Mad Men 7x08 | Severance


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Termina a famosa abertura. Vemos uma linda mulher sorrindo, tímida, nervosa, vestindo um casaco de pele. No canto da sala, Don Draper fuma seu cigarro e a observa atentamente. Ele a comanda, pedindo para que brinque com o casaco, mostre a maciez de sua pele com sensualidade, acariciando-a. A câmera em close acompanha lentamente cada movimento da mulher, cada toque, cada olhar, cada sorriso. Uma música de época toma conta da cena e, como um passe de mágica, Mad Men está de volta.

Dois minutos. Foi o suficiente para eu perceber o quanto sentirei falta dessa fantástica série, que terá seu fim após essa segunda metade da sétima temporada, intitulada "The End of an Era". Será uma falta sentida com gosto, no entanto, por ter a certeza que o programa encerrará ainda em grande forma.

Através do exuberante bigode de Roger Starling, percebemos que se passou algum tempo desde o falecimento de Bert e a consolidação de Don na agência. Aliás, esse detalhe no visual do personagem diz muito sobre ele, sendo, de certa forma, um contraponto a Draper. Enquanto Roger se rende a modernidade, usando vastas costeletas, bigode e ternos extravagantes, vemos em Don o habitual conservadorismo, que permite apenas que uma singela e quase imperceptível costeleta cresça em seu rosto, ao passo que usa gravatas levemente mais claras do que o costume. Esse contraponto também pode ser notado através da decoração das salas de ambos, algo que sempre refletiu a personalidade de cada um deles.


O figurino e a direção de arte de Mad Men não são novidades para os fãs, mas é inevitável citá-los a cada retorno, pois sempre fazem meu queixo cair. As mulheres especialmente, com belos vestidos e penteados. O que nos traz a Joan e Peggy e a reunião sobre meia-calças.

Como de costume na série, que sempre contextualiza temas relevantes através da cultura norte-americana da época em que a trama se passa, vimos o machismo imperar em cada fala dos clientes para com as duas. Falas especialmente direcionadas a Joan, cuja beleza física sempre salta aos olhos dos personagens à frente de sua competência. Chega a ser irônico vê-la se ofender tanto com a questão, se lembrarmos que a mesma vendeu seu corpo por uma fatia da agência. Quando a vemos gastando desenfreadamente na compra de roupas, entendemos que é o tipo de sacrifício que ela esta disposta a correr, assim como percebemos que a agência anda rendendo muito aos sócios.

Peggy, por sua vez, continua tentando conciliar a vida profissional com sua vida amorosa, porém nem sempre é bem sucedida em ambas a jornadas. Se sua ambição as vezes atrapalha a sua bem sucedida carreira (e percebemos durante a discussão no elevador que ela, de certa maneira, inveja a posição de Joan na empresa), é curioso vermos como sua fragilidade emocional a prejudica em suas relações. Aliás, a diferença de postura da Peggy publicitária para a Peggy "de folga" é notória. Um grande trabalho de Elisabeth Moss, sem dúvida.


Por fim, voltando ao nosso protagonista, vemos o quão solitária tem sido a vida de Don, que para fugir do vazio que encontra diariamente ao chegar a seu apartamento, acaba se relacionando com diversas mulheres. Foi assim com a prostituta que poeticamente derramou uma taça de vinho em seu tapete, com a modelo que dormia em sua cama e, claro, com a garçonete que lhe é familiar a alguém.

Foi curioso os roteiristas terem trazido a presença de Rachel novamente às lembranças de Draper. Curioso e inteligente, pois traz um tom de fechamento de ciclo que condiz com o momento da série, visto que a personagem foi importantíssima na construção da personalidade de Don durante a primeira temporada. A perda de Rachel certamente influenciara as ações dele daqui em diante, visto que o mesmo nunca soube lidar bem com a perda de pessoas próximas.

Mad Men voltou em grande estilo. E não dá pra esperar menos que isso daqui até o fim.

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