As adaptações de Stanley Kubrick odiadas pelos autores


Como grande amante da literatura, boa parte da filmogafia de Stanley Kubrick (De Olhos Bem Fechados) nasceu de adaptações de obras literárias. Muitas delas foram sucesso de crítica e hoje possuem status de clássico, contudo, nem sempre o diretor conseguiu agradar os autores daqueles materiais.

Mudanças nos roteiros, escalação de atores ou mesmo a tradução de ideias diferentes do que realmente o escritor gostaria de passar para o público. Essas divergências geraram grandes atritos em três filmes importantes de Kubrick, que tiveram uma recepção nada agradável pelos escritores das obras originais.


Lolita, de Vladimir Nabokov


Escrito pelo russo Vladimir Nabokov, o romance de 1955 se tornou famoso por conta do seu tema controverso. O narrador da história é um homem de meia idade, Humbert Humbert, que se apaixona e se envolve sexualmente com sua enteada de 12 anos, Dolores Haze, a Lolita.

Em 1962, Kubrick foi responsável por adaptar o livro para os cinemas. James Mason (Nasce Uma Estrela) ficou com o papel do protagonista, enquanto a jovem Sue Lyon (A Noite do Iguana) fez sua estreia nas grandes telas aos 14 anos. No seu lançamento, o longa dividiu os críticos por conta do seu tema, mas anos depois passou a ter status de cult.

O longa passou por algumas adaptações para não enfrentar tantos problemas com a Motion Picture Association of America (MPAA), muito em função de sua premissa, porém, a reclamação de Nabokov em relação a adaptação motivou-se pelas grandes modificações da história originalmente escrito por ele. Kubrick teria ignorado boa parte de seu trabalho, além de iniciar seu filme com o final do livro.


Laranja Mecânica, de Anthony Burgess


Publicado em 1962, Laranja Mecânica é uma importante obra do inglês Anthony Burgess. Alex DeLarge é um delinquente juvenil que vive em uma sociedade britânica distópica. Ao ser preso, para encurtar sua pena, ele concorda em participar de um tratamento especial para curar seu comportamento violento.

Em 1971, Kubrick lançou a adaptação dessa controversa história. Malcolm McDowell (Calígula) interpretou o protagonista, em um longa marcado por sua violência e apelo sexual. Mesmo sendo censurado em diversos países, incluindo o Brasil, ele foi bem recebido pela crítica. No ano seguinte, chegou a concorrer ao Oscar na categoria Melhor Filme.

E foram justamente as características que impressionaram o mundo que fizeram Burgess detestar a adaptação. Para o autor, Kubrick apenas destacou a violência e o sexo de sua história. Além disso, o capítulo final do livro, com a redenção do personagem, foi cortado do longa, deturpando ainda mais a real mensagem que o escritor gostaria de passar ao leitor.

Vale uma curiosidade bizarra aqui. Durante uma adaptação de Laranja Mecânica para o teatro, Burgess inseriu uma cena em que Alex e seus “droogs” agridem um personagem com características físicas idênticas as de Kubrick, evidenciando o grau de rancor de escritor.


O Iluminado, de Stephen King


Uma das mais cultuadas obras de Stephen King chegou às livrarias em 1977. O livro conta história de Jack Torrance, um aspirante a escritor que aceita o emprego de zelador de um hotel durante a baixa temporada. Após se mudar com a família para o local, ele descobre que seu filho possui habilidade psíquicas que permitem ver o passado do hotel. Para “completar”, forças sobrenaturais começam a afetar a sanidade do protagonista.

Toda essa atmosfera densa foi levada para as telas por Kubrick em 1980. Jack Nicholson (Chinatown) foi escalado como protagonista e Shelley Duvall (Annie Hall) escolhida para interpretar sua esposa. O longa recebeu críticas mornas no seu lançamento, mas o tempo passou, fazendo com que o público cultuasse o filme. Hoje, O Iluminado aparece em toda lista dos maiores filmes de terror já feitos.

King, por sua vez, nunca escondeu o quanto desgosta da adaptação. Para o autor, Kubrick não conseguiu passar o clima sobrenatural do Hotel Overlook, assim como os atores não souberam retratar seus personagens. Segundo ele, Nicholson fez Torrance parecer um alucinado e que Shelley apenas sabia gritar em cena. Por fim, ele também considera o maior defeito do longa o fato do final ser bem diferente do livro.

E você? Já assistiu aos filmes e leu os livros? De que lado você fica nessa briga?

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