CRÍTICA | Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississipi

Direção: Dee Rees
Roteiro: Dee Rees e Virgil Williams
Elenco: Jason Clarke, Garrett Hedlund, Jason Mitchell, Mary J. Blige, Jonathan Banks, Carey Mulligan, Rob Morgan, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2017


Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississipi é o novo filme da diretora Dee Rees (Empire), que trata das profundas tensões raciais e os resquícios de escravidão que ainda aconteciam na Mississipi rural de 1940, período em que os EUA ingressaram na Segunda Guerra Mundial. Apesar do momento histórico, a obra busca discutir diversos outros problemas e realidades daquela época, como questões familiares, traumas de guerra, racismo, amizade e amor, criando assim um épico extremamente profundo em suas raízes.

O longa narra a história de duas famílias, os McAllan e os Jackson, que residem em uma fazenda no delta do Rio Mississipi. Henry McAllan (Jason Clarke) se casa com a jovem Laura (Carey Mulligan) afim de realizar o sonho de ser fazendeiro. Junto com eles vive seu pai, Poppy (Jonathan Banks), um senhor extremamente racista e que deseja manter a superioridade branca intacta em sua nova casa. No entanto, na mesma fazenda reside a família Jackson, comporta por Florence (Mary J. Blige) e Hap Jackson (Rob Morgan), dois "funcionários" negros que trabalham duro na lavoura para criar e alimentar seus filhos, na eterna luta para atingir o sonho americano de poder ter seu próprio pedaço de terra sem ter que responder aos patrões brancos.

Apesar de os Jacksons serem funcionários da fazenda e ajudarem na produção e manutenção de tudo  ali, o tratamento que a família recebe dos seus patrões brancos é extremamente desigual e desrespeitoso. Nesse ponto, o filme sufoca, visto que a frustração é um sentimento praticamente palpável durante a obra. A família Jackson sofre diariamente, do casal extremamente esforçado aos aos filhos que ainda são jovem demais para trabalhar na lavoura, até Ronsel (Jason Mitchel), que luta pelo exército norte-americano contra os nazistas. O rapaz é respeitado pelo seu batalhão, mas quando retorna para casa encontra o mesmo desrespeito que havia deixadopara trás.

Foto: Diamond Films

O filme, na verdade, é uma adaptação da obra literária escrita por Hillary Jordan, e é interessante como se preocupa em também mostrar a perspectiva frustrada da vida de Laura (Carey Mulligan), que mesmo casada, se depara com uma realidade que nunca sonhou. Isso acaba abrindo espaço para a aproximação de seu cunhado Jamie (Garrett Hedlund), um piloto norte-americano que volta traumatizado da Segunda Guerra Mundial e encontra um pouco de conforto em sua amizade com Ronsel, algo que acaba por trazer problemas drásticos para ambas as famílias.

As atuações são poderosas e o elenco se destaca em sua integridade, acompanhados de uma trilha sonora competente, que sabe dosar a emoção de cada cena. É importante citar também o belo trabalho da cinematógrafa Rachel Morrison, a primeira mulher a ser indicada ao Oscar nessa categoria. Seu trabalho faz a obra alçar voos maiores.

Ainda que apresente temáticas que já foram exploradas a exaustão, existe algo em Mudbound que vai além e se destaca das demais obras do gênero. Um filme sobre o trabalho com a terra, o retorno ao lar, as marcas e feridas que a terra registra, a aridez e também a umidade, ou, assim como o próprio título sugere, a lama que impregna em tudo e torna todos ali iguais perante ela.

Ótimo

Foto: Diamond Films

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