CRÍTICA | 78/52

Direção: Alexandre O. Philippe
Roteiro: Alexandre O. Philippe
Elenco: Alfred Hitchcock (arquivo), Janet Leigh (arquivo), entre outros
Origem: EUA
Ano: 2017


Como uma cena de apenas 3 minutos foi capaz de revolucionar o cinema? Essa é a pergunta que o documentário 78/52 tenta desvendar. Uma das estreias da Netflix no último mês de fevereiro, a obra analisa detalhadamente a famosa cena do assassinato no chuveiro do filme Psicose (Psycho, 1960), de Alfred Hitchcock (Janela Indiscreta). Esse instante, gravado em 78 ângulos e com 52 cortes, marcou o fazer cinematográfico de terror e, aqui, serve como ponto de partida e, ao mesmo tempo, centro de uma discussão sobre a obra de Hitchcock.

Dirigido por Alexandre O. Philippe (The People vs. George Lucas), o longa reúne diferentes profissionais com o objetivo de ampliar a discussão e aborda-la sob vários aspectos. Dentre os convidados estão diretores de fotografia que falam sobre a luz e os enquadramentos usados, montadores que descrevem as particularidades da montagem e atores que comentam a preparação da atriz e da duble para a cena. Além disso, historiadores são os responsáveis por inserir a cena e a linguagem cinematográfica de Hitchcock dentro do contexto histórico e social daquela época.

É interessante também citar que, ao longo do documentário, há a participação de figuras conhecidas do público como, por exemplo, o diretor Guilhermo del Toro (A Forma da Água), o compositor Danny Elfman (Batman) e a atriz Jamie Lee Curtis (True Lies), que é filha de Janet Leigh (Sob o Domínio do Mal), a atriz que protagonizou Psicose.

Foto: Divulgação

O comportamento voyeur de Norman Bates (Anthony Perkins) e a construção da figura materna são alguns dos tópicos abordados durante a análise, bem como a simbologia que está por trás da obra de Hitchcock. Também são explorados detalhes técnicos como a busca pelo som perfeito do esfaqueamento, assim como o efeito causado por cada ângulo. Todos elementos essenciais para o sucesso da cena em questão.

78/52 se desenvolve de forma fluida, evocando sempre o clima de sua obra original, Psicose, especialmente pelo uso de sua trilha sonora e a escolha pela fotografia em preto e branco. Trata-se de uma ótima opção, tanto para quem ainda não conhece o legado de Alfred Hitchcock, quanto para quem já é fã do diretor.

Ótimo

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