CRÍTICA | O Paradoxo Cloverfield

Direção: Julius Onah
Roteiro: Oren Uziel
Elenco: Daniel Brühl, David Oyelowo, Gugu Mbatha-Raw, John Ortiz, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2018


O novo filme da franquia Cloverfield chegou assim, de supetão, surpreendendo todo mundo. Ninguém imaginava e, de repente, veio o comercial do Super Bowl e o longa disponível no catálogo da Netflix no dia seguinte. É, J.J. Abrams (Star Trek)  nunca está para brincadeiras e adora fazer essas surpresas, já que não foi muito diferente com os dois primeiros longas, Cloverfield: Monstro (2008) e Rua Cloverfield 10 (2016).

Para nossa felicidade, dessa vez não foi necessário esperar oito longos anos para mais uma peça do quebra-cabeças, dessa que é uma das mais interessantes franquias de filmes de monstros do cinema atual. O Paradoxo Cloverfield (The Cloverfield Paradox), dirigido por Julius Onah (The Girl Is In Trouble), chegou assim sem ninguém esperar e aqueceu o coração dos fãs que esperavam há muito por uma continuação.

Dessa vez a história se passa em 2028. A Terra passa por problemas severos com o abastecimento de energia, gerando conflitos, instabilidades políticas e constantes ameaças de guerras em um cenário global. Como única alternativa para salvar o planeta do caos iminente, uma equipe de cientistas é enviada para a estação espacial Cloverfield, situada em órbita, com a importante missão de instalar o Shepard, um acelerador de partículas incrivelmente poderoso e que promete gerar a energia necessária para restaurar a ordem na Terra.

Foto: Scott Garfield / Netflix

A primeira coisa que devemos ressaltar quando se trata da franquia Cloverfield é a incrível capacidade de J.J. Abrams em explorar um tema através de abordagens completamente diferentes. Cada longa apresenta uma estrutura distinta e consegue transformar um enredo que poderia ser sem graça, já que filmes de monstros geralmente não são tão animadores, em algo que prende o espectador e se desenrola em diferentes frentes. Não é à toa que se trata de uma franquia tão cheia de fãs e tão aguardada.

Falando especificamente de O Paradoxo Cloverfield, a dica é: mantenha a mente aberta. No momento do seu lançamento, muitos fãs fizeram críticas ao longa, alegando falhas no roteiro e por acharem que esse terceiro filme abusa de situações inverossímeis. Bom, é um filme sobre monstros, preciso dizer algo sobre situações reais? Acho que não. Brincadeiras à parte, e sem querer revelar muito da trama, a verdade é que como uma série complexa e que precisa encaixar uma peça na outra, o ideal é que o espectador se prenda aos detalhes, que são a chave para a conexão com os anteriores. 

Outro fator interessante do longa, na verdade uma marca registrada da franquia, é a capacidade que o roteiro tem de nos fazer ficar o tempo inteiro nos questionando: "Pelo amor de Deus, o que está acontecendo?”. Como disse antes, detalhes. Trata-se de uma obra que exige da atenção do espectador, que gera dúvidas, que te faz criar teorias e te bota para pensar a respeito.

Ainda assim, não dá para negar que o filme flerta com premissas que já vimos antes em filmes como Alien, o Oitavo Passageiro (1979), ou mesmo em séries como Black Mirror. Nada grave, porém não deixa de ser um fato. Os efeitos especiais estão adequados e ajudam a contar a história, mas nada que mereça maior destaque.

Foto: Scott Garfield

Enfim, O Paradoxo Cloverfield é um filme que vale a pena ser visto e ainda conta ótimos nomes no elenco como David Oyelowo (Selma: Uma Busca Pela Igualdade), Zhang Ziyi (Memórias de uma Gueixa), Daniel Brühl (Bastardos Inglórios) e Gugu Mbatha-Raw (A Bela e a Fera). Esperamos que essa parceria entre Netflix e J.J. Abrams renda frutos e tenhamos novas produções relacionadas a franquia.

Ótimo

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