CCXP 2015 | Sobre como é zerar a vida



"Zerar a vida" é uma gíria contemporânea cada vez mais comum dentro da cultura pop e das redes sociais em geral. A expressão consiste basicamente em conhecer alguém ou um lugar que você talvez julgasse impossível, algo que te marcará pra sempre. É como quando você consegue aquela evolução mega difícil no Pokémon ou quando acerta aquela combinação de dados impossível no RPG, o famoso momento inesquecível. Lembro de ouvir a expressão pela primeira vez em um Nerd Office, quando o Jovem Nerd e o Azaghal tiveram a oportunidade de conhecer o Sylvester Stallone. Sim, eu sou o cara da foto, e eu zerei a vida na CCXP 2015.

Dia 2

O meu segundo dia de Comic Con Experience tinha um objetivo: assistir o maior número de painéis possíveis no auditório Cinemark. Missão que foi cumprida com louvor quando eu e o Edu conseguimos ser os primeiros da fila de entrada de imprensa naquele dia. Aliás, uma boa vantagem de quem estava lá para cobrir o evento era essa fila exclusiva, que possibilitou que entrássemos no pavilhão junto com os primeiros lugares da fila de visitantes. Uma vez dentro do auditório faltando minutos para o primeiro painel, eu só tinha uma preocupação: eu precisava sair dali imediatamente!

Explico.

No dia anterior eu havia passado uma frustração muito grande por não ter conseguido tirar uma foto com a Evangeline Lilly e pegar seu autógrafo, como contei no texto que escrevi para o DIA 1. A decepção foi tamanha que não consegui simplesmente virar as costas e ir embora, eu precisava mostrar meu descontentamento para alguém responsável pelo evento. No caso, o estande da atriz/autora estava sendo organizado pela Editora Aleph, que contou com uma equipe extremamente engajada em atender seus clientes da melhor maneira possível. Após alguns minutos de papo com o gerente da loja, a promessa: se eu voltasse amanhã, minutos antes da sessão de fotos e autógrafos começar, eu conseguiria encontrar Evangeline.

Pra quem não sabe, as regras da CCXP são claras: uma vez dentro do auditório principal você não pode sair, do contrário terá que pegar a fila inteira de novo para entrar. E esse foi meu dilema por 30 minutos, o tempo que levei para convencer os funcionários da organização do evento a me deixarem sair do auditório, tirar a foto, pegar o autógrafo e voltar lá pra dentro. Mais precisamente, tive que falar com 4 pessoas diferentes, até chegar em uma senhora de descendência nipônica (que parecia ser uma das chefias da organização do auditório). Moça, eu não sei seu nome, mas muito obrigado! Mesmo.

Então eu corri. Muito. De verdade. E fiquei feliz demais ao perceber que a promessa do gerente da Aleph seria cumprida. Fiquei lá por minutos na fila, com a minha edição de Os Molambolengos na mão, aguardando a chegada da Evangeline. E ela chegou, sorridente como sempre, cumprimentando a todos, dando um show de simpatia e carisma. Eu, que estava até bem calmo pra dizer a verdade, pensei em mil coisas pra falar quando entrasse na sala: de como sou fã de LOST desde a primeira temporada, de como amo o trabalho dela, ou mesmo elogiar a bondade que ela demonstra por onde passa. A verdade é que não consegui falar nada, pois quando entrei a primeira coisa que aconteceu foi ela me perguntar: "Como você está hoje?". Em inglês, claro. Mas ao me despedir ouvi um fofo "obrigada", um beijo no rosto, um breve abraço. E voltei - feliz demais - para o auditório Cinemark.

O mais legal de tudo isso é saber que esse tipo de experiência única não aconteceu só comigo. Um dos intuitos da CCXP é proporcionar esses momentos inesquecíveis aos fãs. A intenção é que muita gente volte pra casa com a sensação de "vida zerada", mesmo após um dia cansativo peregrinando por todo o evento. E nesse ponto posso dizer que os organizadores foram muito competentes. Afirmo isso não só pela minha experiência, mas por algumas outras que pude presenciar.

Já de volta ao auditório, me emocionei (e por pouco não fui as lágrimas) quando um fã se dirigiu ao microfone, trêmulo, nervoso, balbuciando algumas palavras para o genial Frank Miller. O rapaz, que quase não conseguiu terminar seu raciocínio, tomado pela emoção e pelas lágrimas, pôde ver seu ídolo quebrar o protocolo e se levantar, caminhando pelo palco em sua direção. Mais que isso, Miller autografou a HQ do fã e lhe deu um breve abraço enquanto o mesmo posicionou o celular para tirar a selfie obrigatória que aquele momento merecia. O auditório veio abaixo, tomado pela emoção e pelas palmas.

Não foi diferente quando David Tennant adentrou ao espaço com Krysten Ritter para o painel de Jessica Jones. Por mais que a produção da Netflix seja ótima e muita gente estivesse empolgada por isso (eu inclusive), era fato que muita gente estava ali pelo 10º Doutor. E posso afirmar sem medo de errar, que ver o ator de pertinho, para muita gente que estava ali (especialmente para a única menina que conseguiu seu autógrafo quando ele saía do palco), foi como zerar a vida.

A Comic Con Experiencie seguiu zerando a vida de muita gente por mais 2 dias. E ainda que a minha credencial de imprensa tenha expirado na sexta-feira, o show não podia parar. Estive lá no sábado e domingo como visitante para continuar a cobertura. Aguarde que ainda não acabou, Jessica.

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