma premissa tão densa, era de se esperar que a obra entregasse conflitos de carga emocional elevada, especialmente se levarmos em conta sua classificação etária de 18 anos, que permite certo grau de violência em tela. Infelizmente, para quem assiste, nenhum desses elementos soube ser bem explorado pela narrativa. Com ritmo lento e poucos momentos de tensão, O Fotógrafo de Mauthausen se mostra um filme medíocre em grande parte, reservando toda a sua emoção para os 40 minutos finais da obra. 

Outro ponto negativo é a ausência de bagagem histórica aos personagens. Evidentemente, quando ouvimos falar do holocausto, lembramos automaticamente do genocídio judeu, porém, é importante ressaltar que diversas outras minorias passaram pelo mesmo, como ciganos, homossexuais, lésbicas, criminosos, deficientes e, claro, imigrantes, como é o caso do protagonista. O roteiro teve a chance perfeita de abordar tais temas, mas optou por não fazê-lo, limitando-se apenas a menções no primeiro ato, sem qualquer desenvolvimento.

O baixo orçamento do filme também fica evidente em algumas cenas, e, apesar de seus defeitos, o longa ainda merece algum crédito. Mesmo que não retrate o contexto histórico com a riqueza que o espectador normalmente espera, O Fotógrafo de Mauthausen consegue trazer uma visão singular de um acontecimento tenebroso. E todo e qualquer novo ângulo dos acontecimentos, sob o ponto de vista histórico, merece nossa atenção.

Foto: Netflix


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