Anne With An E | 1ª Temporada


Entre o vasto catálogo de séries originais Netflix existe a subestimada Anne With An E. A produção canadense – que merece ser tão exaltada quanto Stranger Things – é baseada no livro de 1908 de Lucy Maud Montgomery, Anne de Green Gables. A série teve sua estreia em março do ano passado, mas são poucas as pessoas que deram uma oportunidade para a história de Anne Shirley (Amybeth McNulty), uma órfã que é adotada por engano por dois irmãos.

Sozinha desde muito jovem, Anne foi adotada por diversas famílias, tendo sempre que trabalhar para justificar sua estadia. No primeiro episódio de quase duas horas, o público conhece a realidade da órfã tagarela. Ambientada no século XI, onde crianças eram vistas como estorvos para os pais e serviam mais para mão de obra, a protagonista busca refúgio na própria imaginação para conseguir enfrentar o dia a dia. 

Ao ser adotada pelos irmãos Cuthbert, a menina acredita que é possível abandonar todos os traumas do passado. Quando descobre que foi vítima de um engano, Anne deixa que suas inseguranças tomem conta, dando mais um passo para conquistar o público. Apesar do erro, Marilia (Geraldine James) e Matthew Cuthbert (R. H. Thomson) são cativados pelo gênio forte da órfã e decidem manter a adoção. 

Foto: Caitlin Cronenberg / Netflix

Amybeth McNulty (Morgan) entrega uma protagonista sempre preocupada em ser aceita – sendo essa a única realidade que conhece – otimista e inteligente, colocando as pessoas a sua frente, disposta a se arriscar por elas. Amybeth traz uma atuação sólida, conseguindo demonstrar a explosão de sentimentos que é Anne.

O restante elenco infantil também não decepciona. Todo arco que ocorre dentro da escola é delicioso de assistir e a interação entre os personagens torna-se um dos principais motivos para assistir a série. A forma como as crianças lidam com a chegada de uma órfã até o momento em que se dão a oportunidade de conhecê-la desprovidos de preconceito cativam o espectador. 

Fica em destaque a atuação de Lucas Jade Zumman (Mulheres do Século 20), que interpreta Gilbert Blythe, uma espécie de Mike (Stranger Things) do século XV. Apesar de ser um personagem carismático, a trajetória de Gilbert é aprofundada, dando espaço para que o garoto cresça aos olhos da protagonista, que insiste em desprezá-lo. 

Foto: Ken Woroner / Netflix

Além do arco infantil, os irmãos Cuthbert também merecem destaque. Desde o início fica claro que Marilla (Geraldine James) é a razão em contrapartida a emoção do irmão Matthew (R.H. Thomson). É fácil se apaixonar pelo personagem de Thomson, sendo ele o primeiro a se afeiçoar por Anne e se tornando a primeira figura paterna da garota. A pose rígida de Marilla aos poucos é desconstruída, dando margem para um dos episódios mais legais, onde conhecemos o passado da personagem.

A narrativa gostosa é agraciada com cenários magníficos que contribuem para a construção dos personagens. Apesar de não ser uma série pesada, durante seus 7 episódios a trama consegue discorrer sobre a busca por identidade, amadurecimento, bullying e feminismo; sempre mantendo um clima lúdico, estabelecido desde o início.

A segunda temporada de Anne With An E estreia em março desse ano com 10 novos episódios. 

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