CRÍTICA | Mark Felt: O Homem Que Derrubou a Casa Branca

Direção: Peter Landesman
Roteiro: Peter Landesman
Elenco: Liam Neeson, Diane Lane, Josh Lucas, Maika Monroe, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2017


Depois de se destacar na década passada no gênero de ação, Liam Neeson (A Lista de Schindler) emplaca, em menos de um ano, seu terceiro filme dramático. Após Silêncio e Sete Minutos Depois da Meia-Noite, o ator volta aos holofotes no papel de Mark Felt, o responsável por delatar o caso "Watergate", que culminou na renúncia do presidente norte-americano Richard Nixon. Um dos casos mais icônicos e escandalosos de todos os tempos, e que é retratado nesse O Homem Que Derrubou a Casa Branca.

Dirigido por Peter Landesman (Um Homem Entre Gigantes), o longa nos apresenta Felt (Neeson), vice-presidente do FBI, responsável por informar a dois jornalistas do Washington Post, sobre o enorme escândalo político, que consistiu na invasão ao comitê do Partido Democrata no edifício Watergate, em junho de 1972. Durante a campanha eleitoral daquele ano, cinco pessoas foram presas sob a acusação de tentativa de fotografar documentos e de instalar escutas telefônicas no escritório dos democratas, com a possível ciência de Richard Nixon. Sob o codinome "deep throat" (garganta profunda), Felt manteve encontros com os dois profissionais e repassava as informações que sabia, tudo às escuras, até o momento em que a Casa Branca passou a desconfiar do que se passava, e a espionagem ganhou proporções cada vez maiores e perigosas, ameaçando inclusive a família de Felt.

Crédito: Diamond Films

Você pode estar pensando que já assistiu esse filme antes em Todos os Homens do Presidente (1976), longa dirigido por Alan J. Pakula (A Escolha de Sofia) e vencedor de quatro Oscars. No entanto, a obra icônica de Pakula foca sua atenção no trabalho dos profissionais do jornal norte-americano, e não figura do "garganta profunda".  Landesman, que também assina o roteiro, traz uma nova visão da história, não apenas retratando o escândalo, mas também mostrando a trajetória profissional e pessoal de Mark Felt, bem como seu espírito de liderança, personalidade forte e como administrava conflitos, principalmente nas discussões mais calorosas que tinha com sua esposa Audrey (Diane Lane) e a filha Joan (Maika Monroe).

Ainda sobre o roteiro, temos aqui um retrato fiel dos fatos, com as respectivas prisões, os encontros entre Felt e os jornalistas, a intervenção da CIA nas investigações, bem como o temor e todas as estratégias tomadas pelos membros da Casa Branca para barrar as apurações feitas em relação aos escândalos nas vésperas da eleição presidencial. O conjunto de ações apresentam um ritmo equilibrado na narrativa, possibilitando uma fácil compreensão dos acontecimentos. Assim como a montagem, que favorece a separação entre a vida privada e profissional de Felt. É como se o espectador se deparasse com duas narrativas, mas uma dependendo da outra.

Neeson, como já era de se esperar, se destaca, apresentando uma faceta desconhecida de Mark Felt, sempre de semblante fechado e olhar enigmático, não permitindo que saibamos seus pensamentos. Essa personalidade transmitida não só valoriza o filme, como também prende a atenção do espectador, que fica ansioso para saber os próximos passos do protagonista, ainda que a história seja bastante conhecida. Não se trata apenas de um drama de espionagem, mas um retrato de um homem forte, responsável, pautado por princípios éticos e que não mede esforços para atingir seus objetivos e proteger quem ama, tudo isso sem deixar de ser vulnerável.

Crédito: Diamond Films

Diane Lane (Batman vs. Superman: A Origem da Justiça), por sua vez, demonstra a segurança de sempre como um dos alívios da trama, tendo em vista a atmosfera devastadora e sinistra que permeia o filme ao longo de seus 103 minutos.

Didático, emocionante e avassalador, assim defino Mark Felt: O Homem Que Derrubou a Casa Branca. Um filme que agradará os apreciadores de um bom drama de espionagem, mas que também chamará a atenção daqueles que adoram uma boa biografia. Se deseja dar um passeio pela história e ver atuações competentes, essa é a pedida.

Ótimo

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