CRÍTICA | Os Fantasmas Se Divertem

Direção: Tim Burton
Roteiro: Michael McDowell e Warren Skaaren
Elenco: Michael Keaton, Alec Baldwin, Geena Davis, Winona Ryder, Jeffrey Jones, entre outros
Origem: EUA
Ano: 1988


Os Fantasmas Se Divertem (Beetlejuice) é segundo longa-metragem da carreira de Tim Burton (O Lar das Crianças Peculiares), mas se considerarmos seu estilo singular de filmar, é como se fosse o primeiro. Foi aqui que vimos pela primeira vez suas excentricidades visuais que marcariam sua filmografia anos a fio. Trata-se de um filme muito bem sucedido em seu lançamento, abrindo portas para que o diretor pudesse realizar tantos outros projetos. Evidentemente o sucesso não ficou apenas na década de 1980/90, visto que até hoje a obra é lembrada e referenciada em longas como Jogador Nº 1 (Ready Player One, 2018), por exemplo.

Apesar do título original trazer o nome "Beetlejuice" (Besouro Suco, na versão dublada), o personagem não passa de um empecilho que os verdadeiros protagonistas precisam enfrentar. Barbara (Geena Davis) e Adam (Alec Baldwin) formal um casal que apenas quer aproveitar as férias no sossego de sua casa de campo. No entanto, acabam sofrendo um acidente e... morrem. Após o impacto de descobrirem que não estão mais vivos ao acharem um manual que misteriosamente aparece em sua casa, ambos se veem presos naquele lugar, tendo que aprender a lidar com a vida após a morte.

A paz deles logo acaba quando um casal acaba comprando a casa e se mudam para lá. Os novos moradores são bem diferentes e isso os incomoda, já que são obrigados a assistir aquelas novas pessoas mudando totalmente o lugar que antes chamavam de lar. A tentativa de assustá-los para que se mudem para bem longe não dá certo, e assim, sem saber ao certo o que fazer, eles acabam recorrendo ao Besouro Suco (Michael Keaton), um bio-exorcista que promete expulsar humanos com eficiência.

Foto: Warner Bros Pictures

Acontece que Besouro Suco é um fantasma pervertido, perverso e que acaba se afeiçoado a Lydia (Winona Ryder), filha do casal que acabara de se mudar. Barbara e Adam acabam desistindo de contrata-lo, o que acaba o enfurecendo e causando diversas consequências malucas para a convivência de todos.

Os Fantasmas se Divertem é o ponto de partida de Burton em sua longa caminhada sobre os preconceitos que temos com o que é "diferente", além de fazer questionamentos sobre a vida pós-morte. São temáticas recorrentes na maioria de seus filmes. Aqui vemos um retrato de morte que não é muito diferente da vida na Terra, onde as pessoas passam por burocracias e dificuldades para entender como funciona aquele universo. O diferencial é o fato de Lydia ser a única capaz de enxergar os fantasmas, uma vez que é a única personagem a aceitar o "estranho" e o "diferente". Os vivos não a entendem, e, por conta disso, torna-se "invisível" aos olhos de todos, assim como os fantasmas o são para a maioria. Uma premissa singela, mas extremamente inteligente.

O longa vem para nos mostrar como muitas vezes ignoramos aquilo que não entendemos ou tememos, e que isso não necessariamente é algo saudável. Apesar do enfoque natural nos fantasmas, o filme vai além, evidenciando que devemos abrir os olhos para o que está do nosso lado. Lydia, por exemplo, é depressiva e constantemente ignorada por ser mal compreendida pelos pais, o que quase a leva a morte em alguns momentos. Com toda a confusão instaurada, seus pais são obrigados a notar o que estavam deixando para de lado, ajudando a melhorar a vida familiar de todo mundo.

Foto: Warner Bros Pictures

Quase todo filme de monstros ou fantasmas se mostra uma alusão, mesmo que não intencional, a nossa forma de viver. Compreender que outra pessoa produziu o que estamos consumindo é essencial para absorver essa mensagem plenamente. E talvez, por termos notado de forma inconsciente a importância de abraçar o diferente, é que o filme tenha tido um sucesso tão grande.

Excelente

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