CRÍTICA | O Espelho

Direção: Mike Flanagan
Roteiro: Mike Flanagan e Jeff Howard
Elenco: Karen Gillan, Brenton Thwaites, Katee Sackhoff, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2013


Lançado em 2013, O Espelho (Oculus) foi uma das primeiras produções com a atriz Karen Gillan (Guardiões da Galáxia Vol. 2) que me fizeram enxergar seu potencial com atriz, além de seu trabalho como Amy Pond, em Doctor Who. Foi um filme do qual não esperava muita coisa, mas que me impactou, tanto que não saiu da minha cabeça durante todos esses anos, até que resolvi revisita-lo para escrever essa crítica.

Baseado em curta-metragem de mesmo nome, o longa tem direção de Mike Flanagan (Ouija: A Origem do Mal) e segue duas linhas temporais paralelamente: o presente e o passado dos protagonistas. No passado, temos a história da família Russell, que acaba de se mudar para uma nova casa e, junto com os móveis, há um antigo espelho. Desde a descoberta desse artefato, o clima na casa muda de forma estranha, ambos os pais parecem enlouquecer com a situação, até que acontece uma tragédia: ambos morrem e quem leva a culpa é o filho mais novo, Tim. Já no presente, vemos Tim já adulto, em um hospital psiquiátrico onde viveu todos esses anos. Ele aceita o fato de que ele é culpado pela tragédia, mas sua irmã mais velha não. Ao contrário de Tim, Kaylie (Gillan) se lembra dos acontecimentos sobrenaturais, e sabe da inocência do irmão. Traumatizada pela sua infância e em busca de vingança, a garota rastreia o antigo objeto e, quando finalmente o encontra, cria todo um plano para provar a todos a verdade.

A grande sacada do roteiro é fazer o espectador ficar dividido entre as diferentes visões do que de fato aconteceu naquela noite. Tudo que Kaylie relata do ponto de vista sobrenatural é desacreditado por seu irmão, que sempre encontra uma razão lógica. Seria até interessante se a obra desenvolvesse esse tipo de discussão com mais afinco, mas logo descobrimos quem de fato está certo.

Foto: PlayArte

Se você é fã de filmes de terror sangrentos, com torturas e sustos a todo momento, talvez O Espelho não seja uma boa escolha. O elemento principal da obra é a criação de tensão, que te faz ficar aflito com o que pode acontecer, fazendo sua mente criar diversos cenários diferentes para o que vem a seguir. Pessoalmente, é meu tipo preferido de terror: o psicológico. Vejamos, o vilão da história é um espelho e seu poder é usar nossos piores medos, nossos demônios internos, usando-os contra nós. Talvez o espelho não faça nada além de mostrar quem aquelas pessoas realmente são, uma analogia que pode perfeitamente ser empregada aqui. O espelho apenas liberta o que já existe dentro daqueles personagens.

Assim que o artefato entra em contato com a família, o pai começa a ter comportamentos estranhos e se isolar, ficando rude e agressivo com as crianças e com a esposa. A mãe, obviamente, fica chateada com a situação, mas tenta sempre relevar a situação, algo que se perde quando o espelho a influencia, perdendo o controle. As crianças, por sua vez, não apresentam comportamento diferente influenciados pelo objeto, provavelmente devido a pureza e inocência que apresentam.

Ao revermos a dupla adulta, a situação se modifica, pois começam a ter visões e agem conforme os fantasmas da tragédia do passado. Seus demônios interiores não são pensamentos assassinos ou  de maldade, mas sim o trauma que passaram naquela casa, 11 anos antes. É interessante pensar nisso pois seguindo essa ideia, O Espelho não é apresenta o clichê da maldição sobrenatural, mas sim um estudo sobre violência doméstica.

Foto: PlayArte

Estamos falando de um filme com roteiro bem estruturado, cujo competente trabalho de montagem não permite que o espectador fique confuso, mesmo com os contantes flashbacks que a obra utiliza. Recurso que só ajuda a criar a ilusão de que estamos na mesma posição de alucinação dos personagens, assim como a trilha sonora sutil, que cria tensão especialmente em sua ausência. Um filme que foge do convencional, e que pode te surpreender com seu desfecho.

Ótimo

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