The End of the F***ing World | 1ª Temporada


Dois adolescentes rebeldes, uma ótima trilha sonora e uma fuga, são os principais elementos que constroem a narrativa de The End Of The F***ing World. Apesar de ter sido lançada internacionalmente pela Netflix em 5 de janeiro desse ano, a série britânica baseada nos quadrinhos de Charles S. Forsman estrou no Reino Unido em setembro do ano passado. Com 8 episódios curtos – cerca de 20 minutos cada – o roteiro é assinado pela atriz Charlie Covell (Marcella) e produzido pela Clerkenwell Films, conhecida por produções como Misfits e Lovesick

Como o próprio título sugere, James (Alex Lawther) e Alyssa (Jessica Barden) são dois jovens insatisfeitos com a própria rotina – parecendo viver a pior época de suas vidas – que se esbarram casualmente. O personagem interpretado por Lawther acredita ser um psicopata, e, estando cansado de matar somente animais, decide planejar um assassinato, fazendo com que Alyssa torne-se o alvo. As coisas saem do planejado quando a garota surpreende James com seu comportamento explosivo e irritadiço, os levando para uma fuga de suas vidas normais.

O início da série é fraco. Há curiosidade pelos protagonistas, mas a narrativa demora para realmente prender o espectador. A partir do terceiro episódio, porém, não há reclamações. 

Foto: Netflix

Os pensamentos de Alyssa e James combinados com uma incrível trilha sonora oitentista servem para puxar o público de volta, caso a narrativa esteja se tornando maçante para alguém. Muitas vezes o romance entre os dois adolescentes faz com que o espectador se questione, tentando entender, em determinados momentos, o motivo de ainda estarem compartilhando àquela aventura. O desfecho, entretanto, aniquila a dúvida e ainda te faz querer um pouco mais do casal.

O roteiro esbanja humor negro e as atuações são fantásticas. Jessica Barden (O Lagaosta) entrega uma personagem muito autêntica que, mesmo em seus momentos de fragilidade – uma característica totalmente oposta a personalidade de Alyssa – ainda mostra o temperamento forte da garota. Já Alex Lawther (Black Mirror) faz com que James, o suposto psicopata, seja o equilíbrio do casal; sempre tentando manter a calma quando sua parceira surta. A carga dramática de ambos está presente, mas é no humor não escarrado que fica clara a mensagem da série e a intensidade das atuações. 

Outro destaque é o elenco de apoio, principalmente o núcleo policial, composto por Gemma Whelan (Game of Thrones) e Wunmi Mosaku (Philomena). A segunda metade da produção divide os holofotes entre as peripécias de James e Alyssa e a dupla de policias Eunice e Teri. O background de ambas personagens é bem desenvolvido e não tem necessidade para muitas explicações, ou seja, a série não se torna chata quando o foco é trocado para esse núcleo. 

Foto: Netflix

A produção cumpre o que propõe, diverte e cativa com uma narrativa esquisita que tem tudo para agradar o público jovem. De uma forma totalmente não ingênua, a aventura entre os dois adolescentes lembra a busca por independência vista no longa Moonrise Kingdom, do cultuado diretor Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste).

The End of the F***ing World tem potencial para se tornar tão querida quanto Skins, mesmo sendo produções totalmente diferentes entre si. Seus protagonistas têm o mesmo sentimento de que tudo está indo por água abaixo, que o presente é um saco e a melhor forma de enfrentar essa fase é não dando a mínima para nada.


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