Mad Men 7x03 | Field Trip


Antes de falar sobre o episódio dessa semana de Mad Men, gostaria de ressaltar algo que me fascina a cada minuto assistindo a série: a fotografia e o design de produção. Sabemos que 80% das cenas são filmadas em estúdio, restando poucas externas. Perceber o ambiente que a produção consegue criar a cada take é realmente impressionante. O que dizer então dos figurinos de época? É redundante, eu sei, mas é impossível não destacar.

Um ótimo exemplo do que citei acima é Betty Draper (agora Betty Francis), que em muito me lembra as musas loiras dos filmes de Hitchcock, fumando seu cigarro elegantemente com seus típicos óculos escuros. Foi ótimo ver a personagem de volta, ratificando o trabalho fantástico da atriz January Jones, que vive Betty de forma única. Em poucos minutos vemos a essência da personagem em tela. É notório o esforço da mesma em ser uma boa mãe (a cena em que toma o leite de vaca direto do balde mostra bem isso), mas é igualmente perceptível que sua natureza vem à tona de forma inevitável (o comentário do decote da moça para seu filho pequeno ou a bronca pelo sanduíche trocado).

Betty continua a dissimulada de sempre, porém, como todo personagem de Mad Men, ela também evolui com a história.


"Story Matters Here", esse é o slogan do canal AMC. E talvez a série dos "Homens Loucos" seja a melhor prova de que a frase faz jus ao que o canal apresenta, assim como fora também Breaking Bad. Enquanto na maioria dos seriados vemos todos os conflitos apresentados no season finale passado sendo resolvidos no season premiere atual, em Mad Men, assistimos o desenrolar do afastamento de Don por 3 episódios, até finalmente vê-lo retornar a agência. Essa decisão de roteiro serviu pra desenvolver ainda mais cada um dos personagens e suas ações daqui pra frente, bem como os destinos que enfrentarão por suas escolhas.

Draper parece pagar um preço caro por suas mentiras. Esconder seu afastamento de Megan pode ter lhe custado o 2º casamento, mas não por essa calúnia em si, e sim por tantas outras que o personagem já contou ao longo de 7 anos. A nova Sra. Draper não é estúpida, e foi triste vê-la sofrendo ao falar ao telefone com o marido. Já Don, por outro lado, corre contra o tempo para ter sua antiga vida de volta e, com isso, também tentar concertar sua relação com a esposa.

Todas as cenas com Don na agência foram extremamente bem conduzidas pela direção. Ficamos desconfortáveis junto com o protagonista a todo momento, percebendo simultaneamente o desconforto de todos a sua volta. Fiquei feliz por Roger ter sido leal ao amigo, sua postura ao fim da temporada passada havia sido decepcionante, ainda que inevitável. Não esperava que Peggy e Joan reagissem da forma que reagiram (a segunda merecia um Oscar pela simpatia com que recepcionou o ex-chefe para depois pedir sua cabeça perante os sócios).

Enfim, tudo nos levou ao retorno de Don Draper à Sterling Cooper & Partners, a reunião final e suas várias condições. A câmera foca no protagonista e se aproxima lentamente. Observamos seu misto de olhares e emoções (e entendemos o que se passa em sua cabeça, pois a série permite isso), mas sem saber o que vai sair de sua boca. Então o "Ok", um sorriso cerrado e um olhar maroto. Fim de episódio. Música. Como Mad Men é fantástica.

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