Animações "Perdidas" da Disney | Parte 2


Essa é a segunda parte do post em que trazemos algumas animações Disney que, ou não são muito conhecidas, ou que, mesmo tendo seu público, acabaram não se tornando clássicas, sendo pouco lembradas com o passar dos anos. Os filmes não estão ordenados por qualquer critério, até porque o grau é subjetivo. O importante é trazer a tona algumas produções bem interessantes, mas que não tiveram sua devida apreciação. E se você quiser conferi a Parte 1 é só clicar AQUI.


A Família do Futuro (Meet the Robinsons, 2007)


Baseado no livro de William Joyce e dirigido por Steve Anderson, A Família do Futuro conta a história do pequeno Lewis, um garoto muito inteligente, que foi abandonado pela mãe em um orfanato quando recém-nascido. Criado muito amorosamente e tendo a sua genialidade incentivada, o o menino acaba por espantar possíveis pais adotivos, incapazes de perceber seu verdadeiro brilho, por trás de seu jeito desastrado. Lewis se sente rejeitado e desiste do sonho de ser adotado. 

Eis que sua nova invenção, um scanner de memória, é sabotada, e ele acaba indo parar no futuro. Lá ele conhece a família Robinson, que o ajuda a voltar para o passado, recuperar seu scanner de memória e a confiança em si mesmo.

O quadragésimo-sétimo longa-metragem da Disney não tem como questão principal as viagens no tempo, mas sim o objetivo de transmitir uma simples e bonita mensagem de como podemos aprender com um fracasso, nos preparando para o sucesso no futuro. A trajetória de Lewis é, de certa forma, inspirada em Walt Disney, um ambicioso sonhador, que se tornou um dos maiores nomes da história, por aprender com os erros e se arriscar sem medo.


A Nova Onda do Imperador (Emperor's New Groove, 2001)


Outro grande clássico que alguns lembram, mas que passa batido nas principais listas do estúdio. É a Disney voltando a dar atenção a América Latina, mais precisamente na civilização inca. Kuzco é imperador, mimado, egoísta e muito irritante. Ao despedir sua assistente real, sua vida virará de pernas para o ar. Numa tentativa de vingança, sua ex-funcionária acaba transformando Kuzco numa lhama, tentando se livrar dele, com o auxilio de seu ajudante Kronk, uma montanha de músculos, com grande coração, mas de pouco intelecto, que, vez ou outra, acaba tendo jorros de inteligência.

A animação ganha o publico pelo escracho. Debochado, ridículo, absurdo e surtado, faz piadas com vários clichês de filmes antigos, como a cientista maluca que arma planos mirabolantes para se livrar de seus problemas, o protagonista mala, o cara simplório, mas sagaz.

Um dos grandes aspectos aqui, no Brasil, é o elenco de dublagem. Selton Mello num dos melhores trabalhos da sua carreira, Marieta Severo em atuação magistral, e até mesmo Humberto Martins faz um trabalho competente na voz de Pacha. Vale citar também a versão brasileira da música do Sting, adaptada por Ed Motta. Não tão marcante quanto em Tarzan, mas ainda assim icônica.


Nem que a Vaca Tussa (Home on the Range, 2004)


Lançado em 2004, Nem Que a Vaca Tussa foi um dos últimos investimentos da Disney em animação 2D. Fazendo homenagem aos faroestes, o filme lembra A Nova Onda do Imperador no aspecto visual, porém tem curta duração (76 minutos) e uma história simplória.

Três vacas de personalidades muito diferentes querem salvar a fazenda “Pedaço do Céu”, que será leiloada. Para pagar a dívida de sua dona, Maggie, Calloway e Grace irão atrás de um bandido perigoso para receberem sua recompensa, o valor exato para saldar o débito da fazenda. Para esta aventura, contam com a com a ajuda de Buck, o cavalo atrapalhado do xerife, que quer aparecer a todo custo. Todos esses personagens e até os outros animais menores da fazenda são muito simpáticos e divertidos. 

O filme é divertido por sua simplicidade e deveria ser visto por quem curte o gênero western. A história não é ruim, e tem todos os elementos que o estúdio preza: motivação, superação, mudanças e não desistir de seus objetivos, mesmo em momentos ruins. Vale citar também a trilha sonora, feita por Alan Menken, e, é claro, a sensacional dublagem brasileira. Cláudia Rodrigues interpreta Maggie; Fernanda Montenegro, a senhora Calloway; e Isabela Garcia, a jovem Grace.


Bolt: Supercão (Bolt, 2008)


Um cachorro alterado geneticamente, que faz coisas que muitos duvidam. O problema é que o cão não sabe que tudo o que ele já fez é "falso". Na verdade, Bolt (John Travolta) e sua dona Penny (Miley Cyrus) são os astros de um grande programa de TV. No entanto, ao ver a garota sendo "raptada", Bolt foge e decide ir atrás dela, numa jornada para descobrir o que é ser um cão de verdade.

Um filme divertido e hilário, feito na esteira do relativo sucesso de A Família do Futuro, e que acabou tendo sua importância, já que fez a Disney renascer no ramo das animações, que durante a década de 2000 era dominado pela Pixar e pela DreamWorks.

