CRÍTICA | Relatos Selvagens

Diretor: Damián Szifron
Roteiro: Damián Szifron
Elenco: Ricardo Darín, Leonardo Sbaraglia, Dario Grandinetti, Erica Rivas, Nancy Dupláa, Julieta Zylberberg
Origem: Argentina/Espanha
Ano: 2014



Relatos Selvagens (Relatos Salvajes) narra seis contos diferentes sobre o ser humano sendo levado ao seu limite emocional. Histórias sobre vingança, recheadas de humor negro, que mostram a linha tênue que separa cada um de nós da completa perda de controle quando somos postos em situações extremas. O resultado é surpreendente, não à toa foi o longa-metragem escolhido para concorrer ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro esse ano, ainda que suas chances de vencer fossem remotas (quem venceu foi o polonês Ida).

Ao contrário de outros filmes que montam diversos curtas dirigidos por diferentes diretores em um único longa (Nova York, Eu Te Amo, por exemplo), a obra argentina/espanhola destaca-se por utilizar apenas Damián Szifron (Tempo de Valentes) na função, o que confere temática, linguagem e identidade visual semelhantes, mesmo que em tramas diferentes. Fica evidente que trata-se de uma obra autoral, visto que o próprio Szifron também assina o roteiro.

Relatos Selvagens adota uma fotografia de filme dramático, afinal, os acontecimentos que presenciamos estão longe de serem engraçados. No entanto, acabam sendo hilários, tamanho o absurdo do que vemos em tela. As piadas surgem nos detalhes, o que confere um tom muito bem vindo ao filme. É o homem que tenta apagar uma camisa que pega fogo, o avião vindo do céu que se aproxima de um casal de idosos, o espelho que é estilhaçado durante uma dança de casamento, e por aí vai.

Há um estigma, porém, que o filme não consegue vencer. Em uma obra que apresenta diversas tramas diferentes, é natural que uma ou outra acabe cativando mais o espectador, ao passo que algumas acabam passando quase despercebidas e sem qualquer apelo. A escolha de qual conto é mais relevante, vai depender da experiência de cada um que assiste. Curiosamente, o trecho que menos gostei foi o do aclamado Ricardo Darín (O Segredo dos Seus Olhos), ícone do cinema argentino contemporâneo.

Destaco dois seguimentos que considero os mais inspirados. O terceiro, aquele em que dois motoristas se "desentendem" numa estrada isolada, e o último, que encerra o filme com um dos casamentos mais improváveis que o cinema já deve ter filmado.

No fim, Relatos Selvagens mostra-se uma obra bastante relevante, que brinca com temas do nosso cotidiano de maneira inteligente e não apelativa, onde a piada faz rir por um propósito, e não por um tropeço abobalhado que algum personagem dá e acaba indo ao chão. Algumas comédias nacionais poderiam aprender um pouquinho com nossos hermanos

Ótimo


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 Trailer: 




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