Caminhos do Cinema de Terror | A Polêmica do Pós-Terror


Imagine a seguinte situação: você vai ao cinema assistir aquele filme de terror que a crítica especializada está adorando. Antes disso, é claro, você deu uma olhada no trailer, que vendia a história como a mais assustadora de todos os tempos. Na sessão, você espera ansiosamente (ou não) por muitos sustos, um pouco de sangue e talvez alguma aparição demoníaca. Lá dentro, porém, a experiência é outra, já que todos esses clichês do gênero não aparecem com frequência na telona. Uma bela surpresa ou uma grande decepção para o público, os filmes do chamado pós-terror já são considerados, por muitos, o futuro do gênero no cinema.

Como surgiu o termo?

O termo “pós-terror” foi criado pelo jornalista Steve Rose e usado, pela primeira vez, em um de seus artigos no The Guardian em 2017. No texto, ele analisava vários filmes de terror independentes que fugiam das convenções já tão conhecidas, e batidas, do gênero. Obras como A Bruxa (The Witch, 2015) e Corrente do Mal (It Follows, 2014) foram classificadas como exemplos do pós-terror, pois apostam em roteiros mais originais e bem desenvolvidos, sem usar os jumps scares como bengalas para gerar sustos no público.

A polêmica

A grande problemática no uso do termo é que ele vem servindo apenas para rotular e dar um selo de qualidade a determinados filmes, desmerecendo outros trabalhos. É preciso pensar, contudo, que já existiam obras clássicas que quebravam paradigmas do gênero em suas épocas como, por exemplo, O Iluminado (The Shining, 1980). Isso sem contar, que alguns filmes blockbuster de terror ainda conservam a qualidade do roteiro, mesmo se valendo de clichês. 

A forma como esses filmes são apresentados ao público também vêm gerando problemas como ocorreu, por exemplo, com A Bruxa. Toda a campanha de divulgação e os trailers vendiam a obra do estreante Robert Eggers como um filme recheado de muitos sustos e momentos de suspense. Isso resultou em uma decepção para muitos que assistiram a obra, já que a grande jogada da trama é explorar o terror através do psicológico de seus personagens e não com sustos ou monstros fantásticos. 

E o futuro do terror?

Ao estudar um pouco sobre o cinema de terror, é possível perceber que ele já vivenciou vários ciclos como, por exemplo, o sucesso dos filmes de serial killer no início dos anos 90. Essa capacidade de se transformar demonstra que a renovação faz parte do gênero, que se mantém sempre atrativo ao público de alguma maneira. Os filmes do chamado pós-terror representam apenas mais uma safra de longas que testam novos recursos para atrair a audiência, e não devem ser encarados como melhores ou superiores ao bom e velho terror explícito.

Para ler a íntegra do artigo escrito por Steve Rose, basta clicar AQUI. Concordando ou não com o termo, selecionamos três filmes imperdíveis para os fãs do gênero.


A Bruxa (The Witch, 2015)


Nova Inglaterra, década de 1630. Quando uma família é expulsa por diferenças religiosas da comunidade onde mora, o casal e suas cinco crianças se veem obrigados a morar à beira de um bosque, isolados de todos. Um dia, o bebê recém-nascido desaparece. Teria sido devorado por um lobo ou sequestrado por uma bruxa? É o desenrolar dessas questões que o público acompanha no filme dirigido pelo estreante Roger Eggers e protagonizado por Anya Taylor-Joy (Fragmentado).


Corra! (Get Out, 2017) 


Abordando questões raciais e sociais, o filme Corra! vem se destacando nas premiações de 2017. Chris (Daniel Kaluuya) é um fotógrafo negro que está prestes a conhecer a tradicional família de sua namorada Rose (Allison Williams). O encontro, porém, toma rumos inesperados quando o jovem percebe que há algo errado com os pais dela.


Ao Cair da Noite (It Comes at night, 2017)


Em um futuro pós-apocalíptico, uma família vive enclausurada em uma casa na floresta, o que parece ser o refúgio perfeito para se proteger do perigo que tomou conta do planeta. Porém, a dinâmica familiar é perturbada com a chegada de um desconhecido que pede abrigo no local. Com um orçamento pequeno, o filme conseguiu conquistar 88% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes (e somente 44% da audiência).

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