CRÍTICA | Paddington 2

Direção: Paul King
Roteiro: Paul King e Simon Farnaby
Elenco: Ben Whishaw, Michael Gambon, Sally Hawkins, Hugh Grant, Peter Capaldi, entre outros
Origem: Reino Unido / França / EUA
Ano: 2017


É impressionante constatar que o segundo filme do ursinho mais querido do Reino Unido está com 100% de aprovação no site Rotten Tomatoes (ao menos até o momento da escrita dessa crítica), no entanto, posso afirmar que não é por acaso. Paddington 2 faz por merecer tamanha aclamação, pois, apesar de aparentar ser mais um longa despretensioso para o público infantil, é o tipo de obra que atinge todo tipo de faixa etária, sendo muito eficaz no que se propõe.

Antes, o contexto do personagem: "Paddington" foi criado em 1958 pelo autor Michael Bond, e seu primeiro livro, "Um Urso Chamado Paddington", fez imenso sucesso no Reino Unido, ganhando posteriormente novas publicações, ursinho de pelúcia e série de TV, além de uma estátua na estação que lhe deu nome. Depois de muita promessa, o longa-metragem de 2014 foi produzido e, com o imenso sucesso, não demoraria para a sequência chegar ao mundo.

Todo o estilo visual e temática de As Aventuras de Paddington, longa original, está presente neste lançamento. Aqui, Paddington (Ben Whishaw) é adotado pela família Brown e convive desde então com seus novos vizinhos em Windson Garden. Sua tia Lucy fará 100 anos e ele quer dar um presente especial pra ela. Na loja de antiguidades do senhor Gruber (Jim Broadbent) ele descobre um livro em 3D que mostra diversos locais conhecidos de Londres, o presente perfeito, já que o sonho da sua tia é conhecer a cidade. No entanto, esse livro guarda grandes segredos que poucas pessoas conhecem, incluindo Phoenix Buchanan (Hugh Grant), o vilão da vez, que faz de tudo para ter o livro para ele.

Foto: Imagem Filmes

Em determinado momento, Paddington é preso por um crime que não cometeu e, na prisão, nos deparamos com todo o seu carisma e habilidade em fazer novos amigos, especialmente quando conhece "Montanha", o chefe de cozinha da prisão e os detentos que o ajudam na concepção da incrível receita de marmelada e, claro, na fuga em si. A obra se baseia nessa premissa: a família Brown fazendo de tudo para libertar o ursinho e provar a sua inocência.

Todo o elenco está ótimo, entre eles, a adorável Sally Hawkins (A Forma da Água), que demonstra mais uma vez a ótima atriz que é. Peter Capaldi (Doctor Who) também marca presença como um vizinho pentelho, daqueles que se metem em tudo, mas o destaque, de fato, vai para Hugh Grant (Simplesmente Amor), interpretando um ator decadente, narcisista, e egocêntrico, que faz comercial de ração de cachorros. O mais interessante é que mesmo ele sendo o vilão, fazendo coisas de moral questionável, ele também tem um sonho de vida a realizar, só que infelizmente do modo errado. O longa se preocupa em lhe dar um ótimo desfecho, visto nas cenas pós-créditos. Não à toa, Grant foi indicado ao BAFTA na categoria "Melhor Ator Coadjuvante" por esse papel.

Com relação a versão nacional, devo dizer que a dublagem está ótima. Bruno Gagliasso (Isolados) entra no lugar de Danilo Gentilli (Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola), que dublou o ursinho no primeiro filme, trazendo leveza e inocência a voz de Paddington. Da mesma forma, Marcio Garcia (Duas de Mim) consegue se impor como o vilão Phoenix Buchanan, mudando o tom de voz a cada vez que o personagem troca de personalidade ou mostrando seu lado narcisista. Fogaça, chef de cozinha e um dos jurados do MasterChef Brasil, também marcou presença dublando o "Montanha", e funciona surpreendentemente bem, uma vez que sua voz casou bem com o personagem. Ainda houve espaço para Maisa Silva (Carrossel: O Filme), dublando a filha mais velha dos Brown, Judy.

Foto: Imagem Filmes

A maior virtude de Paddington 2 é a habilidade de fazer humor inocente, mas coerente, que realmente faz rir, tendo todo aquele "clima" britânico maravilhoso. É um filme singelo, mas por trás de toda simplicidade há questões interessantes sendo discutidas, o que é sempre ótimo em um filme infantil. O desfecho é deveras emocionante e certamente fará muitos adultos irem as lágrimas. Do contrário você não tem coração!

Fico no aguardo de um Paddington 3 para fechar a trilogia com maestria. Se Paul King (diretor e roteirista) repetir a fórmula, teremos um belo final para essa simpática franquia. Enquanto espero, guardarei a minha marmelada embaixo do chapéu, em caso de emergências, seguindo os ensinamentos do Paddington. Nunca se sabe.

Ótimo

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