CRÍTICA | Três Anúncios Para um Crime

Direção: Martin McDonagh
Roteiro: Martin McDonagh
Elenco: Frances McDormand, Woody Harrelson, Sam Rockwell, Peter Dinklage, Lucas Hedges, John Hawkes, entre outros
Origem: EUA / Reino Unido
Ano: 2017


Sabe aquela intérprete que sempre fez muito sucesso representando papéis relativamente cômicos e agora assume a missão de conduzir um filme complexo, com uma personagem com um grande arco dramático? Essa é Frances McDormand (Queime Depois de Ler), atriz vencedora do Oscar por Fargo: Uma Comédia de Erros (1996) e que agora estrela Três Anúncios Para um Crime (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri), filme que recebeu 7 indicações ao Oscar, com chances reais de prêmio em diversas categorias.

Na trama, McDormand é Mildred Hayes, uma mãe que teve sua filha violentada e brutalmente assassinada, com seu corpo sendo carbonizado. O autor do crime nunca foi encontrado e, ao notar que o caso foi deixado de lado pela polícia, a protagonista aluga três outdoors situados à beira da estrada da cidade de Ebbing, no estado do Missouri, Estados Unidos. Neles estão mensagens estampadas com enormes fontes pretas e uma cor vermelho sangue ao fundo, com frases clamando por justiça e uma cobrança ao chefe Bill Willoughby (Woody Harrelson), responsável pelas investigações. A atitude de Mildred provoca a ira de toda a comunidade, fazendo com que ela tenha que enfrentar não apenas  Willoughby, com quem a maior parte da cidade está, mas também com o desajustado policial Jason Dixon (Sam Rockwell) e seu ex-marido abusivo Charlie (John Hawkes).

O foco do roteiro não é a resolução do crime em si, mas o sentimento de raiva que corrói a alma da personagem e como os eventos transformam cada personagem. A premissa é simples e bem estruturada, com McDormand vivendo uma mãe de personalidade personalidade forte, jeito turrão e autora de muitos atos inconsequentes. Mildred acaba afetando as emoções e personalidades de todos à sua volta, pondo o dedo na ferida, disposta a tudo para que a perda da sua filha não se torne apenas uma lembrança incômoda e distante. 

Foto: Fox Film do Brasil

A disseminação do ódio pode ser a solução de início, e é o combustível da história, mas a medida em que a trama evolui vemos que não é bem assim. O espectador vivencia uma sequência de atos perturbadores e surpreendentes, mas estes só funcionam porque são executados por personagens ricos, multifacetados e que fogem do convencional.

O emprego do humor negro também ajuda a tornar a trama mais impactante e instigante ao público, o que, inevitavelmente, nos faz lembrar dos filmes dos irmãos Coen. No entanto, Três Anúncios Para um Crime caminha por si só, promovendo reflexões profundas sobre amor, ódio e perdão, mesmo que passeio pelo lado sombrio de sua protagonista.

Estou me repetindo aqui, mas o fato é que Frances McDormand entrega uma das melhores atuações de sua carreira, com uma personagem que magnetiza a atenção do espectador, com postura séria, imponente, semblante sofrido, mas também uma mãe zelosa e generosa. A linguagem corporal adotada pela atriz fala por si só, de modo que, mesmo sem proferir uma palavra sequer, conseguimos compreender suas emoções.

Foto: Fox Film do Brasil

Woody Harrelson (O Castelo de Vidro) e Sam Rockwell (Sete Psicopatas e um Shih Tzu) também se destacam, não à toa disputaram diversos prêmios pelo filme. Ambos representam personagens em constante modificação quando confrontados por Mildred. O primeiro, mesmo sendo um chefe de polícia negligente e contando com o apoio da cidade, ainda consegue se compadecer com a dor da protagonista, compreendendo sua luta por justiça. Já o segundo, precisou deixar o ódio de lado para crescer como pessoa e se tornar peça fundamental para a trama.

Um filme tenso, bem escrito, com sequências de ações eficientes e uma mudança constante de seus personagens, assim defino Três Anúncios Para um Crime, longa-metragem que chega forte na corrida pelo Oscar e que se mostra indispensável ao espectador nessa temporada de premiações. 

Excelente

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