CRÍTICA | Rampage: Destruição Total

Direção: Brad Peyton
Roteiro: Ryan Engle, Carlton Cuse, Ryan J. Condal e Adam Sztykiel
Elenco: Dwayne Johnson, Naomie Harris, Jeffrey Dean Morgan, Joe Manganiello, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2018


Rampage: Destruição Total é uma adaptação de um jogo de arcade de 1986, onde você podia controlar uma das três criaturas gigantes que tinham o simples objetivo de demolir prédios e aniquilar qualquer resistência. Apesar de haver mitologia, o jogo não possui uma história propriamente dita, então, quando o filme do diretor Brad Peyton (Terremoto: A Falha de San Andreas) foi anunciado, ninguém sabia exatamente o que esperar. Será que veríamos apenas um longa-metragem sobre três monstros gigantes atacando a cidade, ou haveria algum contexto?

Começamos nossa aventura em uma estação espacial de pesquisa, onde uma passageira está tentando fugir desesperadamente pelo módulo de fuga, avisando pelo rádio que uma criatura monstruosa está a solta. Os coordenadores do projeto só aceitam destrancar o módulo se a tripulante recolher alguns recipientes contendo a “fórmula” que estava sendo pesquisada. Isso acontece, e descobrimos que a tal criatura monstruosa na verdade é um rato que claramente sofreu uma alteração genética. Um acidente gera uma explosão, e os recipientes com as amostras do experimento são lançados na atmosfera terrestre.

Um dos recipientes acaba contaminando um gorila albino chamado George, um lobo que o público apelida de Ralph, e um crocodilo, que apesar de se chamar Lizzie no game original, não é chamado por esse nome no filme. Os recipientes lançam um agente patogênico nos animais, que os fazem crescer rapidamente e os tornam agressivos. Para um jogo onde os monstros simplesmente eram grandes e nenhuma justificativa era apresentada, essa premissa é bastante aceitável. Porém, o problema de tal justificativa é que em nenhum momento fica clara a origem do agente patogênico, ou mesmo os responsáveis pelo experimento, que na teoria deveriam ser os antagonistas da obra.

Foto: Warner Bros Pictures

Dwayne Johnson (Jumanji: Bem-Vindo à Selva) é puro carisma, como de costume. Ele mantém sua postura de brutamonte, porém tenta ser divertido em vários momentos, o que faz com que o público dê algumas boas risadas, ainda que nem todas as "gags" funcionem, gerando aquele silêncio desconfortável na sala de cinema. A relação de seu personagem, o doutor Davis Okoye, com o gorila George é a melhor coisa de Rampage. A amizade de ambos, que se comunicam através de linguagem de sinais, lembra muito a dinâmica utilizada nos filmes recentes da franquia Planeta dos Macacos.

Jeffrey Dean Morgan (Watchmen: O Filme), por sua vez, dá vida ao personagem Harvey Russell, um agente do governo descrito como “Babaca” e que brinca de exercer esse papel no longa. Em determinado momento o espectador o têm como antagonista da história, mas o filme traz boas surpresas a respeito. Completa o elenco Naomie Harris (007 Contra Spectre), que está sempre competente em tela.

Os efeitos digitais estão surpreendentemente bem feitos. Logo de início, quando vemos o protagonista lidando com alguns gorilas, os animais realmente parecem estar lá, de verdade, o que traz credibilidade ao filme. George se destaca como o gorila albino gigante, e as cenas onde os três monstros se enfrentam na cidade na cidade é incrível. Um deleite visual para os fãs dos clássicos filmes japoneses de Kaiju. O design do crocodilo “Lizzie”, por exemplo, lembra bastante o monstro Anguirus, inimigo do rei dos monstros Godzilla. Já o Lobo “Ralph” é provavelmente o mais assustador dos três gigantes.

Foto: Warner Bros Pictures

Uma curiosidade interessante é que George, no game, não é albino. Suas características, na verdade, se assemelham as do King Kong. Essa mudança não apenas traz um diferencial visual ao animal, mas também presta homenagem ao último gorila albino do mundo, conhecido como "Floco de Neve", que infelizmente foi sacrificado em 2003 por conta de um câncer de pele. A história de como George foi  resgatado é diretamente baseada no "Floco de Neve", e é muito bacana saber disso.

Por fim, Rampage: Destruição Total diverte e é um prato cheio para os fãs de filmes de monstros gigantes. Talvez ele não fuja da maldição das adaptações para o cinema de jogos de video-game, mas o que importa aqui é dar boas risadas e se divertir com as cenas de ação de três monstros gigantes, e um "The Rock", destruindo alguns prédios.

Bom

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