CRÍTICA | Tomb Raider: A Origem

Direção: Roar Uthaug
Roteiro: Geneva Robertson-Dworet e Alastair Siddons
Elenco: Alicia Vikander, Dominic West, Walton Goggins, Daniel Wu, Kristin Scott Thomas, entre outros
Origem: Reino Unido / EUA
Ano: 2018


Se tornam cada vez mais comuns lançamentos de filmes baseados em games, de Resident Evil a Assassin's Creed, passando por Need for Speed e Terror em Silent Hill, todos eles têm algo em comum:  tiveram razoável aceitação por parte do público, mas pouco apreço da crítica especializada. A própria franquia Tomb Raider já havia tido duas adaptações que traziam Angelina Jolie (À Beira Mar) como protagonista, em uma perfeita combinação de talento, habilidades e beleza física, algo que, naquela ocasião, era o centro das atenções. O que nos trás a um reboot da franquia em 2018, baseado nos recentes jogos Tomb Raider (2013) e Rise of Tomb Raider (2015), com a vencedora do Oscar, Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa) no papel de Lara Croft.

Diferente da primeira versão, onde Lara Croft já era uma conhecida arqueóloga e caçadora de tesouros, Tomb Raider: A Origem nos traz uma protagonista ainda em formação, que tem uma vida bem simples, de entregadora de lanches em Londres, disposta a encontrar seu lugar ao sol. O pai, Richard (Dominic West), está desaparecido há sete anos, desde que partiu para uma viagem no Oceano Pacífico, ainda que Lara ainda acredite que ele está vivo, o que a faz renegar sua vasta herança. Após receber uma pista do possível paradeiro do pai, a garota parte em uma aventura rumo a ilha de Yamatai, onde irá se deparar com os mistérios em torno da rainha Himiko, que deixou registros históricos recheados de terror e destruição. 

Foto: Warner Bros Pictures

O roteiro claramente pega emprestado elementos presentes no game de 2013, como a própria lenda de Himiko e alguns enigmas a serem resolvidos, como o portal que dá acesso à câmara dos mortos e as consequentes armadilhas para quem tenta acessar o local. Porém, a narrativa não funciona tão bem assim. Se no jogo vemos uma Lara Croft resistente física e psicologicamente e motivada pelo pai e pelos amigos a sobreviver e cumprir seus objetivos, no longa nos deparamos com uma personagem movida pela lembrança afetiva do pai, sem tanta empolgação pela jornada na qual se dispôs a trilhar. Sua única motivação é relação com o pai, o que não necessariamente nos traz uma jornada de evolução. A melancolia de Lara e sua constante apreensão são demasiadamente exploradas, enquanto outras camadas que poderiam ser mais bem trabalhadas são esquecidas. 

No que diz respeito a atuação, falta carisma e vibração nas ações Alicia Vikander. A atriz não parece se sentir confortável na pele da personagem, deixando a desejar até mesmo em momentos dramáticos. Os personagens secundários, no entanto, conseguem dar alguma sustentação à trama, como Lu Ren (Daniel Wu) e Mathias Vogel (Walton Goggins), respectivamente. Enquanto o primeiro é uma espécie de braço direito de Lara, o segundo é um vilão diferente, que não quer conflitos corporais, apenas disposto a atingir seus ideais.

Se o roteiro e as interpretações não são tão empolgantes, os efeitos especiais e a montagem são pontos a se destacar, fazendo com que o espectador se empolgue com as boas sequências de ação. Mérito também para a direção de Roar Uthaug (A Onda), que também é hábil em retratar a identidade visual dos games para a tela. São elementos compensadores em uma trama que carece de consistência e que abusa de clichês do gênero, seja na construção da personagem central ou no constante uso de diálogos expositórios.

Foto: Warner Bros Pictures

No fim, Tomb Raider: A Origem se mostra um filme vazio, sem grandes expectativas e que carece de boas reviravoltas. Uma tentativa de pegar carona no sucesso de uma franquia rentável no mundo dos games, trazendo uma atriz de nome como protagonista. Parecia uma combinação certeira, mas que acaba sofrendo nos detalhes, lamentavelmente.

Bom

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