American Gods | 1ª Temporada


Para quem caiu de paraquedas nesse universo caleidoscópico de American Gods é sempre bom lembrar que, a nova série da Amazon Prime e do canal Starz, é uma adaptação da famosa obra literária de Neil Gaiman (American Gods, de 2001).

American Gods conta a história de um ex-presidiário que, após a morte da esposa, se vê envolvido em eventos bizarros ao começar a trabalhar como segurança particular para um homem chamado Wednesday (Quarta-Feira). 

Houve muita especulação e ansiedade circundando esse projeto, já que a ideia de adaptar a história de guerra entre os deuses antigos e novos para o formato de série parecia uma tarefa complicada, uma vez que o projeto passou até pelas mãos da HBO, até que, enfim, Bryan Fuller, Michael Green e o próprio Neil Gaiman abraçaram a produção da série. O que, venhamos e convenhamos, deu muito certo.

A primeira temporada é um mergulho surreal no mundo dos deuses, do fantástico e da religião em si. A âncora do que podemos chamar de “realidade” fica nas mãos do personagem Shadow Moon (Ricky Whitter), que se vê em meio à situações que o fazem questionar sua sanidade e, principalmente, seu papel naquele universo. 


A série usa muito a contextualização dos eventos para fazer diversas perguntas ao espectador durante cada episódio, sem dar muitas respostas, é claro. Isso funciona como um excelente mecanismo para manter a audiência grudada na tela até o eventual grand finale

Outra coisa que colabora muito com American Gods é o visual. De nada adianta uma tonelada de alegorias e contos extra fantásticos se o visual e ritmo da série não estão à altura, ou não acompanham a trama. Tudo é muito bonito e bizarro ao mesmo tempo, o que causa essa curiosidade em obter respostas. Apesar da quantidade de informação que é injetada a cada episódio, o ritmo não é cansativo, pois esses aspectos caminham lindamente e se completam de forma mágica. 

Sobre o elenco, muito talentoso, posso dizer que fizeram um trabalho excepcional com cada personagem. Temos o fantástico Ian McShane (DeadWood) no papel do Mr. Wednesday, Pablo Shreiber (Orange is the New Black) dando vida ao carismático Mad Sweeney e até mesmo Emily Browning (Desventuras em Série) surpreendeu ao dar muita “vida” a Laura Moon. E claro que não posso deixar de citar a atuação primorosa de Gillian Anderson (Arquivo X) no papel da Mídia, proporcionando momentos icônicos da atriz atuando como Lucy Ball, Marilyn Monroe, David Bowie e Judie Garland. 

Uma nota que vale ser feita é: com a produção de Bryan Fuller (que já foi responsável pela série Hannibal, por exemplo) é possível perceber em American Gods uma repetição de padrões e estilos de suas produções anteriores. Muitos notaram, alguns se incomodaram, porém gosto do estilo do produtor, que combina com a temática. Gosto de como ele lida com a violência nas cenas, como trabalha com ritmo e trilha sonora, luz e sombra, closes e planos amplos. É uma bela composição bonita que funciona muito bem na série, já que ela é cheia de contrastes em praticamente tudo que apresenta. A produção precisava de alguém que soubesse trabalhar esses tons corretamente.


Como toda adaptação, é claro que houve liberdade para esticar as pernas e divergir um pouco da obra original. A personagem Laura Moon, por exemplo, não tem quase espaço na trama original do livro, ao passo que na série podemos ver muita mais de sua vida e história através de sua própria perspectiva. No livro Laura Moon é vista apenas pelos olhos de outros personagens, fazendo com que ela tenha quase nenhuma profundidade. Vale citar que a primeira temporada aborda apenas uma pequena parte dos eventos do livro, o que significa que há muito chão a ser percorrido. Acredito que com a presença mais forte de Laura na trama principal, a série a utilize mais como uma barreira, já que suas prioridades podem eventualmente atrapalhar os planos do conflito para ambos os lados.

Para concluir, American Gods é uma excelente série. Conseguiu superar minhas expectativas, tendo em vista que sou muito fã das obras de Neil Gaiman, em especial a própria American Gods, que é meu livro favorito. Sim, isso mesmo, já li diversas vezes, conheço a história e posso dizer que até para quem leu o livro a série não desaponta, não fica chata e nem arrastada. Ver sua obra literária favorita sendo traduzida para o áudio-visual é algo maravilhoso, especialmente quando o resultado final é tão espetacular. Ambos, série e livro, são uma fonte rica de discussões sobre os vícios humanos traduzidos em forma de deuses.

Não deixe de assistir American Gods esse ano e se prepare, pois tenho certeza que a segunda temporada vai trazer muitas surpresas para esse embate entre deuses novos e antigos. E se você quiser conferir a crítica em vídeo que fiz sobre a primeira temporada, confere abaixo no meu canal:

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