Atypical | 1ª Temporada


A Netflix está se notabilizando pela capacidade em tratar de forma dinâmica, ousada e didática, temas como a representação das minorias, a prática do bullying e suas consequências, além da própria questão do suicídio em suas séries. Abordagens eficientes e com algumas doses certas de humor e carisma, como em Sense8, Cara Gente Branca e 13 Reasons Why. Dessa vez a gigante do streaming nos traz um assunto delicado e pouco debatido: o autismo.

Atypical, produção recém-lançada pela plataforma, possui 8 episódios em sua primeira temporada e foi criada pela roteirista Robia Rashid (How I Met Your Mother), notoriamente conhecida por saber trabalhar o drama aliado a momentos cômicos. Ou seja, já dá pra ter uma ideia do que vem por aí.

A história acompanha o jovem Sam (Keir Gilchrist), de 18 anos, prestes a terminar o ensino médio e que sofre de autismo. Durante uma sessão com sua terapeuta Julia (Amy Okuda), o rapaz é aconselhado a arrumar uma namorada, o que o faz embarcar em uma saga incansável na busca por sua amada. Não só isso, ele enfrenta uma jornada de amadurecimento e vivencia novas experiências na vCrédito:ida.

Crédito: Greg Gayne / Netflix

O primeiro episódio de 38 minutos, consegue apresentar os principais personagens de forma sutil, bem como os dramas pessoais de cada um. Além de Sam, você conhece os pais do jovem: Doug (Michael Rapaport) e Elsa Garnier (Jennifer Jason Leigh), ambos super protetores, mas com alguns segredos guardados que são aos poucos revelados. A irmã do protagonista, Casey (Brigette Lundy-Paine), também começa a ter sua primeira experiência amorosa e enfrenta alguns dilemas da adolescência. 

As interações dos personagens secundários trazem riqueza e maior amplitude à história, pois o autismo não é apenas um mal que aflige crianças e adolescentes, é um problema social, difícil de ser contornado e que ainda não é encarado de forma adequada. Você nota a dificuldade das pessoas ao redor de Sam em lidar com seu problema, ficando em muitas ocasiões sem saber o que fazer. 

Atypical chegou a ser comparada com 13 Reasons Why, chegando a ser classificada como "série dramática teen", no entanto, discordo disso. A produção também engloba o público adulto e trata dos dilemas da vida, da polêmica em torno do autismo e do tabu ainda existente, que vai muito além do que imaginamos.

Crédito: Greg Gayne / Netflix

Eu citei no começo do texto que existem momentos engraçados na série e eles realmente acontecem, porém, você não irá rir propriamente do personagem, mas de algumas situações nas quais ele se envolve, muito por conta de sua dificuldade em entender metáforas e, também, por conta de sua inocência. Há diversão em alguns momentos, mas rapidamente o espectador volta para o contexto da história e reflete sobre o autismo, as nuances e o porquê de ele ser abordado.

As atuações são muito seguras, o elenco consegue criar empatia com o público e fazer os espectadores se envolverem com a história e torcer pelos personagens, principalmente por Sam e Casey, dois irmãos unidos e que apresentam uma evolução impressionante durante a história. Michael Rapaport (Homens de Honra) e Jennifer Jason Leigh (Os Oito Odiados) também se destacar, mas seus personagens se mostram um tanto antagônicos, visto que, em dados momentos, não parecem andar do mesmo lado. Eles se mostram um tanto desligados, mas conseguem transparecer a realidade de muitas famílias. Há sinceridade e autenticidade nas atuações do casal.

Ficou curioso para assistir a Atypical? Aproveite a oportunidade, pois temos uma produção de ótimas atuações, muita polêmica, drama e sensibilidade. Uma série que, sem dúvida, fará você olhar para a sociedade e encarar a vida com outros olhos.

Crédito: Greg Gayne / Netflix

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