CRÍTICA | Paterno

Direção: Barry Levinson
Roteiro: Debora Cahn e John C. Richards
Elenco: Al Pacino, Kathy Baker, Riley Keough, Greg Grunberg, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2018


Paterno marca a terceira colaboração do diretor Barry Levinson (Rain Man) com o consagrado Al Pacino (Não Olhe Para Trás), cujos caminhos se cruzaram antes em O Último Ato (2014) e Você Não Conhece Jack (2010). É também a aposta da HBO Films em 2018 para as premiações de televisão, retratando um dos casos mais polêmicos e traumatizantes do esporte universitário norte-americano nos últimos anos.

Pacino interpreta Joe Paterno, técnico que ficou no comando da equipe universitária de futebol americano da Universidade de Penn State por mais de 40 anos, transformando o trabalho esportivo da instituição em referência no país, e sendo considerado uma lenda por tudo que conquistou por lá. Em 2011, porém, explode uma acusação de abuso infantil e sexual que seu ex-assistente, Jerry Sandusky,  teria cometido, levando toda a diretoria e equipe técnica da Penn State ao centro das atenções de um escândalo que ganha contornos assombrosos a cada nova informação descoberta.

Com o andamento das investigações, surgem evidências em relação a omissão de Paterno, que na época das acusações estava com 84 anos. Foi alegado que o treinador tinha ciência dos comportamentos suspeitos de seu assistente e apenas repassou o caso para a diretoria da universidade, que preferiu abafar o assunto, sem fazer qualquer advertência a Sandusky. Como se não bastasse, em meio a tantos acontecimentos, Paterno descobre estar com câncer terminal.

Foto: HBO

O roteiro é condizente com o título do filme, mostrando toda a repercussão do escândalo a partir do ponto de vista da família Paterno. Por conta disso, poucas informações sobre o crime em si são abordadas, ou mesmo sobre a persona de Jerry Sandusky. Nisso a obra deixa a desejar, pois acaba sendo um retrato parcial e inconclusivo dos fatos, não servindo como uma espécie de documento histórico, por exemplo.

Por outro lado, a qualidade da direção de Levinson está mais uma vez presente. O cineasta não ousa em sua forma de filmar, mas consegue captar a tensão presente na trama e nas emoções dos personagens com eficiência. Vale destacar a cena em que "JoePa" acompanha o jogo da equipe de sua casa, após receber o anúncio de sua demissão Universidade Penn State, após mais de 40 anos no cargo.

Sobre a atuação de Pacino, sempre há elogios a se fazer. A caracterização e o talento do ator fazem com que ele se camufle na pele de Paterno, transmitindo com facilidade toda a fissura que o técnico tem pela profissão, ao mesmo tempo que acerta no tom de confusão e desapontamento em relação às consequências que o escândalo sexual de seu assistente traz para sua carreira. Já Riley Keough (Docinho da América), a qual acompanhamos paralelamente como a jovem repórter Sara Ganim (responsável por expor todo o caso no jornal local), entrega uma atuação interessante como a inexperiente jornalista que acaba com uma matéria de repercussão mundial em mãos, sendo premiada posteriormente ela excelência do seu trabalho.

Foto: HBO

O ponto alto de Paterno, sem dúvida, é a carga dramática presente nos questionamentos de "JoePa", seus familiares e todos os outros envolvidos direta ou indiretamente no caso. A responsabilidade moral é exposta, e é quando percebemos o quanto todos deveriam ter tomado alguma atitude. Apesar do roteiro não condenar explicitamente as omissões ao crime, o longa nos dá bagagem para discernirmos que nem sempre o silêncio é a melhor solução, e que ninguém é intocável quando a mídia assume o papel de justiceira. As respostas ficam por conta do público, que decide até onde o dilema moral e a omissão podem ou não serem dignos de perdão.

Bom

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