Breaking Bad - S05E12 - Rabid Dog


[spoiler alert]
O que parecia impossível nessa reta final de Breaking Bad infelizmente aconteceu. Após o explosivo "Confessions" da semana passada, que deixou a todos insanos, tal como um viciado em metanfetamina aguardando pelo próximo domingo, esse S05E12 decepcionou em parte, não por ser um episódio ruim (o alto nível da série dificilmente permite isso), mas por entregar soluções simplórias e, em parte, "forçadas", para dilemas que muito prometiam. A trama, no entanto, seguiu em frente e isso é muito importante.

Não me agradou a forma como o episódio retratou o fato de Jesse ter desistido de incendiar a casa de Walt. Me pareceu muito sem sentido que, em meio a sua explosão de raiva, ele tenha aberto mão do ato. Claro, foi divertido ver Mr. White todo atabalhoado invadindo a casa e tentando enganar Skyler e Flynn, mas a revelação de que Hank estava seguindo Pinkman durante todo o tempo (algo que a série em momento algum deu pista) foi uma solução pobre de roteiro que, infelizmente, viria a se repetir mais adiante. Aliás, o fato de Jesse ter mudado de lado tão facilmente me soou novamente como uma jogada de manipulação, dessa vez do policial para com o "garoto". Triste e redundante destino.

A mentira contada por Walt e a eventual mudança da família para um hotel acabou servindo para a série novamente brincar com suas referências e auto-referências. Se logo de início já havíamos visto o químico guardando a pistola na cueca (algo que havia acontecido no 1º capítulo), foi divertido reparar que em seu diálogo com Skyler, o mesmo serve um drink a si próprio, à base de Coca-Cola (ninguém quer viver em um mundo sem Coca-Cola, não é mesmo?). O mais bacana, porém, ficou a cargo de Saul, que vestido praticamente igual a Tony Montana, preocupava-se se seu rosto machucado renderia uma cicatriz, numa óbvia referência ao clássico Scarface (a referência ao filme é costumeira em BrBa, diga-se de passagem).













Voltando ao diálogo com Skyler, foi assustador perceber a loira sugerir o assassinato de Jesse, o que mostra que a mesma aceitou o fato de estar completamente mergulhada no tenebroso mundo criado por seu marido, ainda que isso não signifique que os dois estejam de fato unidos. O amor visto nas primeiras temporadas já não existe mais ali, e o cenário deixa isso claro ao separar os dois em tela pelo lençol da cama, quase que como uma linha divisória de "não ultrapasse". O oposto pode ser observado em Hank e Marie em um bonito enquadramento que mostra o policial tentando tirar sua esposa de casa. Ambos aparecem espremidos por duas paredes em tela, refletindo a situação tensa que vivem, encurralados. Hank, porém, é colocado próximo da parede roxa e carregando as malas de mesma cor, simbolizando que o mesmo nunca esteve tão vinculado a Marie como agora, mesmo que a situação seja obscura para ambos (retratada em imagem pelo figurino escuro da mulher).














E se o monótono e interminável diálogo de Marie com seu psiquiatra poderia ter sido facilmente limado desse Rabid Dog, o mesmo não pode-se dizer da cena da piscina, em que Walter e seu filho protagonizaram um raro momento de ternura à esse ponto da trama, que rapidamente me remeteu ao abraço de Walt e Jesse no episódio passado (e agora fico em dúvida se aquela demonstração de carinho à Pinkman foi, de fato, uma jogada ou não). Esse momento, aliás, chamou-me a atenção por destacar a cor azul da piscina reluzindo no breu da noite. Durante todo o capítulo, a fotografia destacou a cor azul, numa tonalidade semelhante ao da droga produzida por Heinsenberg (crystal blue). Primeiro nas luvas de Walter limpando o tapete, depois na piscina e, por fim, na emboscada a Walt no centro de Albuquerque, onde diversos objetos de cena remetiam a essa coloração. O significado que encontro para tal simbologia é a constante lembrança do que os trouxe à toda aquela situação. A droga não tem estado mais presente na trama, mas não pode ser esquecida.













Encerrando a review, que já está extensa, a fatídica cena final. Já citei a forma pouco crível que Jesse passou para o lado de Hank mas, tão absurdo quanto, foi o momento em que o mesmo se "assustou" com o homem que o observava. Oras, o que levou Pinkman a crer que o homem mal-encarado estava ali para proteger Walt? Ok, não dá pra confiar em Heinsenberg. No entanto, a cena seguinte, que mostra o "capanga" abraçando a filhinha que corria para seus braços foi um clichê daqueles, no pior e mais brega sentido da palavra. Algo que não costumamos ver no roteiro de BrBa, é bom dizer, mas que infelizmente ocorreu aqui.

Me pergunto o que Jesse quis dizer ao falar que irá acertar Walt onde ele realmente vive. E, claro, estou curioso para descobrir o plano que sua mente perturbada bolou. Tudo pode acontecer agora, até mesmo Walter encomendar a morte de seu antigo e, até ali, leal parceiro. Todd is back.... Todd is back.

Até semana que vem, espero, com grandes emoções.



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Comentários

  1. Também achei a mudança de lado de Jesse pouco crível, afinal ele odiava o Hank depois daquela surra e tantas outras coisas que aconteceram ao longo da série. Além disso, o Jesse apesar de meio perdido, sempre teve seu lado bandido, se juntar ao Hank era a decisão menos óbvia para resolver seu problema com Walter.
    Acho que quando o Jesse diz que vai acertá-lo o objetivo é acertar a família, afinal esse foi o principal argumento para entrar no mundo das drogas, mesmo porque com o dinheiro ele não conseguiria.
    Continuo na esperança de um Excelente final.
    Abs,
    Fabiana

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    Respostas
    1. Será que ele vai atacar a família do Walt? É possível.
      Se ele realmente fizer isso aí tudo estará perdido de vez, não tem volta.

      Ansioso para o próximo episódio.

      Abç!

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