CRÍTICA | Minha Vida de Abobrinha

Direção: Claude Barras
Roteiro: Céline Sciamma
Elenco: Gaspard Schlatter, Sixtine Murat, Paulin Jaccoud, Michel Vuillermoz, entre outros
Origem: França / Suíça
Ano: 2016


Se a maioria das animações atuais permeiam entre loucuras visuais e ações frenéticas, o stop motion continua abraçando o que faz de melhor: o intimismo. Minha Vida de Abobrinha (Ma Vie de Courgette, 2016) se vale dessa sutileza presente na técnica, para tratar com delicadeza sobre temas nada doces.

A produção franco-suíça concorreu ao Oscar de melhor animação em 2017. Dirigida por Claude Barras (Chambre 69), nos apresenta Icare, um menino de 9 anos que lida com a ausência do pai e o difícil convívio com a mãe alcoólatra. Isolado em um pequeno sótão, Abobrinha (como ele mesmo gosta de ser chamado) se vê tendo que desbravar um novo mundo após se envolver no acidente que leva sua mãe a falecer.

Órfão, ele se apresenta ao policial Raymond, que o leva até um orfanato no interior da França. Lá encontra um mundo de novas realidades. Filhos de pais drogados, exilados, loucos, abusivos. Apesar de cada criança se encontrar em um estado da vida, todas partilhavam da mesma dor que essa ausência causava. A dureza e pesar dos temas contrasta com a sutileza que Barras demonstra ao abordar cada um deles.


“Minha mãe dizia que meu pai gostava demais das galinhas dele”, diz o protagonista em determinado momento, ao tentar explicar o porquê de ter uma pintada em sua pipa. Abobrinha não faz ideia, poe exemplo, de que ela falava do lado “mulherengo” do ex-marido. O tipo de inocência que permeia a obra de forma contagiante.

Endossado por um lindo visual, que sabe utilizar de suas cores e seus personagens expressivos, é mesmo no carinho da narrativa que Minha Vida de Abobrinha conquista. A única vírgula fica para o pouco tempo de duração, pois seus 70 minutos acabam prejudicando no desenvolvimento de algumas das crianças, diminuindo o impacto da obra.

Entender nossos medos e aprender a superá-los é etapa obrigatória do amadurecimento da vida. Pode parecer difícil no começo, mas nada que mesmo um “Abobrinha” não consiga tirar de letra.

Bom


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Eduardo Fernandes é jornalista, adora Mary e Max e também quer ver neve um dia.

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