CRÍTICA | O Hobbit: A Desolação de Smaug

Direção: Peter Jackson
Roteiro: Peter Jackson, Fran Walsh, Philippa Boyens e Guillermo del Toro
Elenco: Martin Freeman, Ian McKellen, Richard Armitage, Orlando Bloom, Evangeline Lilly, Luke Evans, Benedict Cumberbatch, entre outros
Origem: EUA / Nova Zelândia
Ano: 2013


Quando O Senhor dos Anéis: As Duas Torres (The Lord of the Rings: The Two Towers, 2002) foi lançado, anos atrás, recebeu algumas críticas negativas de profissionais que alegavam que a obra tinha problemas de construção de narrativa, que sofria por não ter um final, uma conclusão propriamente dita. Levando-se em conta que se tratava de um capítulo intermediário de uma já anunciada trilogia, isso já era de se esperar, mas, remando contra a maré, sou um dos que acreditam que não houve problema algum, satisfeito com a construção dos 3 atos daquele filme. Em uma comparação direta, infelizmente não posso dizer o mesmo de O Hobbit: A Desolação de Smaug (The Hobbit: The Desolation of Smaug).

Na trama, Bilbo Bolseiro (Martin Freeman), Gandalf (Ian McKellen), Thorin (Richard Armitage) e os 12 anões, continuam sua jornada rumo ao tesouro tomado pelo dragão Smaug (voz de Benedict Cumberbatch). Para chegar a seu destino, a comitiva precisa passa por diversos obstáculos e civilizações de raças diferentes, que prometem mudar o rumo da Terra Média.

Logo em sua sinopse A Desolação de Smaug evidencia um de seus principais problemas, a falta de uma narrativa autossustentável, que funcione como obra individual. A história simplesmente dá continuidade àquilo que havia iniciado anteriormente, mas sem eventos ou conflitos que justifiquem um filme inteiro para si (exceto pelo 3º ato). Fica clara a necessidade de estender a trama para que se atinja o objetivo de entregar 3 longa-metragem ao estúdio, e assim aumentar os lucros da franquia, algo que eu já havia comentado na crítica de Uma Jornada Inesperada.

No que diz respeito à fotografia, cenários, figurinos e direção de arte, a produção continua impecável, o que já era de se esperar, diferente da decepcionante trilha de Howard Shore, que dessa vez não conseguiu criar nenhum tema emblemático para a saga, prejudicado ainda pela errônea decisão de Peter Jackson (King Kong) em manter diversas cenas da obra sem qualquer trilha, utilizando apenas de som diegético. Tal escolha acaba por quebrar o clima fantasioso necessário para que o longa funcione. Além disso, os 48 frames por segundo (ainda que imensamente belos em definição de imagem) já não causam espanto como anteriormente, fazendo com que o frescor da novidade se dissipe.

Os efeitos digitais, como sempre, também estão muito bem feitos, especialmente o dragão Smaug, que se mostra uma figura imponente, gigantesca e amedrontadora. Uma pena que Jackson novamente se exceda em suas escolhas, prolongando as cenas da criatura além do devido, tornando o que deveriam ser diálogos interessantíssimos em algo enfadonho. E se muitos aguardavam para conferir o trabalho de dublagem de Benedict Cumberbatch (Além da Escuridão – Star Trek), que tem uma voz peculiar e marcante, cuidado, vocês podem se decepcionar. A voz do ator foi modificada digitalmente, descaracterizando-a quase que completamente e, assim, perdendo a identidade. É algo como tirar a voz de Kiefer Sutherland de Jack Bauer, na série 24 Horas. Simplesmente não se faz.

Mas nem só de erros vive A Desolação de Smaug. Há momentos realmente empolgantes e nostálgicos, como o retorno de Orlando Bloom (Tudo Acontece em Elizabethtown) no papel de Legolas e a introdução de Evangeline Lilly (Gigantes de Aço) como a elfa Tauriel. Seus personagens vivem o auge da rixa entre elfos e anões, proporcionando uma interessante (ainda que “forçada”) relação à lá Romeu e Julieta, em outra subtrama criada para render história. E se Richard Armitage (Capitão América: O Primeiro Vingador) e Ian McKellen (X-Men) perdem espaço na trama como Thorin e Gandalf, respectivamente, foi muito bom ver Martin Freeman (Simplesmente Amor) finalmente brilhar com seu Bilbo Bolseiro. O personagem rende os melhores momentos da obra, com seus trejeitos e manias divertidíssimas (reparem nos movimentos e sinais que o ator faz com as mãos, sempre muito bons).

Encerrando o capítulo de maneira anticlimática e, até certo ponto, apelativa, O Hobbit: A Desolação de Smaug tenta com todas as forças nos manter interessados para o iminente terceiro filme, que virá já em dezembro do próximo ano. Outra atitude falha, que já vem sendo refletida na bilheteria, menor que o filme original. Claro que os fãs fiéis da obra de Tolkien devem estar radiantes, não irão concordar com essa opinião e eu os entendo. Eu apenas esperava mais de Peter Jackson. Muito mais.

Regular

Comentários

  1. Assisti o O Hobbit- A desolação de Smag é sai decepcionada do cinema. O primeiro filme da trilogia( eu simplesmente detesto a ideia de trilogia, mas Peter Jackson o fez). Mesmo se distanciando da narrativa do livro é mais atraente e até com falhas no roteiro. As canções dos anões que Jackson deixou de lado em O senhor do anéis e resolveu trazer no Hobbit são apagadas na Desolação de Smaug. Concordo com os cenários magníficos, cheios de detalhes, figurinos incríveis. Mas, minha decepção maior foi mesmo a falta de uma trilha sonora a altura da obra de Tolkien. Sem contar o diálogos soltos no filme, a forma nitidamente forçada de lincar o filme com o Senhor do Anéis, ah nem vou comentar a aparição do Azog. Já esperava um distanciamento da história original, mas o que saiu no cinema nada mais é do que o ego e ganancia de Thorin, escudo de carvalho para com o ouro de seu povo. Transformado é claro na sede de bilheterias dos produtores.

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