CRÍTICA | Oito Mulheres e um Segredo


Direção: Gary Ross
Roteiro: Gary Ross e Olivia Milch
Elenco: Sandra Bullock, Cate Blanchett, Anne Hathaway, Helena Bonham Carter, Rihanna, Sarah Paulson, Mindy Kaling, entre outros
Origem: EUA
Ano: 2018

Atenção! Essa crítica contém spoilers!

Com pretensões de ser um filme vendável e de romper barreiras de um gênero predominantemente masculino, e com o apoio do movimento #MeToo, chegou ao circuito o "spin-off" de Onze Homens e um Segredo (Ocean's Eleven, 2001), franquia de sucesso que contava as histórias de Danny Ocean (George Clooney) e seu grupo estelar de ladrões que roubam cassinos em grande estilo e sem perder a elegância.

Em Oito Mulheres e um Segredo (Ocean's 8), no entanto, Danny dá lugar à sua irmã, Debbie Ocean (Sandra Bullock), enquanto Las Vegas abre passagem para Nova York, mais precisamente para o baile do Met. Escrito e dirigido por Gary Ross (Um Estado de Liberdade), com produção de Steven Soderbergh (Terapia de Risco), que foi o diretor da trilogia anterior, o longa-metragem inicia cinco anos, oito meses e doze dias após a prisão de Debbie. O tempo que passou aprisionada foi o tempo que levou planejando o maior roubo de sua vida.

A protagonista sabe que para que seu plano seja bem-sucedido será necessário recrutar uma equipe de especialistas, todas mulheres, a começar por Lou Miller (Cate Blanchett), sua parceira no crime. Também entram para o time a joalheira Amita (Mindy Kaling), a golpista Constance (Awkwafina), a receptadora Tammy (Sarah Paulson), a hacker Nine Ball (Rihanna) e a estilista de moda Rose Weil (Helena Bonham Carter). E qual o alvo? Um lindo colar de diamantes da Cartier, avaliado em 150 milhões de dólares, que estará no pescoço da famosa atriz internacional Daphne Kluger (Anne Hathaway), a principal atração no Baile de Gala do Met.

Foto: Warner Bros Pictures

O primeiro ato é sólido, com a apresentação de todas as personagens e também das estratégias que serão utilizadas no grande roubo, como o uso de um óculos especial por Rose e Tammy para identificar o colar verdadeiro, o mural com o posicionamento de todas as mesas e espaços do Met, o forte sistema de segurança que deverá ser invadido por Nine Ball, e por aí vai. Nesse ponto montagem se mostra eficiente e dinâmica, possibilitando que cada uma das mulheres revelem seus talentos e mostrando o motivo de estarem ali. Ao todo temos sete integrantes participam do golpe, mas como o título indica, sempre há um segredo e um novo elemento, algo tradicional na franquia.

Com o fim do segundo ato, quando o colar está prestes a ser roubado, percebemos a astúcia e cuidado das personagens, e a ação utilizada para que Daphne se distancie de todos e o colar seja retirado é a das mais inteligentes. O mais engenhoso, na verdade, está na maneira como o colar é escondido, abrindo caminho para o que realmente importa nesse tipo de filme: a surpreendente reviravolta final e os vilões sendo superados. Aliás, antagonistas vividos James Corden (Pedro), um investigador da empresa de seguros que conhece a família de Debbie, e Richard Armitage (O Hobbit: Uma Jornada Inesperada), que acompanhava Daphne na festa.

Finalizando a tradicional estrutura de três atos, o desfecho da obra traz a concretização do plano, ou seja, a divisão dos lucros.  E é aí que temos a surpresa final, com DAphne virando a casaca e se juntando ao grupo, convencida de que vale a pena sair com parte do lucro do assalto, além de revelar que sentia falta de ter amigas. Uma decisão, convenhamos, que parece extremamente irreal se analisada friamente, mas que funciona dentro do contexto e da proposta da obra. Um desfecho hilário e que divertiu muito o público.


Oito Mulheres e um Segredo é um prato cheio para quem procura diversão no cinema. As personagens são carismáticas, o roteiro te surpreende, a ação é envolvente, os figurinos exuberantes e, claro, há bastantes referências aos filmes anteriores, especialmente por se tratar de uma sequência, e não de um reboot. O tipo de filme que não apresenta novidades, mas cumpre com o seu papel de forma eficiente, especialmente quando mostra que mulheres podem sim ser protagonistas de sucesso em seus próprios filmes. Que continue assim.

Ótimo

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