CRÍTICA | Tudo Que Quero


Direção: Ben Lewin
Roteiro: Michael Golamco
Elenco: Dakota Fanning, Toni Collette, Alice Eve, River Alexander, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2017


Produzir um filme cujo pano de fundo é o universo de um portador de deficiência requer não apenas tato, mas também responsabilidade e delicadeza de seu realizador. Esse tema pode ser importante na conscientização, na criação de empatia em sociedade e no despertar dos sentimentos de desafio e inspiração. Com Tudo Que Quero (Please Stand By), o diretor Ben Lewin (Um Golpe de Sorte) é feliz nesse aspecto, ao construir um arco dramático que sensibiliza o espectador, ainda que apresente defeitos em sua realização.

Wendy (Dakota Fanning) é uma jovem autista que fora criada na infância junto da irmã Audrey (Alice Eve). Após o casamento e gravidez da segunda, a garota é encaminhada para um centro de apoio comandado por Scottie (Toni Collette), figura pela qual a protagonista rapidamente se afeiçoa, criando um forte laço de amizade. Mergulhada e isolada em seu próprio mundo, Wendy gosta de acompanhar a saga Star Trek para passar o tempo, se deparando um dia com uma grande oportunidade: um concurso de roteiristas sobre o universo da série, promovido pela Paramount Pictures. A jovem enxerga o evento como a chance de sua vida, e resolve entregar seu roteiro de uma forma diferente, para mostrar a si mesma e a todos ao seu redor, que não merece ser subestimada. 

O roteiro não se limita em introduzir o espectador no mundo da protagonista, ou em sua repetitiva e incansável, focando também em apresentar uma jornada engraçada e cheia de desafios para a jovem, que conhece suas limitações, mas valoriza suas virtudes, indo até as últimas consequências para alcançar seu sonho. O que acontece é típico da jornada do herói, uma pessoa comum ganhando status de heroína e tendo que passar por todas as provações para ser recompensada. Nesse ponto, Tudo Que Quero caracteriza-se como uma "dramédia", pois há situações cômicas e tensas ao longo do caminho de Wendy, da viagem de ônibus ao momento derradeiro da chegada a Los Angeles.

Foto: Imagem Filmes

Se por um lado o roteiro acerto na abordagem, o mesmo não podemos dizer sobre seu desenvolvimento, que carece de aprofundamento. A relação de Wendy com a irmã, por exemplo, soa distante, e poderia ter sido melhor trabalhada  com recursos simples como o flashback, por exemplo, que é utilizado timidamente na trama. Além disso, o ritmo intenso apresentado não permite que nos envolvamos com os personagens secundários, diminuindo a presença dos mesmos. A amizade e a cumplicidade, elementos importantes em qualquer relacionamento, são deixados de lado, deixando a obra menos rica e sensível.

Aqui vemos uma Dakota Fanning (Pastoral Americana) mais contida do que o habitual, em uma interpretação que condiz com a proposta e supera a expectativa. Toni Collette (Pequena Miss Sunshine), por sua vez, representa o fio condutor da narrativa, não só na motivação de Wendy em busca de seu sonho, mas também na mobilização dos personagens que rodeiam a protagonista. Vale citar também o desempenho do jovem River Alexander (O Verão da Minha Vida), representando o filho de Scottie, um dos principais responsáveis pela mudança de atitude da mãe e melhor amiga de Wendy.

Tudo Que Quero nos mostra que não basta sermos tolerantes com quem precisa. É preciso aprender a inserir essas pessoas em sociedade, tirando-os de suas rotinas reclusas, sem necessariamente esquecer de suas limitações. Além disso, serve de inspiração para quem deseja descobrir seu próprio destino e chegar em lugares que nunca imaginou. Apesar dos altos e baixos, é uma válida e excitante experiência.

Foto: Imagem Filmes

Bom

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