True Detective 2x01 | The Western Book of Dead


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Quando estreou no ano passado pouco se sabia ou ouvia-se falar a respeito de True Detective. Isso foi mudando pouco a pouco, episódio a episódio, até que a série encerrou sua temporada como uma das melhores produções já feitas para a televisão norte-americana. Era inevitável, portanto, que o cenário para a estreia da segunda temporada fosse totalmente oposto, visto que as expectativas estavam lá em cima para conhecermos o novo drama elaborado por Nic Pizzolatto, criador da série. E ainda que seja muito cedo para um veredito, posso afirmar que o primeiro passo foi dado com maestria.

O grande acerto dessa estreia, ao meu ver, foi subverter tudo (ou quase) que conhecíamos do seriado, algo que somente o formato de antologia permitiria. Sai de cena o interior de Louisiana para entrada das locações urbanas de Los Angeles. Se antes tínhamos 2 protagonistas, agora temos 4, e nem todos são detetives. Soma-se o fato de que a trama provavelmente utilizará uma narrativa linear (ao contrário do ano passado, em que os flashbacks eram constantes), e temos um cenário totalmente novo montado, onde não fazemos ideia do que virá adiante. E isso, acreditem, é ótimo.

Ray Velcoro (Colin Farrell) é um detetive atormentado pelo passado, quando teve a esposa estuprada por um criminoso que pode ser o pai biológico de seu filho. Atormentado pelo álcool e pela cocaína, Velcoro se divide entre as funções de pai, detetive e capanga de uma espécie de mafioso local, Frank Semyon (Vince Vaughn). E ainda que tenhamos visto apenas esse episódio, me parece que Farrell - que é um ator subestimado - entregará um grande trabalho, visto que aparentemente trata-se de um personagem rico em nuances e falhas morais (gostei particularmente da cena com a advogada e o espancamento do pai do garoto que roubou seu filho). O mesmo elogio posso fazer a persona de Vaughn, ainda que pouco tenhamos visto de seu vilão (?), que aliás não parece vestir essa carapuça com facilidade. As personalidades em True Detective não são preto no branco, e sim, repletas de tons de cinza.


Talvez o grande desafio de Pizzolatto nessa temporada seja encontrar um equilibrio para o desenvolvimento de seus quatro personagens, algo que foi administrado com eficiência nesse 2x01. Para isso, foi importante ressaltar a fragilidade emocional de cada um daqueles que vimos em tela. Foi assim também com Ani Bezzerides (Rachel McAdams), uma xerife de Ventura que tem uma relação difícil com a família e parece viver um angustiante conflito interno. Personalidade que se assemelha de certa forma com Paul Woodrugh (Taylor Kitsch), um Policial Rodoviário que parece ser atormentado por seu passado militar e pelas diversas cicatrizes que carrega no corpo.

De antemão podemos dizer que tratam-se também de duas interpretações poderosas. McAdams talvez tenha a oportunidade aqui de mostrar seu talento como nunca antes, ao passo que Kitsch novamente prova o grande ator que é, desde os tempos de Friday Night Lights. Cenas como a que ele se tranca no banheiro para tomar o viagra antes de transar com a namorada, ou mesmo no angustiante momento em que dirige sua moto por alguns instantes com o farol desligado, são prova disso.

Ficou evidente que esse primeiro episódio teve seu foco no desenvolvimento desses 4 personagens, deixando o assassinato que culminará na aguardada investigação apenas para o seu desfecho. E que desfecho. Foi incrível ver como todas aquelas tramas encaixaram-se fluidamente no roteiro através de um acaso extremamente verossímil. E ver os protagonistas (todos fragilizados e repletos de demônios internos) se apresentando uns aos outros foi algo, no mínimo, empolgante, elevando as expectativas ainda mais para a próxima semana.


Para encerrar, vale citar que apesar da série reinventar sua narrativa, ela mantém uma identidade e rima visual muito bacana com o primeiro ano. Isso pode ser notado em ângulos de câmera e enquadramentos (como a reunião de Velcoro com a advogada), bem como nos diversos travelings aéreos que evidenciam os viadutos e as indústrias de Los Angeles, além claro dos créditos iniciais, que se são tão belos como os do ano passado, infelizmente acabaram me deixando levemente desapontado por não terem utilizado a excelente canção do trailer, "The Only Thing Worth Fighting For", interpretada por Lera Lynn.

Comentários

  1. Ótimo Texto! Foi exatamente tudo isso que senti... Quando assisti o terceiro episódio pensei em desistir, mas depois que assistir o quarto.... Rapaz, mastiguei cada episódio! Se tornou uma das favoritas da Netflix.

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  2. Obrigado Matheus
    Quase larguei a série também.
    Teria perdido uma grande história

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  3. Já amei a série do 1º capítulo logo de cara, achei o máximo, amei todos os personagens, a série é muito foda!!!! Que bom que você deu uma chance a ela.

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