Top 5: Clint Eastwood na Direção


Clint Eastwood, aos 83 anos, é uma lenda viva da indústria cinematográfica. A partir de seu estrondoso sucesso com a trilogia dos dólares de Sergio Leone (Por um Punhado de Dólares, Por uns Dólares a Mais e Três Homens em Conflito), de 1964 a 1966, demorou alguns anos para conseguir se desprender do estilo que o consagrou, o western. Justamente em 1971, quando assumiu o papel de Dirty Harry em O Perseguidor Implacável, foi que o ator assumiu a direção pela primeira vez com a obra Perversa Paixão (Play Misty For Me), também protagonizada pelo mesmo. De lá pra cá, Clint vem se mostrando cada vez mais versátil, já tendo trabalhado produzindo e até mesmo compondo a trilha sonora de algumas de suas obras.

Se, como ator, Eastwood nunca demonstrou grande versatilidade (apesar de sempre exercer muito bem seus papéis em suas propostas), na direção ele se destacou de forma realmente admirável, podendo ser colocado como um dos grandes diretores da atualidade. Nesse Top 5, listo os filmes que, acredito, sejam os melhores de Clint na função. Concordam? Discordam? Dê a sua opinião na aba de comentários.



Gran Torino (2008)
Projetado para ser o último filme da carreira de Clint como ator (algo que acabou caindo por terra quando o mesmo protagonizou Curvas da Vida em 2012), Gran Torino teria sido a despedida perfeita.  Walt Kowalski, o protagonista, é a síntese do que foram a grande maioria dos personagens brucutus encarnados por Eastwood ao longo dos anos. Bravo, ranzinza e preconceituoso, Kowalski é um dinossauro que vive no mundo moderno, preocupando-se apenas com sua residência, seu jardim e seu Gran Torino na garagem. Quando alguns baderneiros perturbam sua "paz", ele acaba vivenciando uma das maiores experiências de sua vida, com uma improvável relação de amizade com seu jovem vizinho asiático (raça que ele antes abominava, por ter servido na guerra da Coréia).



Menina de Ouro (Million Dollar Baby, 2004)
O filme que rendeu a Hilary Swank o seu segundo, e merecido, Oscar de melhor atriz (o primeiro foi por Meninos Não Choram em 1999), também premiou Clint como melhor diretor daquele ano. Pode ser considerado o Rocky de saias, ainda que sua mensagem seja completamente oposta ao furor de empolgação da obra protagonizada por Stallone. Na trama, Maggie (Swank) é uma boxeadora amadora que tem o sonho de se profissionalizar e vencer na vida. Para isso, ela precisa convencer o veterano e vencedor Frankie Dunn (Eastwood) a treiná-la, algo que o mesmo repudia, por não se enxergar como treinador de mulheres. Uma obra poderosa em sua mensagem, surpreendente em sua trajetória e que, não à toa, venceu o Oscar de melhor filme daquele ano.


 
As Pontes de Madison (The Bridges of Madison County, 1995)
Diferente de tudo que Clint já havia dirigido ou protagonizado até então, As Pontes de Madison é um dos romances mais marcantes que o Cinema já produziu. A paixão avassaladora entre um fotógrafo (Eastwood) e uma italiana (Meryl Streep), mãe de família, ultrapassa qualquer tipo de julgamento que a trama possa propor. E se você conhece o amor da sua vida somente após já ter casado e constituído família com outra pessoa? Esse é o principal questionamento que o filme traz. Streep está maravilhosa em seu papel, ao passo que Eastwood constrói, possivelmente, sua melhor interpretação da carreira, fugindo de qualquer estereótipo que a fama possa ter atrelado a ele mesmo como ator.



Sobre Meninos e Lobos (Mystic River, 2003)
A primeira obra da lista a não ter Eastwood como protagonista, por pouco não ficou na primeira posição, tamanho meu apreço por esse filme. Três garotos de uma cidadezinha americana, muito amigos, veem suas vidas tomarem rumos completamente opostos após um acontecimento traumático durante a infância. Muitos anos mais tarde, já adultos, suas vidas voltam a se cruzar por conta de um brutal assassinato de uma jovem garota. O trio protagonizado por Sean Penn, Kevin Bacon e Tim Robbins está incrível em seus respectivos papéis (Penn e Robbins venceram o Oscar daquele ano, melhor ator e melhor ator coadjuvante respectivamente), assim como todo o elenco de apoio. Clint, por sua vez, imprime um ritmo primoroso na direção, envolvendo os espectadores em seu suspense. Um filme indispensável e de momentos memoráveis, como o da imagem acima.



Os Imperdoáveis (Unforgiven, 1992)
Ironicamente foi em um western que Clint Eastwood foi premiado com o seu primeiro Oscar de melhor diretor. Os Imperdoáveis, no entanto, foge a regra do típico faroeste ao acompanhar um  protagonista cansado, aposentado, arrependido dos pecados cometidos no passado, mas que precisa cometer um último ato de sua trajetória para poder alimentar seus filhos. Na trama, o matador Bill Munny (Eastwood) aceita o serviço de matar os homens responsáveis por retalhar o rosto de uma prostituta. Para isso, o mesmo se alia a um velho parceiro (Morgan Freeman), mas terá que enfrentar também o rígido xerife Little Bill (Gene Hackman), que dificultará seu caminho. Uma obra-prima do gênero, de uma fotografia exuberante e interpretações marcantes. Além do Oscar de melhor direção para Eastwood, rendeu também os prêmios de melhor filme e melhor ator coadjuvante para Hackman. Todos absolutamente merecidos. Se ainda não assistiu, não perca mais tempo, goste você de western ou não.

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