CRÍTICA | How to Talk to Girls at Parties

Direção: John Cameron Mitchell
Roteiro: John Cameron Mitchell e Philippa Goslett
Elenco: Elle Fanning, Nicole Kidman, Matt Lucas, Alex Sharp, entre outros
Origem: Reino Unido / EUA
Ano: 2017


How to Talk to Girls at Parties é uma adaptação dirigida por John Cameron Mitchell (Reencontrando a Felicidade), baseada no conto de mesmo nome, escrito por Neil Gaiman (Sandman). Trata-se de uma história divertida, surrealista e com a importante premissa de que podemos ser facilmente enganados pelas aparências. O longa se passa no subúrbio de Croydon, em Londres, em meados dos anos 70, época em que o movimento punk atingiu um alto grau de popularidade no país.

Os jovens Enn (Alex Sharp) e Vic (Abraham Lewis) são fãs de punk rock, o primeiro muito tímido e não leva jeito para conversar com garotas, o segundo é justamente o oposto. As habilidades de Vic fazem com que ele, Enn e John (Ethan Lawrence) entrem em uma festa cheia de pessoas descoladas, exóticas e, claro, admiradores do cenário punk, com o único intuito de conhecerem lindas garotas e curtirem a noite. Os três são recebidos por Stella (Ruth Wilson), uma jovem de aparência estranha, mas que não desperta suspeita nos três rapazes. Durante a festa, todos conversam com muitas meninas, inclusive Enn, o rapaz introvertido, que acaba se apaixonando por Zan (Elle Fanning), uma garota que, ele viria a descobrir depois, é de outro planeta, algo que desencadeia muitos conflitos interessantes.

Crédito: Festival do Rio

O roteiro se mostrou fiel ao conto de Gaiman, trazendo contornos bem interessantes para a trama, como a maneira como Zan tenta se socializar com nossa civilização, após ter fugido de seu grupo para dar um passeio pela galáxia. Com um humor inocente e que rende muita diversão, ela aos poucos vai aprendendo com Enn e seus amigos sobre os costumes da Terra. Há também certa estranheza, para nós é claro, na forma como sua espécie prega a perpetuação da espécie.

Os cenários propõem ao expectador uma viagem para outra dimensão, utilizando de recursos gráficos para retratar a viagem da Primeira Colônia para nossa galáxia. Os figurinos impressionam por serem bastante exóticos, bebendo muito do cenário punk contextualizado. Há cenas ricas visualmente, com movimentos bem construídos e sincronizados, especialmente nas coreografias das músicas e canções da festa. 

Deve-se destacar o elenco, em especial Alex Sharp (O Mínimo Para Viver) e Elle Fanning (Demônio de Neon), que funcionam muito bem em cena como esse casal extra espacial. Menção honrosa também para Nicole Kidman (Lion) como a Rainha Bodicea, espécie de dona da festa, que convence e ilustra uma postura firme e sem embaraços de uma líder do movimento punk. Já o núcleo secundário mostra-se surpreendente pela imprevisibilidade das atitudes dos membros da Primeira Colônia, contribuindo para que o filme não se esgotasse antes do ato final. Os 104 minutos de projeção passam despercebidos, muito em função do trabalho dos atores.

Crédito: Festival do Rio

Uma obra com bom humor, ficção e com um pouco do que representa o cotidiano, com jovens descolados, adeptos da curtição, e outros com sérias dificuldades de comunicação com as mulheres. Assim é How to Talk to Girls at Parties, um longa diferente, de belo plano estético e que proporciona identificação.

Ótimo

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