CRÍTICA | Selma: Uma Luta Pela Igualdade

Diretora: Ava DuVernay
Roteiro: Paul Webb
Elenco: David Oyelowo, Carmen Ejogo, Tom Wilkinson, Tim Roth, Dylan Baker, Giovanni Ribisi, Oprah Winfrey, Martin Sheen
e Cuba Gooding Jr.
Origem: Estados Unidos/Reino Unido
Ano: 2014


Faltava ao Cinema uma obra que retratasse uma figura tão importante quanto a de Martin Luther King Jr., pastor e ativista político norte-americano que lutava pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. O que o tornava diferente de nomes como Malcolm X (ativista contemporâneo à King), por exemplo, era o fato de que sua luta fora baseada na não violência e no amor ao próximo, pregando a união das raças, acima de tudo. Por tal postura recebeu o Prêmio Nobel da Paz, em 1963.

Selma: Uma Luta Pela Igualdade (Selma), no entanto, está longe de ser uma cinebiografia convencional, pois foca sua atenção em um período específico da vida do ativista (aqui vivido por David Oyelowo), precisamente quando liderou um protesto pelo direito do voto à população negra na cidade de Selma, no Estado de Alabama, no ano de 1964, travando uma dura batalha com o Governador George Wallace (Tim Roth) e o então Presidente Lyndon B. Johnson (Tom Wilkinson), responsáveis por duras represálias à Luther King.

Ainda que eficiente em sua proposta e detalhista nos fatos que ocorreram naquele ano (a passagem de tempo é notada através de registros do FBI, que investigava cada passo do ativista e sua equipe), Selma sofre com uma narrativa lenta e erra, principalmente, por apostar num roteiro que pressupõe que todos que o assistem já conhecem a trajetória de Luther King e os fatos que o levaram até esse ponto específico da trama. Uma decisão que acaba limitando o público, pois apenas aqueles que conhecem esse período da história norte-americana poderão tirar total proveito do que o filme tem a oferecer como obra cinematográfica.

Com base nisso, acho sua indicação ao Oscar exagerada, visto que seria mais justo indicações em quesitos técnicos ou de elenco. Oyelowo (O Ano Mais Violento) faz um trabalho competente na composição do protagonista, assumindo a postura física de Luther King, bem como seu timbre de voz e o cuidado na pronuncia das palavras. Me parece que o ator também engordou alguns quilos para o papel, o que denota um cuidado especial para com sua interpretação, algo sempre admirável.

O trabalho de Oyelowo também é destacado pela direção da promissora Ava DuVernay (Middle of Nowhere), que constantemente filma o ator em ângulos que engrandecem a figura de Luther King - enquadramento de baixo para cima, de perfil e, principalmente, a câmera que acompanha seus passos perto a sua nuca - quase que literalmente endeusando-o em tela. E é justamente nas cenas dos discursos calorosos do ativista que a obra atinge seus melhores momentos.

Finalizando seu terceiro ato com uma bonita montagem que mescla elementos da ficção com imagens documentais da derradeira marcha na cidade, Selma mostra que poderia ser muito mais do que realmente é. Um pouco de didatismo às vezes é bem-vindo.

Durante os créditos somos apresentados a belíssima canção original "Glory", uma das favoritas ao Oscar desse ano. Pra quem não tem o costume de conferir os letreiros finais, vale a pena ficar mais um pouco na poltrona para ouvir.


Bom

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 Já havia publicado um trailer do filme no blog, para conferir clique AQUI

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