CRÍTICA | Planeta dos Macacos: A Guerra

Direção: Matt Reeves
Roteiro: Matt Reeves, Mark Bomback e Pierre Boulle
Elenco: Andy Serkis, Woody Harrelson, Steve Zahn, Judy Greer, entre outros
Ano: 2017
Origem: EUA

Charlton Heston (Ben-Hur). Quem diria que este homem poderia ser responsável por fazer de Planeta dos Macacos (Planet of the Apes, 1968), filme de ficção cientifica, adaptado da obra francesa do escritor Pierre Boule, um grandioso sucesso.

A longa foi pioneiro, no que diz respeito a uma ficção cientifica ganhar uma continuação, e futuramente viria a inspirar obras como Spectreman com o vilão Dr. Gori, uma paródia brasileira feita pelos Trapalhões intitulada Os Trapalhões no Planalto dos Macacos (um dos clássicos da Sessão da Tarde) e como ultima grande contribuição fez com que a banda Jota Quest gravasse a música "De Volta ao Planeta dos Macacos", de 1998, também um grande sucesso.

Nos últimos 15 anos foram produzidos mais 3 filmes: um reboot de gosto duvidoso dirigido por Tim Burton (Grandes Olhos) e os dois capítulos da nova trilogia, que servem como uma espécie de preludio para o primeiro filme e para a literatura original. Esses dois filmes são muito bem feitos, abandonando completamente o uso de mascaras de látex com pelos e fantasias para simular os macacos. As filmagens foram feitas a partir do uso da roupa mocap, utilizada para capturar movimentos e depois substituí-los pela computação gráfica.

Um dos maiores responsáveis por popularizar essa técnica é, sem sombra de duvidas, o ator Andy Serkis (Pantera Negra), responsável pela captura de movimentos do macaco César na franquia, além de também ter feito a captura de personagens como Smeagol/Gollum da trilogia O Senhor dos Anéis, o King Kong dirigido por Peter Jackson (O Hobbit) e o rei macaco Monkey, adaptado do conto chinês Jornada ao Oeste, do escritor Wu Chengen no jogo Enslaved: Odyssey to the West.


Em Planeta dos Macacos: A Guerra, Serkis volta como o macaco líder revolucionário. A obra se passa pouco tempo depois do segundo filme, na qual terminou com a morte do macaco sociopata Koba. César agora vive nas florestas, e ele e sua tropa planejam sair dali para poder ir a um local mais convidativo. Só que a chegada do Coronel (Woody Harrelson), matando sua família, acaba por fazê-lo ir atrás de vingança, acompanhado por Maurice, seu fiel conselheiro; Luca, o fortão; e Rocket, ex-amigo de Blue Eyes, filho mais velho de César e escudeiro da tropa dos macacos.

Esse filme adota um tom de seriedade maior que seus predecessores, já que nesta trama, César, tomado pela raiva, irá até as ultimas consequências, num acerto que pode acabar vitimando sua família. Se já não fosse ruim para o líder símio ser atormentado por Koba em seus sonhos, imagine agora que seu filho está nas mãos de um déspota, disposto a tudo para evitar mais estragos da gripe símia.

Falando nela, o elemento da gripe ganha nova força, já que são apresentados efeitos colaterais que fazem os humanos não só adoecerem e morrerem, mas retrocederem a evolução, fazendo a teoria de Darwin ser rasgada e cuspida, como se não tivesse existido a teoria da evolução das espécies.

Elogiar os efeitos especiais é cair na mesmice, pois a equipe responsável novamente está de parabéns, já que é indiscutível que é possível acreditar nos macacos em cena. A ação é muito bem elaborada, principalmente a parte do confronto final na fortaleza. A edição alterna entre planos contemplativos, na qual, ficamos vislumbrando o que se passa na cabeça dos personagens, já que são poucas as vezes em que há diálogos em cena. A maior parte dos diálogos é interpretado através da linguagem de sinais.


Outro grande ponto é a introdução da garotinha Nova, que Maurice acaba por adotar, muito a contragosto do líder, além de um novo personagem chamado de Macaco Mau, um atrapalhado e falante, que vagava pelo mundo e vivia num zoológico antes do surto da gripe. A direção de arte é bem feita, o lar dos macacos é acolhedor, enquanto o dos humanos não tem vida, é frio, metálico e duro. Já a fotografia utiliza da escuridão para criar o clima, já que a maior parte dos primatas tem pelagem escura e, mesmo no gelo, há um contraste de luz e sombra. Ainda assim, as vezes é difícil diferenciar quem é quem, só quando a câmera opta pelos planos mais fechados ou closes.

A obra tem alguns problemas de ritmo e de mixagem de som, uma vez que, em determinados momentos, o silencio, dá o tom da maioria das cenas, é ocupado por uma trilha sonora exacerbada, que torna difícil ouvir os diálogos entre as cenas. Apesar disto, Planeta dos Macacos: A Guerra entrega um bom resultado, sendo uma obra de boa qualidade, acima do nível da maioria dos blockbuster lançados nos últimos anos (viu, Michael Bay?).

É seguro dizer que essa nova trilogia será tão marcante quanto a primeira fase dos filmes dos primatas revolucionários. Quanto ao futuro da saga, não é possível opinar se ela seguirá até o ponto da obra clássica de 1968 ou se ela terminará aqui, mas se houver continuação, que comece a modernização o mais rápido, já que terão de fazer viagens no tempo de uma maneira mais convincente do que é feito hoje em dia.

Ótimo

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