[crítica] O Hobbit: Uma Jornada Inesperada

Diretor: Peter Jackson
Elenco: Martin Freeman, Ian McKellen, Richard Armitage, Andy Serkis, Hugo 
Weaving, Cate Blanchett, Elijah Wood, Ian Holm, Christopher Lee.
Ano: 2012

Lá e de volta outra vez, Terra Média. Nove anos se passaram desde o último filme da saga O Senhor dos Anéis, e se de lá, até aqui, muita coisa mudou no Cinema em razão das inovações digitais criadas pela Weta Digital. Para os fãs, o prazer de retornar ao mundo criado por J.R.R.Tolkien vem acompanhado do imenso carinho com o qual Peter Jackson trata a franquia. Dessa vez, o diretor resolve trazer ao público uma nova tecnologia, uma projeção como nunca vista. Os tão falados 48 quadros por segundo são de cair o queixo, tamanha a definição de imagem encontrada em tela (a nitidez alcançada na profundidade de campo é incrível), e promete ditar o rumo da indústria novamente, ainda que não maquie as falhas existentes na obra. Se isso vai acontecer, só o tempo dirá. O fato é que aqui funciona, e como funciona.

Na trama, retomamos a história do jovem Bilbo Bolseiro (Martin Freeman), que é “convidado” pelo mago Gandalf, o Cinzento (Ian McKellen) a integrar uma comitiva formada por 13 anões, entre eles Thorin, Escudo de Carvalho (Richard Armitage), que buscam retomar seu tesouro guardado na Montanha Solitária, outrora tomada pelo terrível dragão Smaug.

O roteiro escrito pelo quarteto composto por Philippa Boyens, Peter Jackson, Guillermo del Toro e Fran Walsh, a todo o momento busca relacionar a trama de O Hobbit com a trilogia do anel, e não podia ser diferente. As formas escolhidas para que essa relação funcione em tela foram muito interessantes, cito especialmente a introdução no Condado, onde vemos Frodo (Elijah Wood) e Bilbo (Ian Holm) conversando pouco antes dos momentos que iniciam A Sociedade do Anel. Em outro bom momento, Galadriel (Cate Blanchett) surge em Valfenda, rendendo algumas cenas de grande apelo com Gandalf e que nos levariam novamente ao filme de abertura da clássica trilogia.

Outro fator que também faz despertar a nostalgia guardada nos fãs é a excelente trilha de Howard Shore (O Aviador), que novamente acerta, trazendo alguns temas já conhecidos (o do Condado, quando ouvido pela primeira vez, trouxe um inevitável sorriso ao meu rosto) e criando novos, como o composto para a comitiva dos anões. O departamento de arte, figurino, maquiagem e fotografia, seguem a tradição da franquia, sendo não menos que geniais. Na mesma linha de destaque está o elenco. Seja no retorno dos antigos interpretes, como McKellen, Blanchett e Andy Serkis (que rouba a cena novamente como Gollum/Smeagol) ou mesmo na escolha dos novos personagens. Freeman está muito bem como Bilbo, ainda que tenha tido pouco destaque em tela, especialmente se levarmos em conta que ele é o personagem título da obra. Já Armitage confere grande heroísmo e nobreza ao príncipe anão Thorin.

É importante ressaltar, no entanto, que O Hobbit não foi feito apenas de acertos. A longa duração do longa-metragem, por exemplo, é um problema. Algumas cenas (em particular as do mago Radagast, o Castanho) poderiam ter sido facilmente limadas na sala de edição, conferindo melhor ritmo e fluidez para a narrativa. É perceptível que Peter Jackson preocupou-se com a fidelidade ao material de Tolkien, porém, como adaptação, o filme falha nesse sentido. Assim como falha ao conferir pouquíssima personalidade aos anões. A caracterização da comitiva está excelente, mas pouco ficamos sabendo a respeito da história de grande parte deles. E se por um lado os efeitos digitais da Weta Digital continuam excelentes, por outro, em razão da extrema definição de imagem dos 48 quadros por segundo, os mesmos pareceram levemente inorgânicos, tamanha a sensação de realidade vista em tela. O que gerou, ao menos a mim, certa estranheza.
 
A sensação que fica é a de que o retorno à Terra Média continua sendo muito prazeroso, em grande parte pelo fabuloso mundo criado por Tolkien e a paixão de Peter Jackson e sua equipe pelo material original. Percebendo, ainda assim, que a obra tinha potencial para mais, com menos (minutos em tela, principalmente). No fim, O Hobbit é uma grande experiência, especialmente pela inovação tecnológica, mas que foi levemente ofuscada pelo lado comercial dos estúdios, que entenderam que a história de um único livro, deveria render 3 filmes. Agora é aguardar até o final de 2013 para continuarmos a inesperada jornada.

Ótimo

Comentários

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