Jessica Jones | 1ª Temporada


Jessica Jones. Uma anti heroína que possui habilidades incríveis como super força, super resistência e que já foi membro dos Vingadores outrora. Agora prefere ser uma investigadora particular, desde que teve sua mente invadida por um mala que veste terno roxo e que adora manipular os outros a fim de que sua vontade seja cumprida.

Primeiro, é preciso contextualizarmos sobre a origem da personagem. Sua primeira aparição foi na revista Alias #1, onde, antes de virar investigadora particular, era conhecida como Safira. Sua vida mudou assim que Zebediah Kilgrave, o Homem-Púrpura, apareceu. Ele usou seus poderes de controle mental para colocar Jones sob seu comando, psicologicamente torturando-a e forçando-a a ajudar em seus esquemas criminosos. Depois de oito meses, Jones começou a perder a distinção entre o que era real e o que era criação dos poderes de Kilgrave.

A trama da série inicia no momento de transição de Jessica (Krysten Ritter), ainda sofrendo os efeitos de sua temporada com Kilgrave (David Tennant) e tentando recomeçar a vida abrindo uma agencia de investigação particular. Agora, ela trabalha ao lado de Hogarth (Carrie-Anne Moss), uma das mais prestigiadas e respeitosas advogadas da cidade, que mesmo não gostando dos métodos de Jones para obter aquilo que quer, dá subsídios para a mesma continuar suas atividades.

Foto: Myles Aronowitz / Netflix

Devido a sua experiência nada agradável com Kilgrave, Jessica acabou se viciando em álcool, a fim de esquecer esse passado ruim. Mas, se ela já tinha problemas tendo flashes de alguns acontecimentos trágicos envolvendo as decisões feitas não conscientemente por ela, ela acabará por descobrir que seu passado não quer morrer assim tão fácil.

A trama intercala momentos de drama intenso com algumas cenas de luta, para que a identidade de "super-heroína" não seja perdida, porém, os embates não são tão bem coreografados e filmados como na sua série irmã, Demolidor. Aqui, fica a impressão de que a protagonista não consegue dar um soco sem que haja a necessidade de uma sucessão de cortes feitos para dar dinamismo e credibilidade a cena,  fazendo com que o espectador não entenda boa parte das coreografias.

A fotografia é baseada no novo subgênero neon noir. Para onde quer que você olhe, uma lâmpada, uma fachada ou mesmo uma rua deserta, sempre haverá, mesmo que discretamente, uma fonte de neon. Isso, quando usado com sutiliza soa interessante, mas em excesso tira todo o impacto pretendido.

Há uma identidade visual clara na série, especialmente no que diz respeito a paleta de cores, focada no roxo. Seja no figurino do antagonista ou nos próprios objetos de cena, fica clara a predileção pela cor, porém, infelizmente, isso acaba desgastando a produção visualmente. Afinal, não é porque algo fica bonito em tela que deve ser usado em quase todas as cenas. Isso cria um grande contraste e estranhamento que leva algum tempo até o espectador se acostumar.

Foto: Myles Aronowitz / Netflix

A montagem, que inclui flashbacks do passado recente de Jones e momentos antes da personagem se "transformar" em super heroína, é bem feita, mas fica devendo, justamente por não aprofundar em tais dilemas, que seriam questionamentos interessantes para a consequente segunda temporada. Tudo é deixado no ar, soando como furo no roteiro.

Krysten Ritter (Grandes Olhos) está bem no papel da mulher perturbada, deprimida e alcoólatra, porém, tem dificuldade em expressar as nuances de emoção que a personagem exige. Quem acaba roubando a cena é David Tennant (Doctor Who), cujo personagem é o típico vilão que amamos odiar. Ele é mau por ser mau, quase não existindo qualquer resquício de humanidade. No entanto, acaba sofrendo do maior mal dos vilões do universo Marvel atualmente: é tirado de cena sem cerimônias, num desfecho completamente "deus ex-machina", em um roteiro apressado para resolver tudo em cima da hora.

Jessica Jones tem seu valor, especialmente por discutir temas tão pertinentes como abuso, estupro e representatividade feminina, todavia, precisa resolver alguns problemas de ritmo e roteiro. Tentar finalizar a história rapidamente, amarrando todas as pontas, nem sempre é a melhor solução para um fim de temporada. É preciso deixar algumas pontas soltas que farão o espectador se importar com a trama e voltar para a segunda temporada, que, espero, consiga resolver esses problemas.

Foto: Myles Aronowitz / Netflix

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