A guerra do “Cult x Blockbuster”


Desde que o cinema existe há uma dualidade e competição entre tipos diferentes de filmes, que atualmente, com as redes sociais, vem se tornando ainda maior e causando mais divisões a respeito de qual é o melhor, assim como todo o resto das tretas na internet. Mas a competição, guerra ou treta a que me refiro é sobre os filmes Cult x Blockbuster.

Primeiramente, o que faz um filme ser cult e alternativo ou blockbuster e mainstream? Segundo a Wikipédia, blockbuster é o termo usado para definir filmes muito populares, com produção de alto custo e que estão inseridos no mercado cinematográfico. Essa expressão surgiu após o sucesso do filme Tubarão (Jaws, 1975), de Steven Spielberg. Já os filmes cult, que em inglês significa culto, geralmente são independentes e à parte do circuito comercial. O orçamento é baixo e a maioria dos atores são desconhecidos.

Os filmes cults costumam promover alguma reflexão profunda, criticar a sociedade e não se preocupar em agradar ao público de massa. Não seguem fórmulas hollywoodianas de sucesso e, às vezes, fazem conclusões abertas, deixando o espectador decidir o final. Em geral, não tem bilheterias tão altas e, por isso, não interessam muito às grandes produtoras, algo incomum nos filmes comerciais. Mas isso significa que os cults são melhores que os blockbusters? Com certeza, não.

Ambos têm os seus defeitos e pontos fracos. Um usa fórmulas cada vez mais específicas para atrair bastante público para terem altas bilheterias, apresentando filmes que, mesmo renovando em alguns aspectos, parecem a mesma história. E o outro se destaca com enredos cheios de sentidos e metáforas, que embora tragam boas reflexões, tendem a apresentar temas dramáticos ou soluções bem "diferentonas", produzindo algo tão “artístico” que engrandecem o ego dos “cultos”, e afastam públicos em potencial.

O problema em generalizar produções culturais é rotulá-las erroneamente, e deixar de lado uma boa história simplesmente por julgá-la antes de vê-la. Se os dois lados se preocupassem apenas em contar boas histórias, uma produção ser ou não de Hollywood não seria algo que contaria na hora de ver um filme. Além de estereotipar as produções, os seus públicos também são estereotipados, isto é, quem consome filmes alternativos é considerado um intelectual com bom gosto, e quem consome filmes de massa é visto como um “consumidor padrão”, que não reflete e vê “qualquer coisa”.

Penso que fazer isso é o mesmo que hierarquizar a cultura. Não existe cultura melhor ou pior. Ver um tipo de filme faz com que eu deixe de ser uma “pessoa culta” e passe a ser uma “pessoa padrão”? Normalmente, os filmes cults não seguem uma linearidade, o que pode ser confuso para algumas pessoas, mas não é como se elas não fossem capazes de entender a essência do filme ou o que ele quer mostrar.

Não se pode comparar esses dois estilos, apesar de ambos serem filmes. Cada um tem suas metas, suas particularidades, suas linguagens e seus públicos. De um lado, existem os que procuram um entretenimento sem compromisso. De outro, os que procuram algo que atenda suas necessidades intelectuais, procurando significados que não são comuns nas produções comerciais. Mas também têm os que procuram as duas coisas. O cinema tem o dever de exibir longas que satisfaçam todo o tipo de público, pois a indústria precisa das obras comercias para sobreviver, e muito por conta disso os filmes menos comerciais existem também.

Então, eu lhe pergunto, qual é o problema em gostar de blockbuster? Porque produtos culturais comerciais, juvenis ou “modinhas” devem ser menosprezados e considerados idiotas? É claro, eles nem sempre trazem reflexões surpreendentes. Mas são histórias feitas para entreter! E qual o problema nisso? Eu não assisto Transformers e me pergunto se realmente existem robôs alienígenas fora da Terra, ou assisto Piratas do Caribe pensando se os piratas realmente eram dessa forma. São filmes feitos para rir, se divertir, curtir as cenas de ação, os tiros de canhão e as explosões sem limites.

Portanto, aos cinéfilos, estudantes de cinema, cineastas ou espectadores comuns, meu recado é: abram as suas mentes para outros tipos de filmes para aproveitarem melhor a magia do cinema. Vejam X-Men, A Bela e a Fera, Piratas do Caribe, Harry Potter, King Kong e La La Land, mas também vejam Donnie Darko, Laranja Mecânica, Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, Blade Runner, Trainspotting e Rocky Horror Picture Show. Vejam filmes para pensar e filmes para se divertir. É claro que com o preço dos ingressos hoje em dia fica ainda mais difícil ir ao cinema para ver todo tipo de obra, então damos preferência aos que nos interessa mais, porém, é muito importante que não haja esse preconceito e julgamento na hora de escolher assistir um filme.

Obras de super-heróis, de princesas, de monstros ou de fantasia podem ter tantas mensagens quanto os filmes cults. A forma de mostrar essas mensagens é diferente, mas não quer dizer que é pior. A conclusão que chego é que: assim como não se pode julgar um livro pela capa, não julgue um filme pela sua sinopse ou pelo seu público. Não julgue pelo o que ele parece, julgue pelo o que você vê nele, porque, afinal, tudo se resume ao amor pela sétima arte.

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