CRÍTICA | 12 Heróis

Direção: Nicolai Fuglsig
Roteiro: Ted Tally e Peter Craig
Elenco: Chris Hemsworth, Michael Shannon, Michael Peña, William Fichtner, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2018


É sempre um grande atrativo para o cinema e seus espectadores quando um filme revisita um momento histórico, principalmente o mais marcante do início do século XXI e que mudou a humanidade para sempre. Falo mais precisamente do ataque da Al Qaeda às torres gêmeas do World Trade Center, nos Estados Unidos, que culminou na morte de mais de três mil pessoas. No entanto, muitas obras que retratam a guerra como pano de fundo utilizam de abordagens clichês, explorando o patriotismo exacerbado dos norte-americanos e retratando o país como o exemplo a ser seguido pelo mundo. Com 12 Heróis (12 Strong), o cineasta dinamarquês Nicolai Fuglsig (Exfil) busca ser um ponto fora da curva.

A narrativa apresenta um grupo de voluntários que formam o batalhão das Forças Especiais dos Estados Unidos em busca dos terroristas responsáveis pelos atentados de 11 de setembro de 2001, em uma missão no Afeganistão. Liderados pelo capitão Mitch Nelson (Chris Hemsworth), os 12 militares têm a dura e perigosa missão de localizar e destruir o Talibã e seus aliados da rede Al Qaeda, de Osama Bin Laden. Trata-se de uma operação arriscada, onde um passo dado em falso poe tudo a perder, fazendo com que a tropa seja localizada e exterminada. Logo, todas as estratégias deverão ser bem planejadas e executadas, num autêntico jogo de xadrez, no qual a segurança dos soldados e a segurança do país estão em jogo.

Foto: Diamond Films

De início somos apresentados ao cotidiano das Forças Especiais, bem como as rotinas de cada um dos soldados e a relação com suas famílias antes do atentado terrorista. Após a tragédia, desde a convocação das tropas, até a chegada ao Afeganistão, tudo é retratado de forma dinâmica, organizada e sem rodeios, fazendo com que o primeiro ato não demore a inserir o espectador no contexto emocional da obra, com a dor das pessoas que perderam seus entes queridos, além da apreensão e do medo que tomou conta das esposas, filhos e demais familiares dos militares convocados, que não têm a certeza de que os militares voltariam são e salvos para casa.

O roteiro de Ted Tally e Peter Craig é hábil em adicionar doses de humor à narrativa, o que pode parecer improvável em um filme que foca na ação, mas que funciona muito bem por humanizar os personagens que estamos conhecendo.

Outro trunfo do roteiro está em não apontar uma única figura como a "salvadora da pátria", no caso, o Capitão Nelson. Os triunfos da operação são divididos com todos os soldados envolvidos, que contaram com as atuações especiais de Michael Shannon (A Forma da Água), Michael Peña (Homem-Formiga), Geoff Stults (Paixão Obssessiva) e Trevante Rhodes (De Canção em Canção), além do apoio do grupo Afegão da Aliança do Norte, comandado pelo general Dostum (Navid Negahban). O elenco protagoniza cenas frenéticas de batalha, sequência de batalha, com interpretações convincentes e que dão substância ao filme. A dose de patriotismo é comedida, sem os o costumeiro exagero que citei no início.

Foto: Diamond Films

A parte técnica também deve ser destacada, com o ótimo trabalho de edição e mixagem de som, além da bela fotografia em tons acinzentados, ressaltando a tensão daquele ambiente. São elementos que envolvem e prendem a atenção do espectador. 

Mesmo que não consiga fugir totalmente da fórmula já conhecida de outros filmes do gênero, 12 Heróis é capaz de manter o interesse do público, além de fazê-lo refletir sobre tolerância, empatia e o sentimento de cumplicidade, ausentes nos dias de hoje e que fariam a diferença em um mundo cercado por guerras e conflitos por todos os lados.

Bom

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