CRÍTICA | Gaby Estrella: O Filme

Direção: Cláudio Boeckel
Roteiro: Carina Schulze
Elenco: Maitê Padilha, Barbara Maia, Adriana Prado, entre outros
Origem: Brasil
Ano: 2018


Seriado que durou três temporadas no canal por assinatura Gloob e voltado para o público infanto-juvenil, Gaby Estrella ganhou sua adaptação para as telonas e assume a difícil missão de não apenas manter sua audiência cativa, mas também de conquistar plateias compostas por pessoas de outras faixas etárias. Essa é a árdua missão de Gaby Estrela: O Filme, a estreia de Cláudio Boeckel na direção de longas-metragens, ele que trabalhava na função, até então, nas telenovelas.

Gaby (Maitê Padilha) é uma cantora pré-adolescente de muito sucesso, líder das paradas, com números impressionantes de seguidores e likes nas redes sociais. Porém, seu reinado começa a ser ameaçado por Natasha (Luiza Prochet), novo fenômeno musical que ultrapassa todos os recordes usando roupas e músicas provocativas, relegando Gaby Estrella para a nona colocação entre os melhores artistas de sua gravadora. Paralelamente a isso, a garota recebe um telefonema urgente de sua mãe, que afirma que sua avó, Laura Estrella (Regina Sampaio), está com a saúde bastante debilitada e gostaria muito de matar as saudades da neta. Com isso, a solução encontrada pela gravadora para brecar a ascensão de Natasha e recuperar o prestígio de Estrella, seria o de realizar um reality show na própria fazenda da família da protagonista.

O roteiro oferece uma série de premissas que tinham tudo para serem bem desenvolvidos e conectados, mas não é bem o que acontece. Um bom exemplo é a rivalidade entre Gaby e a prima , Rita de Cássia (Bárbara Maia). Não se sabe o que levou uma a odiar a outra, a ponto de quase irem às vias de fato e se envolverem em constantes discussões, inclusive diante da avó, que de prontidão já se apresenta para aparar as arestas. A narrativa é bem dispersa, não há tempo para o espectador respirar, uma sequência de eventos é apresentada logo após a outra, sem qualquer preparação: o interesse amoroso de Gaby, a vontade da garota em participar de um dos eventos mais importantes de sua carreira, o passado esquecido da avó Laura. Tudo jogado na tela com o intuito de entreter, mas sem desenvolvimento, só causa cansaço antes desfecho.

Foto: Downtown Filmes

Para não destacarmos apenas os defeitos, devo ressaltar o carisma dos personagens e as mensagens de otimismo e motivação transmitidas. Parece clichê, mas as mensagens de que “tudo acontece no momento que tiver que acontecer” e “sejam sempre vocês mesmos” nunca ficam velhas, e mesmo que sejam batidas para alguns, funcionam e cativam o público.

Maitê Padilha (O Rico e o Lázaro) é uma boa atriz para sua geração, sua série original funciona muito bem entre as crianças e adolescentes, porém, no momento de se apresentar em uma nova mídia, lhe falta experiência. Faltou naturalidade a jovem atriz para passar emoção aos espectadores, ainda que o roteiro pouco inspirado e a superficialidade dos conflitos também não tenham ajudado muito sua missão.

Certamente inspirado nos fenômenos iCarly e Hannah Montana, que tiveram a proposta de alcançar públicos maiores, Gaby Estrella: O Filme falha como longa-metragem. E apesar de carregar "estrela" no nome, carece de brilho na grande tela, o que é um tanto decepcionante, visto que havia ali potencial junto ao público infanto-juvenil.

Regular

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