CRÍTICA | Cano Serrado


Direção: Erik de Castro
Roteiro: Erik de Castro
Elenco: Rubens Caribe, Paulo Miklos, Jonathan Haagensen, Milhem Cortaz, Fernando Eiras, entre outros
Origem: Brasil
Ano: 2018


É interessante constatar como aos poucos o cinema brasileiro está produzindo filmes de gênero. Recentemente vimos produções de terror, como O Rastro e O Animal Cordial, e agora nos deparamos com Cano Serrado, que é uma espécie de faroeste nacional. Trata-se do novo longa-metragem do diretor Erik de Castro (Federal), cujas premissas são a lei do mais forte e a justiça com as próprias mãos.

O sargento Sebastião (Rubens Caribé) se depara com o irmão, um caminhoneiro, assassinado após um tiro no rosto na beira da estrada. Ele promete fazer o que puder para vingar a morte do parente, nem que seja acabando com todos os que encontrar pela frente. Surpreendentemente levando muito a sério o seu propósito.

Os dois policiais da região, Luca (Jonathan Haagensen) e Manuel (Paulo Miklos), partem para um retiro religioso, mas acabam atacados por uma milícia. Manuel morre na hora e Luca consegue fugir, mas acaba ferido gravemente. Apesar da ferida e de ter perdido muito sangue, o policial resiste bravamente, mesmo sendo submetido a diversas torturas. Após o desaparecimento dos dois oficiais, seus colegas de trabalho partem em uma busca, é quando entram em cena o delegado Marcos (Fernando Eiras) e seus auxiliares, a perita Sílvia (Sílvia Lourenço) e o agente Rico (Milhem Cortaz).

Foto: BSB Cinema Produções

O enredo investe num sério embate entre a Polícia e o Exército, com violência desmedida e um grande confronto mais adiante, onde vemos quem dará o primeiro disparo para acabar com o duelo. Apesar dos elementos típicos do gênero, as intervenções são exageras e beiram o ridículo. As palavras do soldado Sebastião, sobre honrar a farda e derramar sangue a todo custo não soam verdadeiras, e ao proferir palavrões, nota-se uma tentativa frustrada de trazer verossimilhança ao fraco roteiro. Os personagens tão pouco são desenvolvidos, embora os atores tenham potencial para oferecerem algo mais convincentes, principalmente Milhem Cortaz (O Lobo Atrás da Porta).

O uso excessivo de tomadas aéreas, mesmo quando a narrativa não pede tal recurso, evidencia a falta de preparo da direção, que parece utilizar da tecnologia apenas porque pode, e não porque o filme necessita. O excesso de cortes nos momentos de ação também prejudicam o entendimento da geografia das cenas. Além disso, a trilha sonora, que insiste na temática rock, parece deslocada do gênero entregue pela obra. Em resumo, tudo parece mecanizado e formulaico demais, faltando dinamismo para que o espectador se envolva com a narrativa.

Se Cano Serrado se propôs a fazer um debate sobre o uso desmedido e covarde da violência em uma sociedade cada vez mais dividida, o resultado não foi tão bem sucedido. Nota-se ao longo dos 87 minutos de projeção o foco no entretenimento, voltando a atenção do público para o espetáculo da violência, tornando-a instrumento do combate à corrupção e à injustiça. Mas este sou eu tentando enxergar a proposta com bons olhos.

Foto: BSB Cinema Produções


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