CRÍTICA | Maria Madalena

Direção: Garth Davis
Roteiro: Helen Edmundson e Philippa Goslett
Elenco: Rooney Mara, Joaquin Phoenix, Chiwetel Ejiofor, entre outros
Origem: Reino Unido / Austrália
Ano: 2018


Uma das histórias mais retratadas no cinema chega mais uma vez à grande tela, no entanto, com um novo protagonismo. Se estávamos habituados a ver Jesus Cristo no centro da narrativa, agora temos Maria Madalena, uma mulher considerada à frente de seu tempo e que seguiu Cristo no último ano de sua vida. Uma trama que serve para desmistificar fatos criados ao redor da imagem de Madalena e transmitir mensagens de amor e esperança tão propagadas pelo filho de Deus.

Maria Madalena (Mary Magdalene), segundo longa-metragem dirigido por Garth Davis (Lion: Uma Jornada Para Casa), nos apresenta personagens históricos de diálogos poderosos, que prendem o espectador. O ano é 33 da Era Comum e nos deparamos com uma Madalena (Rooney Mara) repleta de conflitos internos e acusada de estar possuída pelo demônio, devido a seus pensamentos diferentes e por recusar a forte submissão feminina comum da época. Após se submeter à uma sessão de descarrego, uma espécie de “curador” é chamado para dar assistência a ela, e aí Jesus Cristo (Joaquin Phoenix) entra na história, para auxiliá-la a encontrar seu próprio caminho por meio da palavra de Deus.

Foto: Universal Pictures

A protagonista apresenta grande evolução durante a narrativa, antes incompreendida e injustiçada, torna-se uma grande líder, empoderada, desafiando as imposições e mostrando ser uma pessoa forte, de muita fé e capaz de difundir o amor e o perdão, sentimentos tão presentes nos ensinamentos de Cristo. Jesus, por sua vez, é representado como uma figura contida, tanto em momentos de pregação, quanto na ocasião em que se reúne com seus discípulos e revela estar em seus últimos momentos na Terra. Sua figura é deveras importante para o crescimento de Madalena, assim como também deixa um legado importante para os cristãos, a ideia de que somente nós podemos mudar o curso de nossas vidas, aprendendo a amar e perdoar nossos semelhantes.

Um ponto surpreendente do roteiro está na construção dos apóstolos Judas (Chiwetel Ejiofor) e Pedro (Tahar Rahim). O primeiro, antes apontado como um traidor sedento por riquezas, foi retratado como um seguidor de fé inabalável, com um arrependimento envolto de sérias consequências, mas com boas intenções por trás. Já o segundo, o contraponto, de devoto a cético, sem uma motivação clara e principal opositor à liderança de Madalena. 



Todas as atuações são convincentes e imponentes, fazendo jus a um roteiro que segue à risca o que prega as escrituras sagradas. Além disso, a direção de arte é primorosa, dos figurinos bem confeccionados aos cenários de Jerusalém construídos de maneira impecável, aproveitando-se das belas locações escolhidas. São detalhes essenciais para inserir o público no contexto da primeira década do período comum. A inserção de orações em diversos idiomas, em determinados momentos, também ajuda no processo de imersão, que melhora a medida que o longa avança.

Foto: Universal Pictures

Maria Madalena, portanto, é uma obra de belas mensagens e ensinamentos poderosos, contada de um ponto de vista do qual não estamos acostumados, uma personagem que vai muito além da história da prostituta que fora apedrejada em meio a uma cidade, boato criado pelo papa Gregório, em 1540, e que carece de indícios. Madalena é sinônimo de força, fé e esperança, uma autêntica discípula de Cristo.

Ótimo

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