CRÍTICA | Gringo: Vivo ou Morto


Direção: Nash Edgerton
Roteiro: Anthony Tambakis e Matthew Stone
Elenco: David Oyelowo, Joel Edgerton, Charlize Theron, Thandie Newton, Amanda Seyfried, Sharlto Copley, entre outros
Origem: EUA / Austrália
Ano: 2018


Todo filme de comédia precisa de uma premissa grandiosa para arrancar risadas do público? Não necessariamente, mas uma narrativa deve ser bem desenvolvida, conter pontos de virada precisos e consistentes, bem como piadas inseridas na medida certa e em ocasiões adequadas, sem forçação de barra. A questão é se isso acontece em Gringo: Vivo ou Morto, filme dirigido por Nash Edgerton, em sua estréia em longas-metragens.

Harold Soyinka (David Oyelowo) é um funcionário exemplar de uma empresa do ramo farmacêutico e possui uma vida tranquila em Chicago. Após constatar atos obscuros de seu chefe, Richard Rusk (Joel Edgerton) e descobrir que a companhia negocia uma fusão, Harold crê que será demitido. Em uma viagem para o México acompanhado do chefe e de Elaine Markinson (Charlize Theron (Atômica), o protagonista aproveita a oportunidade para forjar seu próprio sequestro, na tentativa de faturar com o dinheiro do resgate. Ele só não contava que o chefe de um poderoso cartel de drogas mexicano estaria atrás dele, pondo seu plano em risco.

Infelizmente Gringo falha onde mais precisaria dar certo: o humor. O primeiro ato é demasiadamente acelerado, com piadas que fazem alusão à xenofobia e utilizando de uma abordagem excessivamente caricata, principalmente do protagonista, que necessita desse recurso para ganhar a empatia do público. O segundo ato, por sua vez, não apresenta tanta melhora, ainda que a ação se acentue, tentando se sobressair ao clima forçado de comédia.

Foto: Diamond Films

Ao menos o terceiro e último ato encontra desfechos interessantes e boas tiradas, que acabam compensando a maioria das falhas até ali, ainda que não preencham todas as lacunas apresentadas.



O ponto alto do filme são os antagonistas, no caso, os personagens de Joel Edgerton (Operação Red Sparrow) e Charlize Theron (Mad Max: Estrada da Fúria). A atriz sul-africana encarna muito bem o papel de uma executiva manipuladora e arrogante, que dá as cartas sem dar o braço a torcer. Elaine é a fortaleza de Richard e a principal motivadora do conflito com o chefe do cartel. Já Richard é interpretado por Joel como um homem de virtudes, muito cruel e perverso. O entrosamento da dupla é excelente, e eles acabam carregando boa parte da trama.

O elenco conta ainda com nomes como Amanda Seyfried (O Preço do Amanhã), Harry Treadway (Honeymoon) e Thandie Newton (Westworld), mas eles pouco interferem nos acontecimentos, limitando-se apenas a participações.

Entre erros e acertos, Gringo: Vivo ou Morto mostra-se um entretenimento limitado. O tipo de filme que logo será esquecido, infelizmente.

Foto: Diamond Films

Bom

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