A animação está na Netflix e pode ser assistida AQUI.


O Galinho Chicken Little (Chicken Little, 2005)


No início de O Galinho Chicken Little, o diretor Mark Dindal faz uma brincadeira, afirmando que seu narrador não sabe como iniciar a história. Essa indecisão é uma crítica à própria forma pela qual a Disney olhava suas animações e, ao mesmo tempo, mostra a incerteza do estúdio em relação ao seu futuro na área, visto que trata-se de sua primeira animação digital após o término da primeira parceria com a Pixar.

Inocente e incompreendido, o galinho Chicken Little é considerado um maluco mentiroso por toda a cidade, depois de causar uma grande confusão ao confundir uma avelã com um pedaço do céu. Para apagar sua má reputação e reconquistar o respeito do pai, um ex-jogador famoso de campeonatos escolares de beisebol, o galinho decide entrar no esporte. Depois de vencer a final do campeonato escolar, ele se depara novamente com um pedaço do céu que caiu em sua cabeça. A fim de não repetir o mesmo erro e ser humilhado novamente, Chicken Little e seus amigos tentam provar a todos que ele nunca mentiu e, ao mesmo tempo, precisam salvar a cidade sem dar início a um caos. 

A animação está na Netflix e pode ser assistida AQUI.


Atlantis: O Reino Perdido (Atlantis, 2001)


Quantas vezes vocês já ouviram falar no reino perdido de Atlântida? Essa lenda ganhou uma roupagem totalmente nova sob a batuta da Casa do Camundongo, na qual, ela ainda existe, mas está submersa a vários quilômetros de profundidade. Milo Thatch tenta conseguir, perante seus colegas acadêmicos, orçamento para fazer uma expedição em busca do tal Diário do Pastor, uma coletânea de documentos que pode conter o mapa necessário para a viagem.

O filme tem um visual muito parecido com os desenhos do artista Mike Mignola, desenhista de Hellboy, só que com um visual muito mais refinado. É interessante e apresenta uma das poucas princesas do estúdio que não fazem parte da linha de princesas Disney. #KidaNoDisneyPrincesas.


As Peripécias do Ratinho Detetive (The Great Mouse Detective, 1986)


Um dos maiores personagens da literatura inglesa faz uma bela aparição na empresa. Não, não estou falando de Harry Potter. Me refiro a Sherlock Holmes, personagem clássico de Sir Arthur Conan Doyle. O grande twist é o fato do personagem ser diminuto, peludo e ter uma cauda.

Basil é um grande detetive, que acaba se deparando com o caso de um homem sequestrado por um morcego, que é comparsa de seu maior inimigo, o Professor Ratagão. O clássico tem um tom levemente sério, diferente da maioria dos clássicos do estúdio, mesmo sendo uma versão infantil da obra de Doyle. Mesmo parecendo bobo em alguns momentos, ainda assim é um desenho acima da média.


Robin Hood (idem, 1973)


Não é necessário falar muito sobre a lenda do tal "Principe dos Ladrões", mas caso nunca tenha ouvido falar, Robin era um servo ao lado do Rei Ricardo em uma grande Cruzada, que retorna para casa. Ao chegar, encontra seu feudo devastado pela tirania dos regentes, além de leis abusivas, e a proibição da caça como sustento. Indignado, ele se recusa a aceitar a situação e é declarado fora da lei. Aproveitando seu conhecimento em cavalaria, arquearia e combate adquirido na guerra, ele une um grupo de foras da lei, e inicia um combate à tirania da nobreza, roubando dos ricos para dar aos pobres.

A versão do estúdio para o personagem é levada totalmente para o lado cômico, mas tendo algumas cenas de ação realmente impressionantes. A abordagem dada na animação, mesmo usando animais antropomorfizados (uma marca da Disney), é algo que soa até natural, quando você aceita que não irá assistir uma versão fiel da obra


Dinossauro (Dinosaur, 2000)


Creio que com este filme irei entrar em terreno íngreme, pois muitos dizem que Dinossauro parece uma versão mais leve de Jurassic Park. Apesar de não ter tom realista, a história fala sobre uma família de lêmures que criam um dinossauro e acabam fugindo de uma chuva de meteoros, partindo então em busca de um novo lar.

Mesmo a história tendo elemento parecidos com Em Busca do Vale Encantado, ela ainda consegue ser interessante. Não é tão memorável quanto as produções citadas, mas vale a pena conferir. Um dos aspectos mais interessante é seu elenco de dubladores: Fábio Assunção, Nair Bello, Hebe Camargo e Malu Mader.

A animação está na Netflix e pode ser assistida AQUI.


Oliver e Sua Turma (Oliver & Company, 1988)


Livremente inspirado na obra de Charles Dickens, Oliver Twist. Oliver é um gatinho posto para adoção dentro de uma caixa, mas acaba não sendo adotado. Durante uma chuva, a caixa se desmancha e ele quase entra esgoto a dentro, até que encontra um cachorro malandro chamado Esperto, que o ensina sobre a vida nas ruas.

