CRÍTICA | Viva: A Vida é Uma Festa

Direção: Lee Unkrich e Adrian Molina
Roteiro: Adrian Molina e Matthew Aldrich
Elenco: Anthony Gonzalez, Gael García Bernal, Benjamin Bratt, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2017?


A história da Pixar Animation Studios é recheada de jovens clássicos da animação e do cinema, isso não se discute. O que talvez se debata é a escolha do estúdio em produzir diversas sequências para suas obras, uma decisão muito mais financeira do que criativa, ainda que seja possível entender o motivo dessa escolha. Ainda assim, em meio as repetições, algumas obras verdadeiramente especiais são lançadas, como Divertida Mente (Inside Out, 2015) e a mais recente estreia, Viva: A Vida é uma Festa (Coco), que arrisco dizer, é uma das melhores coisas que o estúdio já fez.

Na trama acompanhamos Miguel (Anthony Gonzalez) um jovem garoto mexicano apaixonado por música, mas que pertence a uma família que abomina qualquer tipo de musicalidade. Isso acontece porque seu tataravô, que era músico, abandonou a esposa com uma filha pequena, fazendo com que a família desde então repudiasse qualquer coisa vinda da música. Lutando contra suas origens e levado por sua paixão, Miguel resolve participar do festival de música da cidade, durante o tradicional Dia dos Mortos, e para isso, toma emprestado o violão de Ernesto de la Cruz (Benjamin Bratt), um famoso cantor mexicano falecido e que ele acredita ser seu antepassado. O que ele não esperava é que, ao dedilhar o instrumento pela primeira vez, seria transportado para o mundo dos mortos.

Desse momento em diante a Pixar nos leva para uma viagem apaixonante, visitando ambientes e personagens repletos de vida, por mais irônico que isso possa parecer. O universo construído e a forma como o roteiro ensina sobre a tradição mexicana do Dia dos Mortos, para adultos e crianças, é de se aplaudir. Pessoalmente, posso dizer que pela primeira vez compreendi essa tradição dos nossos irmãos latinos, e o quanto isso significa para eles. Se antes tudo me parecia macabro demais, agora, há um contexto totalmente diferente, que Viva nos ajuda a enxergar.

Foto: Disney / Pixar

Tecnicamente falando a animação é impecável, algo redundante quando falamos da Pixar, mas que é impossível não citar, visto que é sempre impactante ver como as técnicas de animação evoluíram desde o saudoso Toy Story (1995). Há momentos em que, se os personagens não tivessem traços cartunescos, seria impossível distinguir realidade de efeito digital. Além disso, o longa aproveita da tradição mexicana para utilizar muitas cores na criação de um espetáculo visual de encher os olhos, sempre de forma muito criativa.

Se isso não bastasse, o filme ainda reforça valores importantes na vida de todos nós, especialmente aqueles que dizem respeito ao elo familiar. Não quero entrar em detalhes para não dar spoiler, mas a solução que encontraram para o desfecho da narrativa é inteligente e emocionante. Como costumo brincar, “salguei a pipoca com as minhas lágrimas” e tenho certeza que muita gente também o fará, pois trata-se de uma história que meche com a gente, com nossas raízes e a importância que damos à aqueles que amamos.

Viva: A Vida é uma Festa é um acerto em cheio da Disney/Pixar, daqueles que devem ficar marcados na memória da gente por muito tempo. Eu sei que na minha ficará.

Ótimo

Foto: Disney / Pixar

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