O Espetacular Homem-Aranha 2


Em tempos em que super-heróis parecem ser muito mais super e menos herói, chega a ser um alívio sair desse longa e reparar o quão esta jornada foi significativa para o personagem e para espectador. 

Não é à toa que o cabeça de teia seja o herói mais carismático dentre sua tão vasta classe. Ele é a representação de todo sonho nerd, aqueles mais puristas podem até torcer o nariz para este novo Peter e, de fato, no primeiro filme isso foi explorado de forma que todo o apelo do aranha fosse jogado no lixo. 

Mas em A Ameaça de Electro é inegável que esta nova identidade criada para atualizar o personagem funciona. Agora, se o Peter mudou, o Homem-Aranha consegue ser aquilo que todos cobravam nos filmes do Sam Raimi, um “piadista”. 

E não deixa de ser uma surpresa ver o quão orgânica ficaram as partes cômicas do longa, nunca soando forçadas e em momentos impróprios (o que poderia ser mostrado para os colegas responsáveis pela Marvel/Vingadores), algo natural, já que a base do personagem é um adolescente que, por acaso, tem poderes e se diverte com isso, o que, de novo, traz uma identificação que poucos, ou quase nenhum, outro herói tem com o seu público.

No entanto, mais que piadas e alívios cômicos, o filme se compromete a pegar todas as pontas soltas do seu antecessor e arrumar aquilo que não havia funcionado, transformando-o em algo significante. 

A cena inicial, por exemplo, é especialmente tocante e, se no primeiro você pouco se importava com os pais de Peter, após esta cena elas ganham um peso que consegue segurar essa importância até o final. Porém, da mesma forma que eles ganham espaço, os roteiristas tem um especial cuidado com a Tia May. Inclusive, um dos seus diálogos soa quase como um pedido de desculpas pela forma como foi tratada pelo longa anterior. Aliás, muito da participação dela soa como o Alfred da trilogia Nolan. 


Outro fator que contribui para o êxito de O Espetacular Homem-Aranha 2 são os efeitos visuais. É notório o bem que fez a evolução tecnológica ao Homem-Aranha, desde o básico, que são seus movimentos, até a reconstrução de toda Times Square para uma sequência. O que chama mais a atenção é o bullet effect que, justiça seja feita, já vinha sido usado na trilogia anterior, mas que aqui ganha uma roupagem muito mais avançada, deixando o "sentido aranha" esteticamente incrível e criativo. 

As lutas são um tanto burocráticas, muitas vezes pensei estar vendo um jogo de video-game, no entanto, há momentos muito bons, como quando se é usado elementos do próprio cenário para incrementar a luta, vide o embate final no relógio. Os diálogos também, por vezes, são expositivo e preguiçosos, como toda a sequencia do encontro de Harry com seu pai, mas nada que estrague o filme. 

O ponto alto fica por conta dos personagens. Todos eles exercem um papel dramático importante para a vida de Peter/Spider, dando peso a sua jornada. Mesmo seus antagonistas, que demonstram a questão causa/efeito do que um herói representa e sua responsabilidade, ressuscitando a questão: vilões são combatido pelos heróis ou criado por eles? 

A parte destinada ao casal também funciona, mostrando que antes de ser um vigilante, Peter é um adolescente e tem de lidar com sua consciência (por conta dos acontecimentos do primeiro filme), além de ser afetado pelos mesmos dilemas que nós. E, como qualquer jovem, não tem maturidade, tampouco força para lidar com algumas escolhas.


[daqui em diante, caso não tenha visto o filme, aconselho a não ler, pois jogarei spoilers na sua cara] 

O que nos leva ao final da obra. Algo que se torna impactante e chocante, não por ser uma surpresa em si, mas por vivermos momentos de extremo medo de ousar e se propor a sair da zona de conforto, com a desculpa de ser um filme de super-herói. 

Mas como culpar Peter? Afinal, toda sua trajetória nos levava a crer que ele era indestrutível e, todos ao seu redor, por consequência, também eram. Por isso é tão duro quando a câmera para no rosto da Gwen, não nos respondendo ao chamado de seu nome, nos obrigando a ver nosso personagem falhando, sendo humano. 

Mais emocionante que isso é constatarmos sua volta por cima após o luto, mostrando que aquela máscara, dentre outras coisas, é um refúgio para suas inseguranças, ele ali não interpreta um herói divertido, mas um adolescente que se redescobre a cada experiência e cresce com elas, errando de novo e acertando de novo, criando justamente o contraponto para toda a caretice que cerca esse meio das adaptações de HQs hoje. 

Então, eu só tenho a agradecer ao teioso por me fazer reacreditar diante de tanto lixo trazido pelo mercado para ganhar um trocado a mais, que ainda há heróis aí fora dignos de vestir um uniforme e ser mais que um passatempo temporário e descartável. 

Afinal, com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades (final mais clichê impossível, mas não consegui resistir).

Comentários

  1. Legal... o filme é bem divertido, porém previsível.
    Que a Gwen ia morrer, eu já tinha sacado logo no discurso. Nesse ponto, eu não fui surpreendido. Agora, por não ser leitor dos quadrinhos, eu arregalei os olhos pela forma em que ela morreu.

    Pra mim, o longa pecou na ausência de cenas de ação. Todo contexto dramático é bem vindo, claro, mas se há algo que admiro do primeiro 'Amazing', são as cenas de ação. É uma melhor que a outra. Nesse, nem tanto...

    A caracterização do Harry como duende também é bem fraquinha. Ele está mais para um 'Orc' de 'O Senhor dos Anéis'.

    No geral, eu gostei. Talvez esteja ficando velho e não me empolgando ao sair do cinema quanto outrora. Sim, pode ser. Me diverti, nada mais.

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    Respostas
    1. Você sempre tem uma opinião embasada.
      Só acho q vc não entendeu o filme pq não lê as HQs...

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