Mas o dono de Esperto deve até a alma para um agiota e tem apenas 3 dias para reaver a grana. Cheio de músicas incríveis e ação contagiante, é capaz de fazer você se deliciar com uma boa história, pouco tempo antes da chegada da Renascença Disney.


Música, Maestro! (Make Mine Music, 1946)


Música, Maestro! é um clássico de 1946 e pertence à série de longas-metragens compostos por histórias curtas, que marcaram suas produções nos anos 40, com a falta de recursos provocada pela Segunda Guerra Mundial. É o oitavo filme da Walt Disney Animation Studios e também possui uma certa semelhança com Fantasia, porém, com músicas modernas da ocasião.

A obra possui ao todo dez segmentos, sendo que alguns deles foram deletados com o tempo e outros tiveram cenas reaproveitadas de Fantasia. O filme foi uma decepção, para a visão particularmente crítica de Walt Disney e não foi bem recebido pela crítica cinematográfica. Foi lançado aqui no Brasil apenas em VHS e, desde então, foi esquecido.


Puff: O Ursinho Guloso (The Many Adventures of Winnie the Pooh, 1977)


Adaptado da obra de Alan Alexander Milne, Puff: O Ursinho Guloso é um filme dos estúdios Disney lançado em 1977, mundialmente conhecido pelo seu encanto e fofura. Trata-se de uma das últimas produções da primeira geração de animadores do estúdio e o vigésimo segundo filme da sua lista de clássicos. A partir dele, foram geradas diversas sequências como Tigrão: O Filme (2000), Leitão: O Filme (2003), Pooh e o Efalante (2005) e O Ursinho Pooh (2011).

A grande sacada do filme é que sua narrativa se desenrola a partir da leitura de um livro. Assim, as brincadeiras com os desenhos, com as letras e palavras dão um tom original à estória. 

O traço tradicional da animação e a beleza da simplicidade trazem um desenho que funciona como um túnel do tempo, uma lembrança de que, para fazer um grande desenho não há necessidade de pirotecnias, longa duração (o filme tem apenas 63 minutos) e milhões de dólares. Basta uma arte espetacular, personagens memoráveis e muita imaginação.


Irmão Urso (Brother Bear, 2003)


Um jovem rapaz pretende se vingar de um urso que comeu uma cesta de peixes. Só que um dos seus irmãos acaba quebrando a geleira onde estão e tudo vai por água abaixo. O tal rapaz agora quer se vingar da morte do irmão matando o tal urso, mas no processo, acabará recebendo um castigo divino que ninguém poderia suspeitar.

O ritmo alterna entre o drama do personagem ter se transformado em um animal que despreza e aprender a conviver em sociedade, vendo mais do que os olhos podem enxergar, são algumas das questões a serem levantadas num dos filmes mais lindos da Disney. Não tem o mesmo nível dramático ou de debates como A Família do Futuro, mas a qualidade é absolutamente inquestionável. Selton Mello (O Filme da Minha Vida), Marco Nanini (A Grande Família) e Luiz Fernando Guimarães (Os Normais) conseguem imprimir boas personalidades em seus personagens na versão brasileira do filme.


O Ursinho Pooh (Winnie the Pooh, 2011)


Ió perde a cauda. Pooh, Tigrão, Corujão, Leitão, Coelho e toda a turma do Bosque dos Cem Acres vai em busca da parte perdida do amigo, enquanto ajudam Christopher Robin a lidar com sua desavença chamada de Voltologo.

Tudo o que havia na primeira aventura de Pooh e seus amigos temos aqui novamente: traços 2D mais refinados, tons pasteis parecendo aqueles livros infantis gigantescos, desenhos com vários riscos a lápis para deixar mais robusto ou caseiro, e uma história que parece ter saído da mente de uma criança de 5 anos, ou seja, de uma época onde a inocência impera e nada parece afetar a existência da vida, algo que hoje é raro, já que muitos desenhos apostam em piadas burras, sem graça e histórias cada vez mais vazias de significado. Vale a pena dar uma conferida.


Planeta do Tesouro (Treasure Planet, 2001)


Talvez o motivo de Planeta do Tesouro não ter feito tanto sucesso é o fato de não ter características marcantes dos filmes da Disney, como pouca música e pouco humor. Outra possibilidade é o teor menos infantil, já que o protagonista é um adolescente rebelde. Além disso, falta uma figura feminina, comum das fórmulas dos contos de fadas. Com uma abordagem nova e ambientação inusitada, a animação acabou sendo um projeto ousado, mas que não foi tão aceito pelo público.

Inspirado na obra A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson, essa foi a quinta colaboração de John Musker e Ron Clements como diretores de uma animação. Um dos pontos fascinantes é como o roteiro trabalha a noção dos sonhos infantis. Além disso, há imagens belíssimas e cenários esplêndidos, sabiamente explorados pelos planos gerais. O longa-metragem foi um dos precursores na união da animação tradicional e da computação gráfica, com esta última usada amplamente. Além disso, todas as cenas são colaboradas pela trilha sonora composta por James Newton Howard, mesclando notas futurísticas e que remetem à expansão marítima e aos filmes de piratas.


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