CRÍTICA | Todo o Dinheiro do Mundo

Direção: Ridley Scott
Roteiro: David Scarpa
Elenco: Michelle Williams, Christopher Plummer, Mark Wahlberg, Charlie Plummer, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2017


Na maior parte das vezes em que um filme é baseado em histórias reais, o público se sente instigado a acompanhar a obra, seja para se inteirar sobre o ocorrido ou então para constatar se houve congruência e fidelidade ao fato que inspirou a produção. Aqui, o renomado cineasta Ridley Scott (Prometheus) traz ao público um longa com tal premissa e carregado de drama, brutalidade e, claro, polêmicas.

Christopher Plummer (Toda Forma de Amor) é J.P. Getty, um magnata do petróleo e um dos homens mais ricos da década de 1970, que acaba por ter seu neto, J.P. Getty III (Charlie Plummer), sequestrado. Como valor de resgate, os sequestradores estipulam a quantia de US$ 17 milhões, mas o avô rejeita pagar, o que gera gravíssimas consequências para a família e um drama que irá se prolongar por meses. Em meio a sua avareza e desconexão com o mundo externo, Getty fará de tudo para mostrar que é imbatível em todas as mesas de negociação, fazendo com que sua vontade prevaleça, mas, para isso, terá de enfrentar as fortes investidas da nora Gail (Michelle Williams) e do negociador Fletcher Chase (Mark Wahlberg), que estão dispostos a resgatar o jovem Paul a todo custo.

Foto: Diamond Films Brasil

A narrativa é inicialmente construída com uma cena no tempo presente (1973), com a chegada de Gail em um aeroporto, rapidamente nos conduzindo a uma viagem no tempo, nove anos antes, em Roma, com a formação da família Getty e do império de John Paul. Em seguida, constatamos os entreveros vividos pelo chefe da família, John Paul Getty II, que se esbalda em drogas, sexo e todo tipo de luxúria, bem como a situação difícil vivenciada por Gail, que tenta de todo o jeito tirar sua família desse ambiente conturbado e tocar a vida adiante, encontrando dificuldades, claro, por conta da herança, que não é dela, e de ter que se submeter a tudo o que o sogro deseja.

Quando voltarmos para o drama vivido pela Família Getty, em meio a telefonemas, cartas de Paul e a cobertura incessante e sufocante da mídia em torno do caso de sequestro, vemos uma retratação cuidadosa e coerente, filmadas em belíssimas locações da capital italiana.

Através de uma fotografia azulada que confere o tom dramático da obra, Scott consegue deixar seu espectador curioso e aflito com sua narrativa, que guarda momentos tensos e brutais na medida em que se desenrola. Nesse ponto, devemos dar mérito também ao roteiro, que consegue manter o público interessado nos acontecimentos, sem ser previsível e delineando a personalidade de personagens fortes, o que, claro, nos leva ao elenco.

Foto: Diamond Films Brasil

Christopher Plummer entrega um personagem capaz de despertar amor e ódio nos espectadores, muito por sua personalidade controversa já citada, mas também pela reviravoltas que a trama nos entrega. Trata-se de uma transformação interessante, inesperada (já que o ator entrou no projeto para substituir Kevin Spacey, após os escanda-los em que este último se envolveu) e que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de ator coadjuvante.

Mark Wahlberg (O Dia do Atentado), tem bastante profundidade na história e é um importante elo entre Gail e J.P Getty na tentativa de resolução do conflito. E apesar das polêmicas sobre seus salário milionário para as refilmagens, cumpre bem seu papel. Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar), por sua vez, conquista o público não apenas pelo melodrama de sua personagem, mas pela força, personalidade e valores que acredita. Nem tudo pode ser comprado, mesmo que alguém possua todo o dinheiro do mundo, o que evidentemente nos remete ao título da obra.

Apesar de seus problemas de pós-produção, Todo o Dinheiro do Mundo entrega uma história interessante e com um importante debate acerca do valor dado à vida e aos bens materiais. Até que ponto o dinheiro pode corromper o ser humano? Será que, de fato, tudo se pode comprar?

Ótimo

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