Wet Hot American Summer: Dez Anos Depois


Roteirizado por David Wain e Michael Showalter, com direção de Wain, Wet Hot American Summer: Dez Anos Depois narra as aventuras do grupo de monitores do famoso acampamento de verão, Firewood, dez anos após seu último encontro no local, em 1981. Disponibilizados no último mês de agosto, os 8 episódios da série original Netflix, portanto, são ambientados em 1991 e funcionam como uma sequência para o filme de 2001.

Os apreciadores do clássico cult, porém, não podem deixar de levar em consideração que a mesma Netflix já havia lançado, em 2015, uma prequel para a estória. Sendo assim, vários arcos que acompanham as personagens na série mais recente acabam referenciando não somente o filme, mas também as loucuras acontecidas no "primeiro dia de acampamento”.

Com exceção de algumas estrelas (como, por exemplo, Bradley Cooper) a maioria do elenco regressa para fazer e acontecer no universo ilogicamente hilário de WHAS. Aliás, a própria explicação da personagem de Cooper ter mudado tanto em 10 anos serve como motivo de piada. Uma rinoplastia com certeza poderia alterar alguns traços, mas jamais faria Cooper ficar parecido com Adam Scott (Parks and Recreation), que o substitui como Ben. Porém, num universo em que uma lata de legumes não apenas fala como é a responsável por trazer integrantes que, por motivos outros não queriam vir ao reencontro, a explicação dada para a nova fisionomia do personagem funciona justamente por ser esdrúxula.

Crédito: Saeed Adyani / Netflix

Apesar de a nova série não ser tão boa quanto o filme ou sua prequelWHAS: Dez Anos Depois arranca risadas genuínas em vários momentos, não somente graças ao roteiro nonsense, mas, principalmente, pelos atores que encarnam bem as ridículas personagens. Em uma das mais engraçadas sequências dessa temporada, por exemplo, Courtney, interpretada por Kristen Wiig (Caça-Fantasmas), exibe-se como uma musicista de vanguarda em uma festa do acampamento rival, Tiger Claw. É só uma breve participação e a personagem não ajuda a estória a avançar em nada, mas Wiig entrega brilhantemente e é praticamente impossível não morrer de rir com sua atuação.

Talvez o que faça a série não ser tão engraçada quanto seus predecessores seja aquilo mesmo que a define, isto é, o “envelhecimento” das personagens. Sim, ainda estamos num universo ilógico que coloca atores muito mais velhos para interpretar jovens adultos, mas jovens adultos são babacas se continuam a agir como adolescentes. Obviamente que o humor de WHAS vem justamente do ridículo que é cada um dos antigos monitores e do roteiro bizarro, mas uma das coisas que encantam nas obras anteriores é a nostalgia provocada por referências dos anos 80. Perdemos  muito disso agora. Embora referências a clássicos dos anos 90, como A Mão que Balança o Berço (Curtis Hanson), por exemplo, existam, ainda que não sejam tão bem utilizadas como poderiam.

Infelizmente, Wet Hot American Summer: Dez Anos Depois não é tudo aquilo que os fãs de Showalter e Wain esperavam. Se por um lado é divertido voltar ao acampamento Firewood, por outro, assim como às vezes acontece na vida real, o reencontro dos amigos de outra época parece um pouco sem propósito. É fácil devorar os 8 episódios dessa temporada e, ao final, não bate aquele sentimento de “tempo perdido”. Contudo, também não bate o sentimento de “quero mais”. 

Crédito: Saeed Adyani / Netflix

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Lívia Campos de Menezes é apaixonada por filmes, séries e boa música (leia-se rock'n'roll). Adora ler e viajar. Desde 2015 mora nos Estados Unidos, onde faz MFA em Cinema na UNC School of the Arts.

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