CRÍTICA | Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola

Direção: Fabrício Bittar
Roteiro: Danilo Gentili
Elenco: Danilo Gentili, Carlos Villagrán, Moacyr Franco, Fábio Porchat, Daniel Pimentel e Bruno Munhoz
Origem: Brasil
Ano: 2017


O politicamente correto impera em tempos atuais. Basta você fazer uma piada de humor negro em suas redes sociais e certamente uma discussão será gerada entre aqueles que defendem esse tipo de humor e os que repudiam, quase nunca chegando a um denominador comum, que de certo não existe. Eu, particularmente, penso que o excesso de pudor poda a criatividade, e isso nunca é bom quando falamos de artes como literatura e cinema.

Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola é uma adaptação do livro homônimo escrito pelo humorista e apresentador Danilo Gentili (Mato Sem Cachorro), que também estrela o filme, conhecido justamente por seu humor ácido e "anarquista", por assim dizer. A trama acompanha dois garotos que estão prestes a se formar no ensino fundamental, Bernardo (Bruno Munhoz) e Pedro (Daniel Pimentel), e que, após encontrar uma caixa cheia de bugigangas dos anos 80, resolvem partir em busca do dono (Gentili) para então se tornarem os piores alunos da escola. Uma premissa tola, mas que se bem desenvolvida, poderia soar interessante.

Podem esperar por piadas de mal gosto, humor escatológico, sem censura ou qualquer pudor (há piadas até com pedofilia). Essa é a proposta do longa. No entanto, ao produzir o politicamente incorreto pelo politicamente incorreto, a obra se perde em não passar qualquer mensagem ao seu espectador, por menor que fosse. Torna-se então um filme vazio, sem grandes atrativos, ainda que claramente tente trazer um certo saudosismo dos anos 80 a sua narrativa, sem grande sucesso.

Crédito: Paris Filmes

Tecnicamente falando, Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola é competente, exceto pela sua péssima mixagem de som. Todas as cenas em que há diálogos com uma trilha sonora ao fundo, são muito mal balanceadas, com a música sempre sobrepondo a fala dos atores, tornando quase impossível ouvir o que estão falando em tela, especialmente se levarmos em conta que a dicção da dupla protagonista não é tão boa.

Se há algo a se destacar, certamente é a atuação de Moacyr Franco (O Palhaço), que vive o faxineiro da escola, um personagem sem qualquer pudor, cheio de vícios e que expele um palavrão a cada duas palavras. Uma persona que nunca imaginaríamos ser vivida por Franco, e que, graças a seu talento, rouba todas as cenas que participa. É também interessante ver Carlos Villagrán (Chaves), interpretando um papel diferente do Quico, pra variar.

Os protagonistas também não comprometem no que diz respeito a atuação, mas o mesmo não podemos dizer de Gentili. Como humorista e apresentador, a quem goste  e quem desgoste de seu trabalho. Eu, pessoalmente, não sou fã de seu trabalho, porém também não repudia. O certo é que, como ator de cinema, falta carisma e talento. Fica evidente a marcação das falas em seus diálogos, algo que diminui um personagem que, na teoria, deveria ser o mais interessante da história. Ainda que uma piada ou outra funcione.

Crédito: Paris Filmes

Em determinado momento do filme, dois personagens quebram a quarta parede e olham para a câmera, chamando, literalmente, o público de idiota por estar assistindo tudo aquilo. Se isso não diz tudo, o que mais eu vou dizer? 

Ruim

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