CRÍTICA | A Guerra dos Sexos

Direção: Jonathan Dayton e Valerie Faris
Roteiro: Simon Beaufoy
Elenco: Emma Stone, Steve Carell, Sarah Silverman, Bill Pullman, Alan Cumming, Elisabeth Shue, entre outros
Origem: EUA / Reino Unido
Ano: 2017


Sabe aquelas frases como "lugar de mulher é na cozinha” ou “homem consegue suportar pressão, mulher não”? Pois bem, a cultura machista ainda está, lamentavelmente, presente em nosso cotidiano, ainda que a mulher tenha conquistado cada vez mais espaço e provado seu valor. E se as coisas estão assim hoje, você tem ideia de como era o preconceito e a discriminação na década de 70? Baseado em um famoso episódio da história recente dos Estados Unidos, A Guerra dos Sexos, que dá título ao filme, foi um acontecimento emblemático, que significou a luta pela igualdade de gênero e a implementação dos ideais feministas.

Billie J. King (Emma Stone), número um do ranking mundial no tênis feminino, está em constantes duelos, não apenas dentro de quadra, mas também fora dela. Billie é a líder na luta pela igualdade de direitos entre as mulheres, e vive em pé de guerra com Jack Kramer (Bill Pullman), principal organizador do Torneio de Tênis do Pacífico Sudoeste. Para ele, os homens merecem ganhar prêmios maiores por jogarem mais, apresentarem maior competitividade e por saberem lidar melhor com a pressão. Já a tenista não enxerga por esse ângulo, exige equiparação na premiação e mais apoio para a modalidade, o que é imediatamente negado. Partindo dessa premissa, a protagonista precisará de todas as suas habilidades e energias, não só para vencer no tênis, mas também para conquistar coisas ainda mais grandiosas, por mundo mais justo. 

Crédito: Fox Film

Do outro lado da trama temos Bobby Riggs (Steve Carell), um tenista aposentado de 55 anos que está distante dos holofotes e que se mostra disposto a voltar à mídia. Com toda sua fanfarronice e seu jeito bufão, Bobby resolve aproveitar o momento de sucesso de Billy J. King e da popularidade do movimento feminista e propõe a realização de uma partida de exibição, com direito a prêmio de US$ 100 mil para o vencedor e cobertura do evento em horário nobre. Ele também chama a atenção por saber explorar bem seu lado marqueteiro e debochado, se autointitulando “porco chauvinista”, além do uso de adereços espalhafatosos. Bobby quer mostrar que tem condições de vencer qualquer adversário, apesar de sua idade avançada e forma física.

Antes que o embate entre os dois ocorra, as vidas privadas dos competidores são devidamente exploradas, para uma melhor contextualização da história e para o envolvimento do espectador com a narrativa. Tudo é feito com precisão, a estética é primorosa, com embelezamento e romantismo. Os momentos dramáticos que Billy e Bobby vivem, a primeira com o peso da responsabilidade de lutar por uma causa que envolve grandes esforços e muita coragem; e o segundo com problemas conjugais e vício em jogos de azar; trazem mais tensão e preparam o espectador para o que vem adiante, um duelo de titãs, com muitas provocações, hostilidades e temor pelo risco de insucesso. Há um equilíbrio na retratação do cotidiano dos dois personagens centrais, e as interações dos personagens secundários valorizam ainda mais a narrativa. 

No que tange às atuações, Emma Stone (La La Land) consegue imprimir força e versatilidade com sua personagem, inicialmente perdida e afrontada, mas que posteriormente se torna forte e empoderada. Também são latentes seu carisma e graciosidade, bem como as expressões corporais, com muita firmeza na forma como reage às adversidades. O comportamento demonstrado em quadra, seja pela força física ou psicológica, nos mostram uma Billie J. King mais fortalecida quando atingida, e o conjunto da obra faz todos se identificarem e torcerem por ela. Steve Carell (Café Society), por sua vez, também se destaca, interpretando um homem de jeito peculiar e caricato, que não está preocupado com os ideais femininos, focando apenas em armar um circo midiático e ganhar bastante dinheiro. A veia cômica, característica inerente a Carell, ajuda na composição e, sem dúvida, vamos do céu ao inferno com Riggs, seja por conta de seu jeito fanfarrão, momentos engraçados numa mesa de apostas, ou nos momentos de preparação para o grande jogo, com as cômicas fantasias e adereços.

Crédito: Fox Film

O trabalho dos diretores Jonathan Dayton e Valerie Faris (Pequena Miss Sunshine) merece ser reverenciado, pois conseguem entregar ao público uma comédia com alguns bons momentos dramáticos, além de levantar a questão da igualdade de gêneros, tema ainda muito pertinente em dias atuais, visto que as mulheres merecem todo respeito e admiração. Além disso, a escolha de conduzir a narrativa sob o ponto de vista de Billie é outro acerto, permitindo que o expectador se com ela e torça, não apenas pela vitória no jogo de tênis, mas que alcance seu objetivo fora das quadras.

A Guerra dos Sexos é um filme desafiador, que fará você sentir uma enorme carga emocional não só pelo trabalho de seu elenco, mas também pela temática proposta. As mulheres, que já estão acostumadas a enfrentar grandes batalhas e alcançar grandes feitos, estão prontas para os próximos desafios.

Excelente

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