CRÍTICA | Sem Amor

Direção: Andrey Zvyagintsev
Roteiro: Andrey Zvyagintsev e Oleg Negin
Elenco: Maryana Spivak, Aleksey Rozin, Varvara Shmykova, entre outros
Origem: Rússia / França
Ano: 2017


Dirigido pelo premiado cineasta Andrey Zvyagintsev (Elena), Sem Amor (Loveless) é um longa-metragem russo, que venceu o prêmio do júri no Festival de Cannes de 2017 e está indicado ao Oscar 2018 de melhor filme estrangeiro, feito repetido pelo diretor, já que seu último longa até então, Leviatã, também foi indicado na mesma categoria, em 2015, mas acabou perdendo para o polonês Ida.

A trama narra a história do casal Boris (Aleksey Rozin) e Zenhya (Maryana Spivak), que depois de mais de uma década casados, estão se divorciando. Ambos estão cheios de mágoa, ódio e ressentimento e, por conta disso, não conseguem dar a devida atenção ao filho Alyosha (Matvey Novikov), que sofre com a falta de afeto e as inúmeras brigas de seus pais. Eis que em uma determinada tarde o menino é dado como desaparecido e o casal se vê obrigado a unir forçar na busca para encontrar o filho.

Através de um roteiro bem estruturado e desenvolvido, Zvyagintsev consegue aprofundar a relação dos pais de Alyosha, permitindo que entendamos os motivos do casal estar se divorciando. Além disso, a obra nos apresenta o mundo paralelo em que Boris e Zenhya vivem hoje, com seus novos companheiros e seus passados conturbados, moldando a conturbada situação atual que a narrativa nos apresenta.

Foto: Sony Pictures

A direção de fotografia de Mikhail Krichman (Leviatã) é, de longe, o principal atrativo do filme. Alternando o uso de planos abertos e médios, e utilizando de câmera subjetiva e centralizações, a cinematografia consegue aproximar o espectador das frias e duras paisagens russas, criando um ambiente tenso e doloroso, que é ressaltado pela direção.

Andrey Zvyagintsev apresenta em Sem Amor um retrato da sociedade russa atual, mas um aspecto da sociedade contemporânea em geral, que passa por um grande mal-estar nos últimos tempos. incapaz de amar, suprindo todas as carências com curtidas nas redes sociais. Não conseguimos mais criar vínculos verdadeiros, mesmo com nossos próprios familiares.

De certa maneira, o cineasta "puxa a orelha" do espectador durante todo o filme, apenas para nos perguntar: quanto tempo você passa nas redes sociais, deixando de viver o mundo real?

Bom

Foto: Sony Pictures

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