CRÍTICA | Deserto

Direção: Jonás Cuarón
Roteiro: Jonás Cuarón e Mateo Garcia
Elenco: Gael García Bernal, Jeffrey Dean Morgan, Alondra Hidalgo, entre outros
Origem: México / França
Ano: 2015


Deserto (Desierto) é o novo longa de Jonás Cuarón (Aningaaq), filho do cineasta Alfonso Cuarón (Filhos da Esperança), eles que já haviam trabalhado juntos, quando escreveram o roteiro de Gravidade (2013). Dessa vez, ele nos apresenta uma história que se encaixa perfeitamente no cenário que os EUA se encontra atualmente.

Acompanhamos a trajetória de Moises (Gael García Bernal), um mexicano que está tentando cruzar o deserto que leva até fronteira norte-americana. Nesse deserto habita Sam (Jeffrey Dean Morgan), um cidadão norte-americano que tomou a decisão de patrulhar a área deserta com o intuito de matar qualquer imigrante ilegal que tente cruzar a fronteira.

A premissa é simples e o roteiro não perde tempo aprofundando a vida de cada cada personagem, sejam eles os imigrantes que estão fazendo a travessia, ou o próprio personagem de Jeffrey Dean Morgan (The Walking Dead). Ainda assim o ator consegue nos entregar um personagem frio, calculista e xenofóbico, deixando claro o ódio que possui pelos invasores de "seu território". A tensão toma conta da narrativa logo de início, pois o caçador está armado de um rifle de longo alcance e possui um cão de caça treinado para perseguir os imigrantes ilegais por planícies e rochedos, além disso, seu vasto conhecimento do território o torna ainda mais ameaçador.

Foto: Esfera Filmes

Grande parte do longa é focada exclusivamente na perseguição, porém, a direção de Jonás Cuarón permite que o suspense acompanhe o espectador a todo momento, utilizando de muita "câmera na mão" para trazer urgência às caçadas e explorando os ângulos abertos para mostrar a vastidão árida do deserto. Tudo isso contribui para que a obra tenha uma conclusão competente.

Vale mencionar também o trabalho do diretor de fotografia Damian Garcia (O Inferno), que enquadra belíssimas imagens das locações no deserto mexicano, capturando a hostilidade do ambiente. A imagem se traduz na trama, enfatizando a perseguição de "gato e rato" e possibilitando que o espectador "sinta" o local.

A situação atual dos EUA faz com que o filme, invariavelmente, tenha uma conotação política. Deserto fala sobre xenofobia e intolerância, sobre como muitos imigrantes ilegais, que em grande parte estão apenas buscando uma condição melhor de vida, são cruelmente assassinados para que não entrem em território norte-americano. Jonás pode ainda ser um cineasta em evolução, mas deixa uma mensagem contundente aqui.

Bom

Foto: Esfera Filmes

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